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quarta-feira, 24 de abril de 2013

O HOMEM E O PECADO

 

John Piper




John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.


A desobediência fatal de Adão e a obediência triunfante de Cristo

"Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram."Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei."Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram, à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir."Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa, porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos."O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação."Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo."Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida."Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos."Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa, mas, onde abundou o pecado, superabundou a graça,"a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor." (Romanos 5.12–21)

Jesus é supremo

Jesus Cristo é a pessoa mais importante no universo - não mais importante que Deus, o Pai, ou Deus, o Espírito. Com eles, Cristo é igual em dignidade, perfeição, sabedoria, justiça, amor e poder. Mas ele é mais importante que todas as outras pessoas - sejam anjos ou demônios; reis ou comandantes; cientistas ou artistas; filósofos ou atletas; músicos ou atores - aqueles que vivem agora ou que sempre viveram ou viverão continuamente. Jesus Cristo é supremo.

Todas as coisas são para Jesus - até mesmo o mal

Tudo o que existe - incluindo o mal - é ordenado por um Deus infinitamente santo e totalmente sábio para fazer a glória de Cristo brilhar com mais esplendor. O texto de Provérbios 16.4 diz: "O Senhor fez todas as coisas para determinados fins, até o perverso para o dia da calamidade". Deus faz isso a seu próprio modo misterioso que preserva a responsabilidade do perverso e a impecabilidade de seu próprio coração. As coisas foram feitas por meio de Cristo e "para"Cristo (Colossenses 1.16). E isso inclui, Paulo afirma, os "tronos, soberanias, principados e potestades", que foram derrotados por Cristo na cruz. Eles foram feitos "para o dia da calamidade". E, naquele dia, o poder, a justiça, a ira e o amor de Cristo foram manifestos. Mais cedo ou mais tarde, toda rebelião contra Cristo resulta em ruína.

O Deus que está presente

Tenho a convicção de que o cristianismo não é meramente um conjunto de ideias, práticas e sentimentos designados para nosso bem-estar psicológico - seja ele designado por Deus ou pelo homem. Isso não é Cristianismo. Ele começa com a convicção de que Deus é uma realidade objetiva fora de nós mesmos. Não o tornamos o que ele é por pensar de certa forma com respeito a ele. Conforme Francis Schaefer disse: "O Deus Presente". Não o criamos. Ele é quem nos cria. Não decidimos como ele será. Ele decide que seremos. Deus criou o universo e o universo tem o propósito que Deus concede a ele, não o propósito que nós conferimos a ele. Se lhe dermos um propósito diferente do divino, somos insensatos. E nossas vidas serão trágicas no fim. Cristianismo não é um jogo; não é uma terapia. Todas as suas doutrinas fluem do que Deus é e do que ele faz na história. Elas correspondem aos fatos rigorosos. O cristianismo é mais que fatos. Há a fé, a esperança e o amor. Mas eles não flutuam no ar; crescem como grandes cedros na rocha da verdade de Deus.
Estou profundamente convencido pela Bíblia que nossa alegria, força e santidade eternas dependem da solidez dessa visão de mundo que é colocar fibra forte na espinha dorsal de sua fé. Tímidas visões de mundo produzem cristãos tímidos. E cristãos tímidos não sobreviverão aos dias à frente. Emocionalismo sem raiz que trata o cristianismo como uma opção terapêutica será eliminado nos Últimos Dias. Aqueles que permanecerão firmes serão os que construíram suas casas sobre a rocha da grande verdade objetiva com Jesus Cristo como a origem, o centro, e o propósito de tudo isso.

