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sábado, 3 de abril de 2010

A CENTRALIDADE DA PREGAÇÃO

A Centralidade da Pregação da Palavra no Culto

por

Hermisten Maia Pereira da Costa






Introdução:

Dentro da visão Reformada, a Palavra de Deus ocupa o lugar central do Culto, visto que é através dela que Deus nos fala. [1] Deus se dignou em revelar a Si mesmo como Palavra e através da Palavra: “No princípio era o Verbo” (Jo 1.1). “No princípio, não era a música, nem o teatro. Deus identifica seu Filho, que é Deus, com a Palavra. Isso é tremendamente importante.” [2] “Um dos objetivos do sermão, sem dúvida, o mais elevado, deve ser a adoração de Deus e a exaltação do seu nome.” [3]

A pregação não deve ser rejeitada (1Ts 5.19-21); ela deve ser entendida como a Palavra de Deus para nós; recusá-la é o mesmo que rejeitar o Espírito (1Ts 4.8). [4] O mundo por sua vez, deseja ansiosamente ouvir, porém, não a Palavra de Deus (1Jo 4.5). Como há falsos pregadores e falsos mestres, é necessário “provar” o que está sendo proclamado para ver se o seu conteúdo se coaduna com a Palavra de Deus (At 17.11,12/1Jo 4.1-6). No entanto, neste período de grandes e graves transformações, torna-se evidente que os homens, de forma cada vez mais veemente, querem ouvir mais o reflexo de seus desejos e pensamentos, a homologação de suas práticas. Assim sendo, a palavra que deveria ser profética, tende com demasiada freqüência – mesmo assinando o seu obituário –, a se tornar apenas algo apetecível ao “público alvo”, aos seus valores e devaneios, ou, então, nós pregadores, somos tentados a usar de nossa “eloqüência” para compartilhar generalidades da semana, sempre, é claro, com uma alusão bíblica aqui ou ali, para justificar a nossa “pregação”; o fato é que uma geração incrédula, é sempre acintosamente crítica para com a palavra profética. [5]


1. Os Oráculos de Deus:

À Igreja foi confiada a Palavra de Deus, a qual ela deve preservar em seus ensinamentos e prática (Rm 3.2; 1Tm 3.15). Calvino entendia que “a verdade, porém, só é preservada no mundo através do ministério da Igreja. Daí, que peso de responsabilidade repousa sobre os pastores, a quem se tem confiado o encargo de um tesouro tão inestimável!”. [6] Portanto, “um bom pastor deve estar sempre alerta para que seu silêncio não propicie a invasão de doutrinas ímpias e danosas, e ainda propicie aos perversos uma irrefreada oportunidade de difundi-las.” [7] Daí, a fidelidade inarredável à Palavra que deve ter o ministro: “Quão arriscado é afastar-se, mesmo que seja um fio de cabelo da doutrina. (...) Em razão da fragilidade da carne, somos excessivamente inclinados a cair, e o resultado é que Satanás pela instrumentalidade de seus ministros, pronta e facilmente destrói o que os mestres piedosos constroem com grande e penoso labor.” [8] Em outro lugar, comentando Gálatas 5.9, insiste: “Essa cláusula os adverte de quão danosa é a corrupção da doutrina, para que cuidassem de não negligenciá-la (como é costumeiro) como se fosse algo de pouco ou nenhum risco. Satanás entra em ação com astúcia, e obviamente não destrói o evangelho em sua totalidade, senão que macula sua pureza com opiniões falsas e corruptas. Muitos não levam em conta a gravidade do mal, e por isso fazem uma resistência menos radical. (...) Devemos ser muito cautelosos, não permitindo que algo (estranho) seja adicionado à íntegra doutrina do Evangelho.” [9] Escrevendo a Cranmer (jul/1552?) diz: “A sã doutrina certamente jamais prevalecerá, até que as igrejas sejam melhor providas de pastores qualificados que possam desempenhar com seriedade o ofício de pastor.” [10] Por isso, “É quase impossível exagerar o volume de prejuízo causado pela pregação hipócrita, cujo único alvo é a ostentação e o espetáculo vazio.” [11]


2. O Profeta Amós e a Religiosidade Estereotipada:

Recordemos um pouco o caso do Amós. O profeta Amós localiza bem o período de sua mensagem, indicando o reinado de Uzias em Judá e Jeroboão II em Israel. Uzias começou a reinar no ano 27 de Jeroboão (2Rs 15.1). Jeroboão reinou 41 anos (2Rs 14.23). Amós viveu num período de grande riqueza e, ao mesmo tempo imoralidade. Jeroboão conseguira restaurar as fronteiras do Reino do Norte; havia riqueza e abundância no seu reino, resultantes dos despojos de guerra e de negócios vantajosos feitos com Damasco e com principados ao norte e ao nordeste. Contudo, juntamente com a prosperidade – da qual a classe baixa não participou em nada –, havia um materialismo dominante, caracterizando-se pela exploração dos pobres e imoralidade, tentando aplacar a ira de Deus com cerimoniais vazios. [12]

A mensagem de Deus através do profeta é destinada mais especificamente ao Reino Norte, com capital em Samaria, comumente chamado de Israel (Am 7.11/1.1). Ela foi proferida pelo menos dois anos antes da sua redação; agora, após o terremoto predito, ele relembra o que aconteceu e mostra o que ainda está por vir. (Am 1.1; 2.13; 7.10; 8.8/Zc 14.5). O seu Livro foi escrito por volta do ano 760-755 a.C. A sua mensagem é um lamento pela situação do povo (Am 5.1-2). A métrica utilizada em seu registro, própria dos cantos fúnebres, testemunha a tristeza do poeta diante da mensagem que leva ao povo. [13] Amós era um homem simples, do campo, cuidava de bois e colhia sicômoros [14] (Am 1.1/7.14). Vivia em Tecoa, que ficava a 10 km ao sul de Belém, sendo uma região de pastoreio, privilegiada por montanhas com uma altitude de 850 metros.