A glória de Jesus planejada no pecado de Adão

Nosso foco é no pecado extraordinário do primeiro homem, Adão, e como esse pecado preparou o cenário mais extraordinário: a contrainserção de Jesus Cristo. Vamos voltar para Romanos 5.12-21.
Quero focar na glória de Cristo como o principal propósito que Deus teve em mente quando planejou e permitiu o pecado de Adão e com ele a queda de toda a humanidade no pecado. A Palavra diz: "Seja o que Deus permitir, ele o faz por uma razão". E suas razões são sempre infinitamente sábias e propositais. Ele não tinha obrigação de permitir que a Queda ocorresse. Ele poderia tê-la impedido, assim como teria evitado a queda de Satanás. O fato de que Deus não a impediu significa que ele tem uma razão, um propósito para ela. E ele não faz seus planos enquanto acontece alguma atividade. Ele sabe o que é sábio, sempre sabe o que é sábio. Portanto, o pecado de Adão e a queda da raça humana com ele no pecado e miséria não encontraram Deus desprevenido e é parte de seu plano abrangente para manifestar a plenitude da glória de Jesus Cristo.
Uma das formas mais claras de demonstrar isso na Bíblia - e não vamos entrar em detalhes sobre esse assunto aqui - é examinar aquelas passagens onde o sacrifício de Cristo que vence o pecado é exposto como estando na mente de Deus antes da criação do mundo. Por exemplo, em Apocalipse 13.8, João escreve sobre "aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo". Assim, havia um livro antes da fundação do mundo chamado"O Livro da Vida do Cordeiro que foi morto. Antes que o mundo fosse criado, Deus já havia planejado que seu Filho seria morto como um cordeiro para salvar todos aqueles que estão escritos no livro. Poderíamos examinar muitos outros textos como estes (Ef 1.4-5; 2Tm 1.9; Tt 1.1-2; 1Pd 1.20) para perceber a visão bíblica de que os sofrimentos e a morte de Cristo pelo pecado não são planejados depois do pecado de Adão, mas antes. Portanto, quando o pecado de Adão acontece, Deus não é surpreendido por ele, mas já o tornou parte de seu plano, o plano de manifestar sua paciência, graça, justiça e ira maravilhosas na história da redenção, e, então, em um clímax, revelar a magnificência de seu Filho como o segundo Adão, superior por todos os modos ao primeiro Adão.
Assim, examinamos Romanos 5.12-21 desta vez tendo em mente que o pecado extraordinário de Adão não frustrou os propósitos de Deus de exaltar a Cristo, mas, pelo contrário, os serviu. Aqui está o modo como examinaremos esses versículos. Há cinco referências explícitas a Cristo. Uma delas estabelece o modo como Paulo pensa no que se refere a Cristo e Adão. E o restante mostra como Cristo é superior a Adão. Dois desses versículos são tão similares que os uniremos. Significa que examinaremos três aspectos da superioridade de Cristo.

Jesus, "aquele que vem"

Assim, vamos examinar a forma como Cristo é referido no versículo 14 e vamos ler os versículos 12 e 13 para o contexto: "12"Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram."13" Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei."14"Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram, à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir". Há a referência a Cristo: "Aquele que havia de vir".
O versículo 14 apresenta o modo como Paulo reflete o restante da passagem. Adão é chamado um "tipo" daquele que viria, isto é, um tipo de Cristo. Note o fato mais óbvio primeiramente: Cristo "viria". Desde o princípio, Cristo era "aquele que viria". Paulo mostra que Cristo não é uma ideia tardia. Paulo não diz que Cristo foi concebido como uma cópia de Adão. Ele afirma que Adão foi um tipo de Cristo. Deus tratou Adão de uma maneira que faria dele um tipo da forma que ele planejou para glorificar seu Filho. Um tipo é uma prefiguração de algo que viria mais tarde e seria semelhante ao tipo - somente superior. Por conseguinte, Deus tratou com Adão de uma maneira que o faria um tipo de Cristo.
Agora, observe com mais rigor, exatamente onde, na fluência de seu pensamento, Paulo decide dizer que Adão é um tipo de Cristo. O versículo 14: "Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram, à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir". Ele decide nos dizer que Adão é um tipo de Cristo no momento após afirmar que as pessoas que não pecaram como Adão o fez ainda sofrem a punição que Adão sofreu. Por que Paulo, justamente nesse ponto, declara que Adão foi um tipo de Cristo?

Jesus, nosso representante

O argumento de Paulo demonstra a essência de como Cristo e Adão são semelhantes e diferentes. Eis o paralelo: as pessoas cujas transgressões não foram iguais as de Adão morreram como Adão. Por quê? Porque estavam ligados a Adão. Ele foi o representante da humanidade e seu pecado é considerado deles devido à conexão deles com Adão. Essa é a essência do porquê Adão é chamado um tipo de Cristo - pois nossa obediência não é igual à obediência de Cristo e, contudo, temos vida eterna com Cristo. Por quê? Porque somos unidos a Cristo pela fé. Ele é o representante da nova humanidade e sua justiça é considerada nossa justiça pela nossa união com ele (Confira Romanos 6.5).