Deus está profundamente aborrecido com o seu povo eleito; por isso o disciplinaria (Am 3.1-2). Amós descreve de forma vívida a situação de Judá e, principalmente de Israel. O ponto capital da questão estava no fato de que eles rejeitaram a Lei de Deus e não guardaram os Seus Estatutos; portanto não agiam retamente; transformaram a mensagem de Deus em algo amargo, atirando-a ao chão (Am 5.7/6.12): “...rejeitaram a lei do Senhor, e não guardaram os seus estatutos, antes as suas próprias mentiras os enganaram, e após elas andaram seus pais” (Am 2.4). “...Israel não sabe fazer o que é reto, diz o Senhor, e entesoura nos seus castelos a violência e a devastação” (Am 3.10).

Como resultado da desobediência à Lei de Deus, todas as relações estão transtornadas, marcadas pelo domínio do pecado:

a) Vida Familiar: Imoralidade: Pai e filho coabitando com a mesma mulher (Am 2.7).


b) Vida Social, Política e Econômica:

b.1) Juizes corruptos: Am 2.6-7; 5.12.

b.2) Injustiça de todo tipo: Am 5.7; 6.12.

b.3) Opressão: Am 3.9; 4.1/8.4-6; 5.11-12.

b.4) Exploração dos pobres: Am 5.11-12; 8.4-6.

b.5) Insensibilidade para com o sofrimento alheio: Am 4.1; 6.6.


c) Vida Religiosa:

a) As ofertas eram apenas mecânicas; não alteravam em nada o seu comportamento; eles apenas gostavam do ritual: Am 4.4-5.

b) Aborreciam a instrução: Am 5.10.

Aqui, vem o ponto capital: Não queriam ouvir a Palavra de Deus; para tanto procuravam corromper os mensageiros de Deus (Am 2.11-12; 5.10/ 7.14-16.). A Mensagem profética era entendida como conspiração (Am 7.10). O trágico de tudo isso, é que a mensagem que eles não queriam ouvir era justamente a que poderia salvá-los, porque Deus lhes falava através do profeta; no entanto, eles não queriam que este profetizasse: “Certamente o Senhor Deus não fará cousa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). “Aborreceis na porta ao que vos repreende, e abominais o que lhe fala sinceramente” (Am 5.10).

Amós, fiel ao seu chamado, testemunha contra a tentativa do povo em silenciá-lo: “Mas o Senhor me tirou de após o gado, e me disse: Vai e profetiza ao meu povo Israel. Ora, pois, ouve a palavra do Senhor: Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de Isaque” (Am 7.15-16)(Ver Am 2.12).

Enquanto o povo não ouvia o profeta, alimentava-se de mentiras: (Am 2.4). Deus aponta para a insensibilidade espiritual do povo em se converter a Ele: (Do mesmo modo Ageu 1.9-11):

a) Fome não adiantou: Am 4.6.

b) Seca não adiantou: Am 4.7-8.

c) Praga não adiantou: Am 4.9.

d) Peste não adiantou: Am 4.10.

e) Catástrofe não adiantou: Am 4.11.

Deus diz que puniria o seu povo (Am 3.2,14); o abandonaria (Am 6.8). Ele não era subornável mediante cultos mecânicos que não alteravam em nada o seu comportamento; o povo apenas gostava do ritual (Am 4.4-5 5.21-23; Mq 6.6-8; Os 6.6/1Sm 15.22; Os 8.13).

O ritualismo vazio pode ser ilustrado na vida de Israel. Os povos costumam ter seus lugares sagrados, marcos de grandes acontecimentos ou da existência de grandes personagens. Para lá se dirigem objetivando prestar seu culto ou mesmo buscar inspiração. O povo de Israel também tinha esta prática; o livro de Amós nos fala de três lugares (Am 5.1-6):

a) Betel: Jacó teve uma visão de Deus e conclui dizendo que Deus estava naquele lugar (Gn 28.16). Aqui, Jacó saiu com uma nova perspectiva de vida amparada na promessa de Deus (Gn 28.13-15). Mais tarde, Jacó foi a Betel lembrando-se de que Deus se revelara a ele anteriormente (Gn 35.7) e agora, teve uma nova experiência; Deus lhe falara (Gn 35.15), mudou seu nome; ele já não mais se chamaria Jacó mas Israel (Gn 35.10). – Betel significava a presença de Deus e o Seu poder renovador.

b) Gilgal: Josué erigiu um monumento com doze pedras após atravessar a pé enxuto o rio Jordão. Também ali, os homens que nasceram no deserto foram circuncidados e o povo participou da páscoa (Js 4 e 5) – “Gilgal era o santuário que proclamava a herança e a posse da terra prometida de acordo com a vontade de Deus.” [15]

c) Berseba: Abraão fez aliança com Abimeleque e invocou o nome do Senhor. Abimeleque disse a Abraão: “Deus é contigo em tudo o que fazes” (Gn 21.22) – A Bênção de Deus.

Deus não deseja que o povo procure mecanicamente os lugares de culto, por eles mesmos corrompidos (Am 5.5/4.4), mas que O busque, para que tenham vida (Am 5.6). Buscar a Deus é o oposto a meras peregrinações a lugares sagrados, a santuários como em Betel, Gilgal ou Berseba (Am 3.14; 4.4-5; 8.14); estes santuários juntamente com o povo estavam sob julgamento.

Por causa de seus pecados, Israel seria destruído (Am 3.11-12; 5.3; 6.16), sendo levado cativo (Am 4.2-3; 6.7; 7.11,17). Israel deve se preparar para se encontrar com o Senhor, e prestar contas a Ele (Am 4.12-13). No entanto, a mensagem de Deus permanecia até o último instante conclamando o povo a uma atitude de arrependimento e de busca de Deus. A única solução para Israel estava na proclamação de Amós: “Buscai ao Senhor e vivei” (Am 5.6).

É necessário que não permitamos que uma religiosidade estereotipada caracterize a nossa vida; Deus deseja não que cumpramos simplesmente rituais; Ele quer que O busquemos. Os ritos só têm valor quando realizados conforme a Palavra e com sinceridade. A nossa única chance real de salvação é buscar a Deus.

Como vimos, o povo não queria saber da mensagem profética. No século XIX, Spurgeon, comentando sobre a relevância do sermão na adoração, escreve: “Ouvir corretamente o evangelho é uma das partes mais nobres da adoração ao Altíssimo. É um exercício mental em que, quando corretamente praticado, todas as faculdades do homem espiritual são chamadas à realização de atos de devoção. Ouvir reverentemente a Palavra exercita a nossa humildade, instrui a nossa fé, engolfa-nos em raios de fulgente alegria, inflama-nos de amor, inspira-nos zelo, e nos eleva até o céu.” [16]


3. Fidelidade X Popularidade:

No Livro de Amós vemos exemplificado o desprezo à profecia e, ao mesmo tempo, a fidelidade do profeta. Parece-me, no entanto, correto o comentário de Vincent quando declara que “A demanda gera o suprimento. Os ouvintes convidam e moldam os seus próprios pregadores. Se as pessoas desejam um bezerro para adorar, o ministro que fabrica bezerros logo é encontrado.” [17] É preciso atenção redobrada para não cairmos nesta armadilha já que não é difícil confundir os efeitos de uma mensagem com o conteúdo do que anunciamos: a pregação deve ser avaliada pelo seu conteúdo; não pelos seus supostos resultados. Esse assunto está ligado à vertente relacionada ao crescimento de igreja. Iain Murray está correto ao afirmar: “O crescimento espiritual na graça de Cristo vem em primeiro lugar. Onde esse crescimento é menosprezado em troca da busca de resultados, pode haver sucesso, mas será de pouca duração e, no final, diminuirá a eficácia genuína da Igreja. A dependência de número de membros ou a preocupação com números freqüentemente tem se confirmado como uma armadilha para a igreja.” [18]

A confusão entre conteúdo e resultado é fácil de ser feita porque, como acentua MacArthur: “O pregador que traz a mensagem que mais necessitam ouvir é aquele que eles menos gostam de ouvir.” [19] Portanto, a popularidade pode em muitos casos, ser um atestado da infidelidade do pregador na transmissão da voz profética. Lembremo-nos: “Toda a tarefa do ministro fiel gira em torno da Palavra de Deus – guardá-la, estudá-la e proclamá-la.” [20] e: “Ninguém pode pregar com poder sobrenatural, se não pregar a Palavra de Deus.”[21] Quanto mais confiarmos no poder de Deus operante através da Palavra, menos estaremos dispostos a confiar em nossa suposta capacidade. A nossa oratória pode e certamente não é totalmente adequada; no entanto, a Palavra que pregamos, jamais será ineficaz no seu propósito. Neste sentido, escreveu Chapell: “Quando os pregadores percebem o poder que a Palavra possui, a confiança em seu chamado cresce, da mesma forma que o orgulho em seu desempenho murcha. Não precisamos temer nossa ineficácia quando falamos das verdades que Deus revestiu de poder para a realização dos seus propósitos. Ao mesmo tempo, trabalhar como se nossos talentos fossem os responsáveis pela transformação espiritual, torna-nos semelhantes a um mensageiro que reivindicava mérito por ter posto fim à guerra, por haver ele entregue a declaração escrita de paz. O mensageiro tem uma nobre tarefa a realizar, mas porá em risco sua missão e depreciará o verdadeiro vitorioso se atribuir a si, façanhas pessoais. Mérito, honra e glória com relação aos efeitos da pregação pertencem apenas a Cristo, pois somente a Palavra produz renovação espiritual.” [22]

Lembremo-nos de que o pregador não “compartilha” opiniões nem dá suas “opiniões” sobre o texto bíblico, nem faz uma paráfrase irreverente do texto, antes, ele prega a Palavra. O seu objetivo é expressar o que Deus disse através de seus servos. Pregar é explicar e aplicar a Palavra aos nossos ouvintes. O aval de Deus não é sobre nossas teorias e escolhas, muito menos sobre a “graça” de nossas piadas, mas sobre a Sua Palavra. Portanto, o pregador prega o texto, de onde provém a verdade de Deus para o Seu povo.

No final, quando Cristo retornar, certamente Ele não se interessará pela nossa escola homilética ou, se fomos “progressistas” ou “conservadores” mas sim, se fomos fiéis à Palavra em nossa vida e pregação.

Insistimos: devemos estar sinceramente atentos ao que o Espírito diz à Igreja através da Palavra, a fim de praticar os Seus ensinamentos. E isto é válido tanto para quem ouve como para quem prega...

Por outro lado, aquele que prega deve ter consciência de que o púlpito não é o lugar para se exercitar as opiniões pessoais e subjetivas mas sim, para pregar a Palavra, anunciando todo o desígnio de Deus, sob a iluminação do Espírito. Alexander R. Vinet (1797-1847) definiu bem a pregação, ao dizer ser ela “a explicação da Palavra de Deus, a exposição das verdades cristãs, e a aplicação dessas verdades ao nosso rebanho.” [23] Sem a Palavra, o púlpito torna-se um lugar que no máximo serve como terapia para aliviar as tensões de um auditório cansado e ansioso em busca de alívio para as suas necessidades mais imediatamente percebidas. Ele pode conseguir o alívio do sintoma, mas não a cura para as suas reais necessidades.