Há um paralelo inferido em chamar Adão de um tipo de Cristo:

Adão > pecado de Adão > humanidade condenada nele > morte eterna
Cristo > justiça de Cristo > nova humanidade justificada nele > vida eterna

O restante da passagem revela o quanto Cristo e sua obra redentora são superiores a Adão e sua obra destrutiva. Tenha em mente o que disse no princípio. O que vemos aqui é a revelação das realidades que definem o mundo onde toda pessoa neste planeta vive. Todos neste planeta estão inclusos no texto porque Adão foi o pai de todos. Portanto, toda pessoa que você encontrar na América ou em qualquer país de qualquer etnia se defronta com o que esse texto fala. Morte em Adão ou vida em Cristo. É um texto universal. Não perca isso de vista. Ele é a realidade definidora para cada pessoa que você sempre encontrará. Tímidas visões de mundo produzem cristãos tímidos. Essa não é uma visão de mundo tímida. Ela se estende por toda a história e por toda a terra. Ela influencia cada pessoa no mundo e a cada manchete na internet.

A celebração da superioridade de Jesus

Vamos agora examinar três modos como Paulo celebra a superioridade de Cristo e a obra dele sobre Adão e sua obra. Eles podem ser resumidos sob três frases: 1) a abundância da graça, 2) a perfeição da obediência, e 3) o reino da vida.

1) A abundância da graça

Primeiro, o versículo 15 e a abundância da graça. "Todavia, não é assim o dom gratuito [a saber, o dom gratuito da justiça v. 17] como a ofensa, porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos". O ponto aqui é que a graça de Deus é mais poderosa que a ofensa de Adão. É isso que as palavras "muito mais" significam: "muito mais a graça de Deus… foram abundantes sobre muitos". Se a ofensa do homem trouxe morte, muito mais a graça de Deus trará vida.
Mas Paulo é mais específico que isso. A graça de Deus é especificamente "a graça de um só homem, Jesus Cristo". "Muito mais a graça de Deus e o dom "pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos". Essas graças não são duas graças diferentes. "A graça de um só homem, Jesus Cristo" é a encarnação da graça de Deus. Essa é a forma com a qual Paulo fala sobre ela, por exemplo em Tito 2.11: "A graça de Deus se manifestou [a saber em Jesus] salvadora...". E em
2 Timóteo 1.9: "Sua própria... graça, que nos foi dada em Cristo Jesus". Por conseguinte, a graça que está em Jesus é a graça de Deus.
Essa graça é a soberana graça. Ela conquista tudo em seu caminho. Veremos em um momento que ela tem o poder do rei do universo. É a graça imperial. Essa é a primeira celebração da superioridade de Cristo sobre Adão. Quando a ofensa de um só homem, Adão, e a graça de um só homem, Jesus Cristo, se encontram, Adão e a ofensa perdem. Cristo e a graça vencem. São as boas-novas para aqueles que pertencem a Cristo.

2) A perfeição da obediência

Segundo, Paulo celebra a forma pela qual a graça de Cristo vence a ofensa de Adão e a morte, a saber, a perfeição da obediência de Cristo. O versículo 19: "Porque, como, pela desobediência [a saber, de Adão] de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência [isto é, a de Cristo] de um só, muitos se tornarão justos". Assim, a graça de um só homem, Jesus Cristo, o impede de pecar - ela o mantém obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2.8) - de modo que ele oferece uma obediência perfeita e completa ao Pai em nome daqueles que estão unidos com ele pela fé. Adão fracassou em sua obediência. Cristo procedeu perfeitamente. Adão foi a fonte de pecado e morte. Cristo foi a fonte de obediência e vida.
Cristo é como Adão, que foi um tipo de Cristo - ambos são representantes de uma velha e uma nova humanidade. Deus imputa o fracasso de Adão à sua humanidade e o sucesso de Cristo à sua humanidade, devido a como essas duas humanidades estão unidas às suas respectivas cabeças. A sublime superioridade de Cristo é que ele não é apenas bem-sucedido em obedecer perfeitamente, mas o faz de tal forma que milhões de pessoas são consideradas justas pela sua obediência. Você está unido somente a Adão? Você está unido à parte da primeira humanidade destinada à morte? Ou você também está unido a Cristo e à parte da nova humanidade destinada à vida eterna?