Uma outra verdade que precisa ser ressaltada, é que apesar de muitos de nós não sermos “grandes” pregadores [24] ou existirem pregadores infiéis, Deus fala: A Palavra de Deus é mais poderosa do que a nossa incompetência ou a infidelidade de outros. Por isso, há a responsabilidade de ambos os lados: Quem prega, pregue a Palavra; quem ouve, ouça com discernimento a Palavra do Espírito de Deus. Recentemente li Chapell dizendo: “Os esforços pessoais dos maiores pregadores são ainda demasiado fracos e manchados pelo pecado para serem responsáveis pelo destino eterno das pessoas. Por essa razão Deus infunde sua Palavra com poder espiritual. A eficácia da mensagem, mais que qualquer virtude do mensageiro, transforma corações.” [25] À frente: “A glória da pregação é que Deus realiza sua vontade por intermédio dela, mas somos sempre humilhados e ocasionalmente confortados com o conhecimento de que Ele age além das nossas limitações humanas.” [26] Ainda: “Pode ser que você jamais ouça elogios do mundo, ou seja pastor de uma igreja com milhares de membros, mas uma vida de piedade associada a uma clara explanação da graça salvadora e santificadora da Escritura garantem o poder do Espírito para a glória de Deus.” [27]

Devemos ter sempre em mente que a pregação foi o meio deliberadamente escolhido por Deus para transformar pessoas e edificar o Seu povo, preservando a sã doutrina através da Igreja que é o baluarte da verdade. [28]


Conclusão:

A pregação é uma tarefa de ínterim; ela ocorre num locus temporal: entre a realidade histórica do Cristo encarnado e a volta do Cristo glorificado e, é nesta condição que ela se realiza e se desenvolve. [29] A Igreja prega a Palavra cumprindo assim o seu ministério ordenado pelo próprio Deus; para tanto ela se prepara da melhor forma possível, usando de todos os recursos disponíveis que se harmonizem com os princípios bíblicos, recorrendo de modo indispensável ao auxílio do Espírito na concretização de sua missão.




NOTAS:

[1] - Vejam-se: Segunda Confissão Helvética, XXIII, § 5.220; Confissão de Westminster, 21.5; João Calvino, As Institutas, IV.1.5.

[2] - John Piper, O Lugar da Pregação na Adoração: In: Fé para Hoje, São José dos Campos, SP., Fiel, nº 11, 2001, p. 20. “O sermão tem um lugar central no culto reformado.” [Walter L. Liefeld, Exposição do Novo Testamento: do texto ao sermão, São Paulo, Vida Nova, 1985, p. 22].

[3] - Walter L. Liefeld, Exposição do Novo Testamento: do texto ao sermão, São Paulo, Vida Nova, 1985, p. 22.

[4] - Vd. J. Calvino, As Institutas, I.9.3.

[5] - Vd. D. Martyn Lloyd-Jones, Do Temor à Fé, Miami, Vida, 1985, p. 46-47.

[6] - João Calvino, As Pastorais, (1Tm 3.15), p. 97. Ver também: João Calvino, As Pastorais, (1Tm 3.15), p. 97-98; (Tt 1.9); p. 313; João Calvino, Efésios, São Paulo, Paracletos, 1998, (Ef 4.12), p. 124-125; As Institutas, IV.1.5; IV.3.11; David M. Lloyd-Jones, A Unidade Cristã, São Paulo, PES., 1994, p. 167.

[7] - João Calvino, As Pastorais, (Tt 1.11), p. 316.

[8] - J. Calvino, As Pastorais, (Tt 1.11), p. 317. [voltar]

[9] - João Calvino, Gálatas, São Paulo, Paracletos, 1998, (Gl 5.9), p. 158-159. [voltar]

[10] - Calvin to Cranmer, Letter 18. In: John Calvin Collection, The AGES Digital Library, 1998. Do mesmo modo, Letters of John Calvin, Selected from the Bonnet Edition, Carlisle, Pennsylvania, The Banner of Truth Trust, 1980, p. 141-142. [voltar]

[11] - João Calvino, As Pastorais, (1Tm 6.3), p. 164. [voltar]

[12] - Cf. G. Archer Jr. Merece Confiança o Antigo Testamento, São Paulo, Vida Nova, 1974, p. 358-359. [voltar]

[13] - Ver: J.A. Motyer, O Dia do Leão: A Mensagem de Amós, São Paulo, ABU Editora, 1984, p. 100-101. [voltar]

[14] - Sicômoros, “ou figueiras bravas, uma árvore donde se extraía um tipo de seiva, ao serem feitas incisões na época certa, quando então essa seiva formaria um tipo de bola endurecida que os pobres compravam como frutas.” (G. Archer Jr. Merece Confiança o Antigo Testamento, p. 358). [voltar]

[15] - J.A. Motyer, O Dia do Leão: A Mensagem de Amós, p. 100. [voltar]

[16] - Charles H. Spurgeon, Lições aos Meus Alunos, São Paulo, PES., 1982, Vol. 2, p. 64. [voltar]

[17] - Marvin R. Vincent, Word Studies in the New Testament, Peabody, MA., Hendrickson Publishers, [s.d.], Vol. 4, (2Tm 4.3), p. 321. [voltar]

[18] - Iain Murray, A Igreja: Crescimento e Sucesso: In: Fé para Hoje, São José dos Campos, SP., Fiel, nº 6, 2000, p. 27. [voltar]

[19] - John F. MacArthur Jr., Com Vergonha do Evangelho, São José dos Campos, SP., Fiel, 1997, p. 35. Packer, faz uma pergunta inquietante: “Costumamos lamentar, hoje em dia, que os ministros não sabem pregar; mas não é igualmente verdadeiro que nossas congregações não sabem ouvir.” (J.I. Packer, Entre os Gigantes de Deus: Uma visão puritana da vida cristã, São José dos Campos, SP., FIEL, 1996, p. 275). [voltar]

[20] - John F. MacArthur Jr., Com Vergonha do Evangelho, p. 29. [voltar]

[21] - John F. MacArthur Jr., Com Vergonha do Evangelho, p. 30. [voltar]

[22] - Bryan Chapell, Pregação Cristocêntrica, São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2002, p. 22. [voltar]

[23] - A.R. Vinet, Pastoral Theology: or, The Theory of the Evangelical Ministry, 2ª ed. New York, Ivison, Blakeman, Taylor & Co. 1874, p. 189. [voltar]

[24] - É-nos alentadora a observação de Spurgeon: “O pregador do evangelho pode não ser um bom pregador. Mas o Senhor fala aos pecadores mesmo por meio de pregadores incultos.” (C.H. Spurgeon, Sermões Sobre a Salvação, São Paulo, Publicações Evangélicas Selecionadas, 1992, p. 46). Do mesmo modo, Chapell: “Grandes dons não o tornam grande pregador. A excelência técnica da mensagem pode repousar nas suas habilidades, mas a eficácia espiritual da sua mensagem reside em Deus.” (Bryan Chapell, Pregação Cristocêntrica, p. 25).