3) O reino da vida

Terceiro, Paulo celebra não apenas a graça abundante de Cristo e a obediência perfeita de Cristo, mas finalmente, o reino da vida. A graça conduz à obediência de Cristo rumo ao triunfo da vida eterna. O versículo 21: "A fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor". A graça reina por meio da justiça (isto é, mediante a justiça perfeita de Cristo) para o grande clímax da vida eterna - e tudo isso é "mediante Jesus Cristo, nosso Senhor".
Ou, uma vez mais no versículo 17, a mesma mensagem: "Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo". O mesmo padrão: graça por meio do dom gratuito de justiça conduz ao triunfo da vida e tudo isso acontece mediante Jesus Cristo.
Mencionei anteriormente que a graça de Deus em Cristo, a que Paulo faz alusão nesses versículos, é a soberana graça. Eis o termo onde se percebe esse fato, a saber, na palavra "reinar. A morte tem um tipo de soberania sobre o homem e reina sobre tudo. Todos morrem. Mas a graça vence o pecado e a morte. Ela reina em vida mesmo sobre aqueles que outrora estavam mortos. É graça soberana.

A obediência extraordinária de Jesus

Esta é a grande glória de Cristo - ele ultrapassa imensamente em excelência o primeiro Adão. O pecado extraordinário de Adão não é tão maior quanto a graça e a obediência extraordinárias de Cristo e o dom da vida eterna. De fato, o plano de Deus, desde o princípio, em sua justiça perfeita, foi que Adão, como o representante da humanidade, seria um tipo de Cristo como o representante de uma nova humanidade. Seu plano foi por comparação e contraste que a glória de Cristo brilharia com mais esplendor.
O versículo 17 expressa o assunto para você de uma forma muito pessoal e muito urgente. Onde você se situa? "Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem "a abundância da graça e o dom da justiça "reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo". Note as palavras muito cuidadosamente e pessoalmente: "Os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça".

Palavras preciosas para pecadores

Estas são palavras preciosas para pecadores: a graça é gratuita, o dom é gratuito, a justiça de Cristo é gratuita. Vocês receberão tudo isso como a esperança e o tesouro de suas vidas? Se receberem, vocês "reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo". Recebam isso agora. Testemunhem isso no batismo. E tornem-se uma parte viva do povo de Cristo. 

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segunda-feira, 22 de abril de 2013



Está o Batismo Infantil contido nas Escrituras?
por
Igreja Presbiteriana do Brasil


Batismo é uma ordem da Igreja Cristã. De acordo com a divina instrução ele é administrado pela igreja, e ele é o rito que inicia a membresia da igreja visível. O argumento para o batismo infantil, entretanto, está relacionado de perto à questão da natureza da igreja.
No senso mais direto a igreja é a companhia dos regenerados ou dos homens e mulheres de fé. Os fatos da regeneração e fé pertencem, entretanto, ao reino invisível e espiritual, e por essa razão nenhum homem é infalível para determinar quem pertence à igreja nem ao menos determinar qual o exato limite de um corpo em um lugar ou geração. Conseqüentemente, quando nós estamos falando da igreja, nesse seu sentido estrito, nós falamos sobre ela como a igreja invisível.
Mas a igreja não é sempre totalmente invisível para a apreensão humana. Aqueles que pelos efeitos da regeneração e fé constituem o corpo de Cristo dão uma expressão observável para essa fé que eles possuem. Isso eles não fazem somente em suas capacidades individuais como membros do corpo de Cristo, mas também em suas relações coletivas e obrigações. De acordo como o mandamento divino é uma necessidade interna eles se associem uns com os outros. Eles organizam com o propósito de testemunhar, adorar, administrar os sacramentos, edificação mútua e encorajamento, e para o exercício da disciplina. Essa organização ou associação visível não é regida pelo planejamento humano, mas pela instituição divina. Então nós também temos o que é conhecido como a igreja visível.
Agora, apesar da igreja invisível, em qualquer outro lugar ou geração, seja composta exclusivamente dos regenerados, a igreja visível não é composta desta forma. Isso serve para dizermos que a igreja visível não é nem em número e nem em sua moral, a exata reprodução da igreja invisível. Desde que nenhum homem ou mulher pode infalivelmente ler o coração uns dos outros, a igreja visível é constituída daqueles que fazem uma consistente e inteligente profissão de fé em Cristo e prometem obedecer a Ele. Essa profissão de fé, apesar de ser uma profissão que somente um verdadeiro crente pode verdadeiramente e honestamente fazer, é ainda de tal natureza que aqueles que não têm verdadeira fé podem fazê-la para a satisfação daqueles responsáveis pela admissão na igreja visível. A igreja visível, então, está circunscrita não pela linha da regeneração, mas pela linha da profissão de fé inteligente e consistente.