[25] - Bryan Chapell, Pregação Cristocêntrica, p. 18. À frente continua: “Pregação que é fiel à Escritura converte, convence e amolda o espírito de homens e mulheres, pois ela apresenta o instrumento da compulsão divina, e não que pregadores tenham em si mesmos qualquer poder transformador.” (Bryan Chapell, Pregação Cristocêntrica, p. 19).

[26] - Bryan Chapell, Pregação Cristocêntrica, p. 25.

[27] - Bryan Chapell, Pregação Cristocêntrica, p. 33.

[28] - MacArthur acentua com veemência em lugares diferentes: “.... Não ousemos menosprezar o principal instrumento de evangelismo: a proclamação direta e cristocêntrica da genuína Palavra de Deus. Aqueles que trocam a Palavra por entretenimento ou artifícios descobrirão que não possuem um meio eficaz de alcançar as pessoas com a verdade de Cristo.” (John F. MacArthur Jr., Com Vergonha do Evangelho, p. 117-118). “Os que desejam colocar a dramatização, a música e outros meios mais sutis no lugar da pregação deveriam levar em conta o seguinte: Deus, intencionalmente, escolheu uma mensagem e uma metodologia que a sabedoria deste mundo considera como loucura. O termo grego traduzido por ‘loucura' [1Co 1.21] é mõria, de onde o idioma inglês tira a sua palavra moronic (imbecil). O instrumento que Deus utiliza para realizar a salvação é, literalmente, imbecil aos olhos da sabedoria humana. Mas é a única estratégia de Deus para proclamar a mensagem.” (Ibidem., p. 130).

[29] - Anthony A. Hoekema, observou que: “O período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo é a era missionária por excelência. Este é o tempo da graça, um tempo em que Deus convida e insta com todos os homens para serem salvos.” (A.A. Hoekema, A Bíblia e o Futuro, São Paulo, Casa Editora Presbiteriana, 1989, p. 187).




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sexta-feira, 26 de março de 2010

ACHEGAI-VOS A DEUS, E ELE SE CHEGARÁ A VÓS

CHEGUE-SE A DEUS!

TEXTO: Tiago 4.8, 9
Introdução: Sabemos que o ser humano foi criado para viver na presença de Deus, porém um dia o pecado fez com que o homem se separasse eternamente do seu criador, conforme lemos no capitulo 3 de Gêneses. Isaias diz que os nossos pecados faz separação entre nós e o nosso Deus: “Mas as vossas iniqüidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus: e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça”, Is 59.2. Podemos ver através deste texto que deve existir um desejo ardente por estar na presença do Senhor. Deixem-me contar uma breve ilustração do que Tiago quer nos dizer com as suas palavras:
“Um jovem pastor, antes de ser empossado no pastorado de uma igreja do Estado de Oklahoma, nos Estados Unidos, foi prevenido de que a igreja estava morta. Ele fez o possível para despertar os crentes, sem grandes resultados. Finalmente comunicou que no domingo seguinte, todos estavam convidados para assistir ao enterro da igreja morta. A curiosidade fez com que todos os membros fossem ao templo. O pastor proferiu breve palestra fúnebre e depois convidou a todos para se acercarem ao caixão, colocado em frente ao púlpito: iriam contemplar o cadáver. Todos vieram, um por um, mas quando se abaixavam para ver o “cadáver” viam o próprio rosto refletido num grande espelho que o pastor mandara colocar no fundo do caixão... Dizem que a lição objetiva deu certo”.
Irmãos, é um tanto verdade que a nossa igreja se encontra nesta mesma situação. Que lição preciosa aqueles irmãos tiveram! Pois foram impactados pelos seus pecados. Achavam que iam ver uma pessoa morta, porem contemplaram o seu próprio rosto no espelho. Deus sempre se achegou ao ser humano, porem o homem sempre fugiu da presença de Deus, podemos dar Três exemplos de pessoas que fugiram e se esconderam da face do Senhor:

• Adão e Eva - E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me, Gn 3.9,10.

• Caim – “Onde está Abel, teu irmão?”, Gn 3.9.

• Jonas – “E Jonas se levantou para fugir de diante da face do Senhor...”, Jonas 1.3

Nisto Tudo Tiago diz: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará”, Tg 4.8,9. É importante a nós buscarmos ao Senhor, porém se deixarmos de buscá-lo ele nos deixará, foi essa verdade que foi dita ao rei Asa, em 2 Cr 15.2: “O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele, e, se o buscardes, o achareis; porém, se o deixardes, vos deixará”. Quero lhes falar nesta noite de três necessidades que temos:

I. HÁ UMA NECESSIDADE DE NOS ACHEGAR-MOS A DEUS
II. SE NOS ACHEGARMOS AO SENHOR, ELE SE CHEGARÁ A NÓS
III. DEVEMOS NOS HUMILHAR DIANTE DO SENHOR