A Igreja no Antigo Testamento

Uma vontade distinta, obviamente, tem que ser traçada entre a igreja visível como existia na dispensação do Antigo Testamento e como existe atualmente. Tal distinção foi obviamente indicada nas palavras do Senhor a Pedro quando Ele disse, “Tu és Pedro, e sobre essa rocha Eu edificarei minha igreja: e os portões do inferno não prevalecerão contra ela” (Mat. 16:18). Ele estava se referindo para a nova forma e caráter que a igreja estaria assumindo como reino de Deus ou reino celeste em conseqüência da sua Missão e Ação Messiânica. Ele a chama “minha igreja”.
Mas enquanto total concessão precisa ser feita para a distinção e para uma nova forma de administração que foi conduzida especificamente pela morte, ressurreição, e ascensão de Cristo e pelo derramamento do Espírito no Pentecostes, todavia essa distinção não garante a negação da existência da igreja no senso mais genérico do Antigo Testamento. Existe de fato uma unidade e identidade profunda entre a igreja no Antigo Testamento e a igreja no Novo.
Para que o povo de Deus no Antigo Testamento pertencesse, como o Apóstolo Paulo nos diz, “a adoção, e a glória, e os pactos, e a Lei outorgada, e o serviço de Deus, e as promessas” (Rom. 9:4). A igreja do Novo Testamento é a extensão e desdobramento do pacto feito com Abraão e é, entretanto, encontrado sobre ela. Esse é claramente o argumento de Paulo na Epistola aos Gálatas quando ele diz que “Aqueles que são da fé são abençoados com Abraão”, e que “o pacto, que foi confirmado perante Deus em Cristo, a lei, a qual foi quatrocentos e trinta anos depois, não pode ser anulada, pois faria a promessa sem efeito algum” (Gal. 3:9, 17). Então ela é a bênção de Abraão, uma bênção que foi dele nos termos do pacto administrado para ele, que veio sobre Gentios através de Jesus Cristo (ver, versículo 14 de Gal. 3). A igreja, então, como ela existia nas duas dispensações não são dois organismos. Os dois estágios devem ser observados, como Paulo nos ensina, sobre a figura de uma oliveira, uma árvore, obviamente, com muitos galhos, mas ainda sim uma só árvore crescendo da mesma raiz (Rom. 11:16-21). Os Gentios eram em um tempo “aliens no meio de Israel, e estranhos no pacto da promessa” (Ef. 2;12), mas agora eles “não são mais estranhos e estrangeiros, mas concidadãos com os santos, e parte da família de Deus, e são firmados sobre a fundação dos apóstolos e profetas, Jesus Cristo sendo Ele mesmo a pedra angular” (Ef. 2:19-20).
Então não é somente necessário, mas bíblico falar sobre a igreja do Antigo Testamento. Existe uma continuidade e unidade orgânica, e qualquer tentativa de negar esse fato, ou qualquer método de interpretação que tende a prejudicar tal verdade, deve ser condenada com base na própria escritura.