I. HÁ UMA NECESSIDADE DE NOS ACHEGAR-MOS A DEUS

Vivemos tão ocupados em nosso dia a dia, trabalhamos, estudamos, nos divertimos e isso não é ruim, pois precisamos de trabalho, estudo e diversão, porém devemos ter cuidado pra não colocarmos essas necessidades acima de Deus. Sabemos que a sociedade de então nos obriga a acompanharmos a tecnologia e também a nos aperfeiçoarmos para o mercado de trabalho. Hoje até pra ser gari, tem que se ter algum conhecimento, pois o mercado de trabalho é concorrido e quem não acompanha essa odisséia moderna estará fora dos padrões exigidos pela sociedade.
Em meio a tudo isso, podemos ver que as pessoas tem se esquecido de Deus. Muitas vezes estamos assistindo a um culto, mas o nosso pensamento é no celular que vai tocar para resolver problemas profissionais e até mesmo família. O Salmo 37.4 nos ensina a descansar no Senhor, pois Ele nos dará aquilo que precisamos para a nossa vida: “Deleita-te, também, no Senhor, e Ele te concederá o que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará”. Como o ser humano tem colocados desculpas para não entregar a sua vida ao Senhor. Como crentes tem se distanciado de Deus. Temos colocado obstáculos, empecilhos e barreiras para nos dedicarmos ao Senhor. Quando dizemos: “Estou cansado, não posso ir a igreja”, A Palavra diz: “Deleita-te, também, no Senhor”; quando dizemos: “Meu coração anseia por uma bênção, mais eu ainda não consegui”, A Palavra diz: “Ele te concederá o que deseja o teu coração”, e quando dizemos: “Estou fraco nos caminhos do Senhor, nada pra mim da certo” a Palavra diz: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará”.
Quando estamos distantes do Senhor e da sua obra, somos atacados por três inimigos mortais da alma: O mundo, a carne e o diabo. Esses três são unidos para distanciar pessoas dos caminhos do Senhor, o que infelizmente tem conseguido, pois muitos tem deixado o primeiro amor por uma falsa imagem de cristianismo utópico (fantasia).
Quando deixamos de nos achegar diante do Senhor, somos obrigados a viver uma vida dez, ou seja desregrada, descompromissada, desatenta...; não temos a mínima vontade de ouvir a voz do Senhor, queremos ouvir algo que satisfaça o nosso ego, ligamos a TV, mas o pregador só fala de pecado condenação, abrimos a Bíblia, porém a Palavra só fala de compromisso com Deus, com a sua igreja e com o nosso próximo; vamos de igreja e igreja pra ver se encontro uma igreja menos problemática, mais animada, onde eu me sinta bem. Tudo isso, irmãos, é a imagem de um cristianismo falido e vazio.
Por isso podemos ver que há muita necessidade de nos achegarmos a Deus, para ouvir a sua voz nos consolando, confortando e repreendendo, pois quando Ele no repreende, nos dá evidencias do seu amor para conosco, Ele nos fala em sua Palavra: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso, e arrepende-te”, Ap 3.19.

II. SE NOS ACHEGARMOS AO SENHOR, ELE SE CHEGARÁ A NÓS

Sabemos que há uma barreira enorme entre Deus e o pecado, pois sabemos que os nossos pecados faz separação entre nós e o nosso Deus. O texto nos mostra que se nos achegarmos a Deus Ele se chegará a nós. Isso nos mostra o quanto estamos distantes do nosso Deus. Quando estamos distantes do senhor nada em nossa vida dar certo:

• No Trabelho,
• Na família,
• Na escola ou faculdade,
• Na vizinhança...

A vida se torna um caos total, e sabe por quê? Porque estamos distantes do senhor, vivemos pra nós mesmo. Há pessoas que criam uma redoma em sua vida impedindo assim o acesso de outras pessoas e até mesmo de Deus. O Senhor Deus nos diz em sua Palavra que: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”, 2 Cr 7.14. Notamos que há algumas condições para sermos abençoados por Deus

1. Se humilhar na presença de Deus;
2. Orar;
3. Buscar a sua face e;
4. Se converter dos Nossos maus caminhos

O que ganharemos se seguirmos o conselho do Senhor?

1. Ele ouvirá as nossas orações dos céus;
2. Perdoará os nossos pecados e;
3. Sarará a nossa terra.

É dessa maneira que Deus se chegará a nós, se nos achegarmos a Ele: Ouvindo o nosso clamor, Perdoando os nossos pecados e nos dando salvação.
Quanto tempo faz que você ora e nada acontece? Quanto tempo faz que você desanimou de andar nos caminhos do Senhor? Ou até mesmo falta de vontade de vir a igreja. Será que você não está se afastando do Senhor. Lembre-se da Palavra que diz: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós”. O contrário, o que será? Se nos afastarmos de Deus Ele se afastará de nós.


III. DEVEMOS NOS HUMILHAR DIANTE DO SENHOR

Como devemos na verdade nos chegar diante de Deus? Com corações impuros? Questionativos? Exigentes? Como? Tiago nos dá uma dica: “Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará”.
Tiago nos convida a revermos os nossos princípios cristãos, quando ele nos lembra que somos pecadores e que se não tivermos cuidado perderemos a atenção de Deus nas nossas vidas e em nossos caminhos. Tiago convoca aqueles que são de Deus a um arrependimento sincero pelo qual lamentamos nossos pecados. Quem não tem Deus, não está interessado em arrependimento de pecados, porem aqueles que servem ao Senhor busca arrependimento, pois sabem que são fracos e precisam do Senhor para animá-los na caminhada da fé.
O segredo para o sucesso espiritual é o humilhar-se diante do Senhor. O povo de Deus durante eras, deu provas de que uma vida de humildade e obediência, tem como troféu as bênçãos de Deus. Tanto Tiago como Pedro nos diz que se nos humilharmos diante do Senhor seremos exaltados, Pedro diz: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte”, Pedro 5.6. Por que devemos ser humildes? Jesus disse que: “Bem aventurados o humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”, Mt 5.3. A resposta é do Senhor Jesus Cristo, que nos diz que se formos humildes, herdaremos o reino de Deus. Irmãos, “O Senhor eleva os humildes e abate os ímpios até à terra”, Sl 147.6. Por isso é importante nos achegarmos a Deus com humildade, pois Ele se agrada dos humildes.
Não adianta termos uma teologia ultra reformada, ou até mesmo um puritanismo hipócrita se não temos uma vida consagrada e humilde diante do Senhor. Muitas vezes, ao invés de nos aproximarmos de Deus nos afastamos dEle, e quando nos afastamos do Senhor Ele se afasta de nós, é isso que Tiago está dizendo: “Achegai-vos a Deus e ele se chegará a vós”. Esse achegar-se diante do Senhor não é de qualquer jeito, mas com humildade verdadeira, Com os corações purificados, pois Deus não se agrada de impureza, de pecado. Tiago ainda diz que devemos sentir nossas misérias, e o que é sentir as nossas misérias? É um reconhecimento sincero de que somos pecadores e dependemos do Senhor, precisamos dEle para sarar as feridas que o pecado tem deixado em nossa alma. Quando reconhecemos as nossas misérias, somos levados a um sentimento de pesar diante do Senhor, onde muitos chegam a chorar, por que tem desagradado com os seus pecados ao Senhor, e quando pranteamos por causa dos nossos pecados, o nosso riso altivo e soberbo cai por terra. Como Tiago nos fala: “converta-se o vosso riso em pranto”; Onde a nossa alegria pecaminosa se torna em tristeza.
Quando temos este sentimento em nosso coração, então estamos verdadeiramente nos humilhando diante do Senhor; é quando sentimos o Senhor nos exaltando, nos dando vigor; colocando em nossas mentes que somos vitoriosos; Onde as nossas ansiedades são na verdade lançadas no Senhor Jesus. Precisamos nos chegarmos ao Senhor e nos humilhar diante dEle. Quando fizermos isso, experimentaremos um verdadeiro avivamento espiritual.