O Sinal da Circuncisão

Agora se a igreja no sentido genérico existia no Antigo Testamento, devemos admitir que em sua organização e administração visível ela inclui não somente todos aqueles que professam a verdadeira religião, mas também seus filhos. O sinal do pacto administrado para Abraão era a circuncisão. Esse sinal e selo, não demonstravam mero privilégio de uma nação, mas, como nós apresentamos agora, uma benção espiritual, foi por ordem divina administrada para as crianças com oito dias de idade. Todos os homens nascidos dentro do relacionamento do pacto, em outras palavras, todos os que recém nascidos dos quais os pais estavam dentro de uma esfera de privilégio e fé, deveriam ser circuncidados.
Circuncisão significava fundamentalmente a retirada de uma impureza a fim de que houvesse uma participação no pacto de bênçãos. Um estudo das seguintes referências tornará isso claro para nós: Êxodo, 6:12, 30; Levítico, 19:23; 26:41; Deuteronômio, 10:16; 30:6; Jeremias, 4:4; 6:10; 9:25. E junto com os esses textos Paulo nos ensina que circuncisão era um selo de retidão que Abraão tinha enquanto ele era ainda incircunciso (ver Rom. 4:11). Esses dois significados básicos, o primeiro sobre o remover da impureza ou purificação, o segundo a imputação da retidão fé, isso será realmente visto, pois esses pontos não são contraditórios, mas se completam mutuamente.
É necessário para nós, fazer uma pausa e analisar o seguinte ponto para nosso conforto: Que por indicação divina e ordem expressa o sinal e selo das realidades espirituais, realidades que só poderiam ser aplicadas através da operação graciosa do Espírito de Deus, forem administrados (o sinal e o selo) também para crianças.
Agora nós podemos antecipar a objeção: Tudo isso é concebido, mas para qual proveito para a doutrina em questão? O que tem isso tudo a ver com a questão do batismo infantil?
Acontece que circuncisão significa basicamente a mesma coisa que batismo. Que batismo significa purificação do pecado pela regeneração do Espírito e purificação da culpa do pecado pela retidão de Cristo, a retidão da fé, aparece diretamente no Novo Testamento. Que, nós já temos encontrado, é o verdadeiro significado da circuncisão. Existe, entretanto, uma identidade básica sobre sentido e significado. Circuncisão, carregando o mesmo significado do batismo, era administrada a crianças que nasciam debaixo de um pacto de relacionamento e privilégio que era derramado do pacto feito com Abraão.

O Sinal Perpétuo do Pacto

Nós já descobrimos que a dispensação do evangelho está de acordo com, e em busca do pacto feito com Abraão. Ele, Abraão, é o pai de todos os da fé. Aqueles que são da fé são abençoados juntamente com Abraão. Agora, se crianças nascem de pais crentes debaixo da antiga dispensação elas recebiam o sinal do pacto, um sinal do pacto que carrega o mesmo significado central como o batismo o faz, devemos nós crer que crianças estão excluídas do sinal e selo do pacto no Novo Testamento? Isso não deve ser muito estressado que a administração neotestamentária é a elaboração e desenvolvimento do pacto abraâmico. Se crianças são excluídas agora, deve ser entendido que essa mudança implica em uma reversão completa ou aversão à prática divina primeiramente instituída. Então devemos perguntar seriamente: podemos nós encontrar no Novo Testamento alguma dica ou direcionamento de tal reviravolta? Mais particularmente, tem o Novo Testamento revogado tão expressivamente pensado e autorizado um princípio como a inclusão das crianças no sinal e selo do pacto? E uma prática da divina administração do pacto da graça, que tem sido exercida por mais de dois mil anos foi simplesmente excluída?
Quando nós examinamos o Novo Testamento, não podemos encontrar tais evidências. Mas, em vista da identidade básica e significado da circuncisão e batismo, em vista da unidade e continuidade do pacto nos termos pelos quais o sinal do pacto nos foi dado, nós podemos dizer com confiança que a evidência de rejeição é determinante se a prática ou princípio devem ser excluídos. Então, na ausência de rejeição e na presença de uma evidência de continuidade do pacto, nós concluímos que a administração do sinal para as crianças filhos e filhas de crentes têm garantia e autoridade divina perpétua. São simplesmente essas considerações que conclamam o ponto de John Lightfoot, “Não é proibido batizar crianças, entretanto eles não devem ser batizados”. O mandamento divino para administrar o sinal do pacto às crianças não foi revogado, então ele ainda está em vigor.