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Rev. Davi Nascimento

quinta-feira, 18 de março de 2010

A Palavra de Deus e a Ciência


A PALAVRA DE DEUS E A CIÊNCIA
Por
James H. Olthuis



1. O problema da relação da Bíblia com a ciência é de fundamental importância para qualquer grupo de cristãos envolvido no trabalho teórico. Ao mesmo tempo, esta formulação costumeira da questão, a relação da Bíblia com a ciência, é inadequada e requer desenvolvimento. O real ponto em jogo é a relação da Palavra de Deus com a ciência, e não meramente, como amiúde se sugere, a relação da Palavra Escrita com a ciência.
Somente quando fica claro a respeito de como devemos conceber a Palavra de Deus, incluindo as Escrituras, é possível prosseguir e refletir sobre a relação Bíblia e ciência. Por essa razão, e visto que está se tornando cada vez mais nítido que não há consenso algum com respeito à natureza da Palavra, para não dizer que em geral a maioria dos cristãos apega-se a ponto de vista sobre a Palavra que em si mesmo a minimiza, esta monografia tratará de forma ampla dessa matéria cardeal. Na conclusão, a significância do que está dito sobre a Palavra para a ciência será resumido.

2. Confessando que as Escrituras são proveitosas para a instrução, voltamo-nos para elas a fim de sermos instruídos quanto à natureza da Palavra de Deus. Nesse ponto inicial somente podemos apelar às Escrituras. Não podemos apelar à Razão de uma forma racionalística ou neo-racionalística, nem à consciência religiosa à la Schleiermacher, tampouco aos resultados do método crítico-histórico em suas formas dos séculos XIX ou XX.

3. Nosso apelo às Escrituras toma a forma de confissão. Confessamos que é nas Escrituras que chegamos para conhecer a Cristo. Cremos em Cristo conforme as Escrituras. Em fé nos curvamos diante das Escrituras como a Palavra de Deus. Que não podemos ir aquém ou além das Escrituras para testar a autoridade delas como a Palavra de Deus não é problema a se reconhecer. Se houvesse uma autoridade mais alta pela qual corroborar as Escrituras, essas não seriam a Palavra ou o Cânon para a nova criação. No princípio da ação humana, incluindo os esforços científicos, um homem deve confessar em que ele coloca sua confiança primeira e final, deve ele escolher se viverá pela Palavra ou por alguma pseudo-palavra.

4. Ao se estudar as Escrituras com o fito de receber os primeiros princípios a partir dos quais alguém pode formular uma doutrina da Palavra, fica chocantemente claro que a comunidade cristã tem sido e ainda é empestada por uma trágica redução da Palavra de Deus. Hoje os ‘liberais’ estão preocupados em defender que apenas Cristo é a Palavra – se é que estão mesmo desejosos de admitir isso – e os ‘conservadores’ lutam para defender o fato de que tanto as Escrituras quanto Cristo são a Palavra. [1]
Entrementes, as Escrituras são enfáticas em sua oposição tanto aos liberais quanto aos conservadores, pois “pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca. … Porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu. ” (Sl 33.6-9). Além disso, o salmista atesta que Ele é “o que envia o seu mandamento à terra; a sua palavra corre velozmente. O que dá a neve como lã; esparge a geada como cinza; o que lança o seu gelo em pedaços; quem pode resistir ao seu frio? Manda a sua palavra, e os faz derreter; faz soprar o vento, e correm as águas. Mostra a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e os seus juízos a Israel” (Sl 147.15-19). “Fogo e saraiva, neve e vapores, e vento tempestuoso que executa a sua palavra” (Sl 148.8).
E as palavras de Pedro são pertinentes: “Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água …. Mas … pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo ….” (2 Pe 3.5-7; cf. Hb 11.3; Sl 119.89-96).
As Escrituras exigem que em nossa reflexão levemos em conta o fato de que o mundo foi criado pela Palavra de Deus. “E Deus disse, haja … e houve”. Qualquer discussão sobre a Palavra não pode ficar limitada às Escrituras ou mesmo a Cristo. Deus falou e o mundo foi formado. Nada existe em si mesmo ou por si mesmo. Todas as coisas foram criadas por Deus através da Palavra, e todas as coisas são reconciliadas por Deus através da Palavra. Todas as coisas são sustentadas pela “palavra do seu poder” (Hb 1.3). Deus pôs sua Palavra no mundo e chamou à existência a criação e a mesma Palavra o sustenta no lugar até o presente em Jesus Cristo, em quem todas as coisas mantêm-se coesas (cf. Gn 1, Jó 38, Jo 1, Ef 1, Cl 1). A única continuidade entre Deus e sua criação é a Palavra. Sem essa Palavra, o mundo simplesmente se extinguiria. E o Espírito do Senhor conduz e move a criação, segundo a direção da Palavra, para o escathon em que Deus será tudo-em-todos.