Objeções Inválidas

Os oponentes ao batismo infantil querem apelar para o fato que não existe um mandamento expresso para o batismo infantil e que nós não temos no Novo Testamento um caso explícito e provado de batismo infantil. A resposta para tal objeção é aparente. Em vista das bases as quais, por autoridade divina, a inclusão das crianças não repousa na recepção do sinal do pacto, um mandamento expresso ou um caso concreto não é necessário.
Também será questionado que existem diferenças entre circuncisão e batismo. Por exemplo, circuncisão era administrada somente para homens, batismo é administrado tanto para homens quanto para mulheres. Essa diferença, obviamente, não é negada. Mas como objeção é singularmente inválida. Devemos lembrar que essa diferença não só é em termos de homens e mulheres como também de crianças e adultos. Sendo adultos, assim como crianças em Israel somente homens carregavam esse sinal do pacto. No Novo Testamento mulheres adultas, assim como homens adultos, carregam o sinal do batismo. Se essa diferença é manifestada entre adultos porque também não deveria ser manifestada entre as crianças? A abolição da distinção entre gêneros entre crianças é perfeitamente harmonioso com esse assunto de gêneros também entre adultos. De fato, se batismo é administrado para crianças, então a abolição da distinção entre crianças, homens e mulheres, segue necessariamente a prova da abolição da distinção entre adultos, homens e mulheres.
Porque na sabedoria divina debaixo da antiga economia um sinal foi escolhido que não pudesse ser administrado para as mulheres não cabe a nós saber. Mas a extensão do sinal do pacto incluir mulheres como membros da igreja no Novo Testamento está durante todo o tempo de acordo com a expansão do privilégio que a revelação do Novo Testamento sinaliza. Nas palavras do Dr. Samuel Miller, “Ainda que o batismo declaradamente venha para tomar o lugar da circuncisão, existem pontos que o atual difere na forma do antigo sinal. E ele difere precisamente de acordo com aqueles pontos em referência na qual o Novo Testamento difere do Antigo Testamento e ser mais expansivo, e menos cerimonial. Batismo não é uma restrição cerimonial ao oitavo dia, mas pode ser administrado em qualquer hora e qualquer lugar. Não está confinado a um gênero, mas, a gloriosa dispensação da qual é o selo, ela marca a expansão do privilégio, e é administrada de uma forma que lembra que ‘Não há Grego, nem Judeu, nem escravo ou livre, nem homem ou mulher, na administração cristã, mas somos todos, um em Cristo Jesus’”.

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terça-feira, 5 de março de 2013

OS TRÊS ESTÁGIOS NO ENGANO DO PECADO.

Por causa da propensão ao mal presente na natureza humana, os puritanos estavam bem cientes do engodamento do pecado. John Owen enxergou três estágios no engano do pecado.


(1) - Primeiro, a perspectiva se perde na vileza do pecado e na maravilha da graça de Deus. A tendência do pecado é sempre diminuir a seriedade do pecado. A verdade bíblica perde sua empunhadura na imaginação e é reduzida a simples conteúdo cognitivo. À medida que as sensibilidades espirituais são entorpecidas, o cristão perde aquele "prazer santo" que já foi motivo primeiro em sua vida.


(2) - Em segundo lugar, quando as inclinações não estão firmemente direcionadas às coisas de Deus, a atração do pecado faz sua aparição na imaginação. À medida que o pecado é contemplado sem o correspondente senso de desgosto, ele capta a imaginação e a torna positivamente desejável. A imaginação "rola" o prazer do pecado, "tal qual o rolar da comida, feito pela língua, para agradar o paladar".


(3) - Em terceiro lugar, a vontade anui ou que parece ser bom à mente e cria racionalizações pra justificar o pecado que está sendo contemplado. As emoções são alteradas e inflamadas pelas representações vívidas do prazer do pecado, enquanto as convicções da consciência são aliciadas. Se essa "corrente de engano" não for quebrada, ela conduzirá a atitudes e ações pecaminosas. "Mas tarde, após o pecado residente ter criado um padrão de hábito, o ciclo pode ocorrer tão rapidamente que não haverá mais quaisquer consciência dos "estágios", do "conferenciar e do seduzir". Em lugar disso, o comportamento acontecerá rapidamente e com pouca advertência".Nesse sentido, Thomas Brooks adverte contra o engano do pecado quando ele aparece por intermédio das cores da virtude. Em sua descrição acerca do efeito produzido pelo desmascarar do pecado, a eloqüência de Brooks condiz com a importância do evento e capta a o intensidade que é a marca registrada do puritanismo:

"Ah, almas! Quando te deitares sobre o leito de morte, e compareceres diante do tribunal, o pecado será desmascarado, suas veste serão retiradas, aí ele terá a aparência de mais vil, imundo, e terrível que o próprio inferno; dessa forma, aquilo que outrora aparentava ser doce agora parecerá tremendamente amargo, e aquilo que aparentava ser mais prazeroso parecerá tão desprezível, tão assustador à alma. Ah! a vergonha, a dor, o fel, o amargor, o horror, o inferno que a realidade do pecado, quando despido, despertará nas pobres almas! O pecado certamente se demonstrará mau e amargo para a alma, quando suas veste forem arrancadas... até temos pecado, Satanás é um parasita: quando pecamos, ele se torna um tirano"

Brooks também adverte que dar preferência a um pecado menor impele o diabo a nos tentar a cometermos um pecado maior. "O pecado possui natureza usurpadora; ele rasteja, deslizando pelos degraus da alma, passo a passo". Com isso, Owen concordou, apresentando o pecado como uma força existente dentro do coração humano:

"Primeiro ele cobiça, mexendo e movimentando invenções imoderadas na mente; deseja, por meio dos apetites e dos interesses, propondo-os à vontade. Mas não pára por aí, pois não pode parar; ele insta, pressiona e persegue seus propósitos com determinação, força e vigor, luta, contende e guerreia para obter seu fim e propósito"

Dessa forma grande parte do aconselhamento puritano concentrava-se no problema do pecado por causa da sua extensão penetrante, seu caráter enganador e sua natureza pervertida. Reconhecendo o engano residente em cada coração, os conselheiros puritanos sabiam que aquilo que as pessoas menos queriam ouvir era o que elas mais precisavam ouvir. Por conseguinte, a solução que os pastores puritanos ofereceram aos dilemas criados pelo domínio do pecado foi o princípio da mortificação.

Mortificação significa matar as obras do corpo (Rm 8.13). Mortificar significa tirar toda a força, o vigor e o poder do pecado, de modo que ele não possa agir por conta própria ou se impor na vida do crente. Isto inclui não apenas o fruto do pecado nos padrões de conduta exterior, mas também a raiz do pecado nas motivações e desejos interiores.

Em seu desenvolvimento do conceito de mortificação, Owen explica primeiro o que o conceito não é, antes de descrever o que ele é. Mortificação não significa eliminar o pecado a tal ponto nesta vida que esse deixa de se constituir problema. Embora, esse seja o alvo da santificação, ele não pode ser alcançado na vida presente por causa da presença do pecado que em nós habita ( Rm 7.14-25). Em segundo lugar, mortificação não significa alcançar um grau de civilidade ou conformidade à moralidade exterior, pois tal "pode parecer para o próprio homem e para os outros que são bastante mortificados, quando, quem sabe, seus corações sejam um fosso permanente de todo tipo de abominações." Em terceiro lugar, a mortificação não significa substituir um pecado por outro, pois todo pecado é digno de morte. Por fim, vitórias ocasionais sobre o pecado não constituem mortificação do princípio do pecado.

O delinear de Owen daquilo que está presente na mortificação foi muito bem resumido por Fergson:


"Ao contrário, a mortificação envolve o enfraquecimento habitual do pecado, e o constante lutar contra ele, com certa medida de sucesso. A batalha precisa ser perpétua, pois cada manifestação do pecado contém as sementes do domínio ímpio do pecado, e inclina-se sempre para o mesmo fim. Existe uma crucificação universal necessária da carne por meio da qual o peado é enfraquecido"


O segredo do caráter puritano pode ser encontrado na atitude para com a vida cristã na constante batalha espiritual contra o pecado. Isso difere bastante da quantidade de seminários a respeito de batalha espiritual que estão sendo oferecidos hoje, em que o cristão aprendem a lutar contra forças demoníacas ao seu redor. Os puritanos não lutavam contra demônios, mas contra si mesmos, por conseguinte adquiriam certa maestria sobre si mesmos, produzindo piedade e vida.

Fonte: http://www.josemarbessa.com/2011/06/john-owen-e-os-tres-estagios-no-engano.html