4. Quando os liberais e igualmente os conservadores, inclusive homens de ciência, ignoram esse explícito testemunho das Escrituras, emasculam sua confissão de que Cristo e as Escrituras são a Palavra. Pois, sem a concepção bíblica de que a Palavra de Deus estrutura e dirige a criação, é impossível compreender o sentido e propósito da Palavra Escrita como o meio pelo qual, depois da Queda, a humanidade pode novamente ver seu lugar e função no mundo. Ademais, sem a concepção bíblica da Palavra como a Lei-Palavra para a criação, é impossível fazer justiça à Palavra Encarnada como Aquele em quem todas as coisas existem e se mantêm coesas (cf. Ef 1 e Cl 1). Isolando a Cristo daquela Lei-Palavra não se pode começar a entender apropriadamente a confissão de João 1, de que todas as coisas foram feitas por intermédio da Palavra e que sem Ele nada se fez. Não se pode captar o sentido de Hebreus 1 de que o Filho de Deus sustenta o universo por Sua Palavra de poder.
A Igreja Cristã tem que recuperar a plenitude e unidade da Palavra de Deus. A Palavra de Deus é una. Porém, desde a queda do homem, tal Palavra também nos vem nas formas Inscriturada e Encarnada. Quando a raça humana caiu em Adão, ela não mais ouviu nem compreendeu a Palavra. Para tornar outra vez possível ao homem ouvir e realizar a Palavra e assim viver, Deus deu as Escrituras para iluminar o homem quanto ao seu lugar, sua natureza e sua função. Finalmente, “falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hb 1.1). A palavra, em sua unidade e em suas formas, é o Poder de Deus para a vida. Essa Palavra “é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes” (Hb 4.12).
Porquanto a Palavra é una, é tão ilegítimo jogar suas formas uma contra a outra (e.g., ‘você vai pela Lei-Palavra ou pelas Escrituras?’) quanto negar que todas as formas são a Palavra. Para obedecer à Palavra de Deus Escrita é preciso confessar que a Palavra não se exaure nas Escrituras. A Palavra de Deus é toda palavra que procede da boca dele. E, posto que o Senhor é fiel e Suas palavras fidedignas, as palavras de Deus constituem a Palavra una.

5. O mistério das Escrituras e de Cristo e, simultaneamente, nosso gozo e salvação, é o fato de que nas Escrituras e em Cristo a Palavra de Deus assume a forma de realidade criatural que está sujeita à Palavra. Dessa maneira, as Escrituras e Cristo são completamente humanos (criaturais) e, ao mesmo tempo, completamente a Palavra (divinos). Dessa maneira, as Escrituras e Cristo são “maçanetas” pelas quais uma criação caída pode de novo ver e obedecer à Palavra. A Palavra tornou-se carne; foi Inscriturada e Encarnada para nossa salvação.
As Escrituras republicam a Palavra na forma criatural de confissão. Enquanto livro de confissão as Escrituras revelam a Palavra como Norma para confissão. Dito em outras palavras: as Escrituras nos instam a render nossas vidas ao Senhor e coloca diante de nós a Orientação para a obediência. Elas desvendam para a humanidade a visão do Reino de Cristo e a necessidade de confessar seu nome para viver em tal Reino. As Escrituras traçam as linhas principais de uma visão confessional a qual deve guiar nossas atividades no dia-a-dia. Elas nos relatam quem somos (servos de Deus), onde estamos (em uma criação no domínio de Sua Palavra), onde estamos andando (em Cristo, para a perfeição final do Reino já amanhecente) e qual a nossa função (a de jardineiros obedientes, agentes da reconciliação). Desse modo as Escrituras, por meio de Cristo, põe-nos de volta no lugar de sorte que podemos outra vez ouvir, ver e conhecer corretamente a Palavra de Deus sustentando a criação. Com a atenção presa por essa visão do Reino e de nossa função nele, com temor e tremor a humanidade deve começar a desenvolver o sentido dessa salvação no todo de suas atividades, e ainda na ciência.

6. A Palavra de Deus ou Lei-Palavra é, em sua unidade, uma diversidade coerente. Muitas palavras do Senhor, muitos “hajas” compõem a Palavra una. E o homem deve viver de cada palavra que procede da boca de Deus, não somente pela palavra para pão. A Palavra, em sua diversidade como estruturas lei-ordem, dirige e preserva a criação. A lei-ordem é a estrutura-para as estruturas-da criação.
É importante atentar a esse uso dual da estrutura. Usualmente, quando alguém fala de estruturas, faz referência à composição das totalidades concretas. Referir-me-ei a semelhantes estruturas pertencentes à realidade e assim sujeitas à lei como estruturas-de (structures-of). Elas são estruturas de sentido. Ao mesmo tempo, são as estruturas-para (structures-for) que delimitam e tornam possíveis as estruturas-de. É o sentido dessas estruturas-para que é comumente negligenciado ou confundido ou identificado com as estruturas-de. Porém, é justamente a estrutura-para que é a Palavra de Deus. A estrutura-para é a lei condicionante fundamental que primeiramente torna possível a existência das coisas, eventos, estruturas societárias etc. Trata-se do arcabouço estruturador fora do qual nada existe ou pode existir.

7. O texto precedente deixa claro que a realidade nunca é somente “lá fora”, para ser racionalmente apreendida. A realidade é sempre a revelação progressiva da Palavra de Deus ou, desde a Queda, a revelação da Mentira do Diabo. Na mesma proporção em que a revelação da Palavra é significativa, também na mesma proporção a revelação da Mentira é destituída de significado.
Em consequência, a ciência não é a investigação racional nem o domínio de uma realidade racionalmente qualificada, nem é ela o estabelecimento de modelos com a finalidade de introduzir alguma ordem no caos da realidade. Mais exatamente, o trabalho científico é basicamente uma resposta à Palavra de Deus, no qual se fazem esforços para delimitar as estruturas-para as várias áreas da criação.
Teorização ou ciência é o tipo de atividade humana concreta caracterizada pela abstração lógica. A teoria envolve abstração da totalidade da realidade para um aspecto(s) ou segmento(s) dela, do particular para o geral. A teoria tem por propósito a delimitação das lei-estruturas para as áreas de interesse. Por exemplo, um botânico, enquanto botânico, está interessado no aspecto orgânico das árvores, não nas árvores como objetos de culto, como economicamente valiosas ou esteticamente agradáveis. Ele não está interessado nessa ou naquela árvore em particular, mas nas árvores em geral. Têm a intenção de descobrir as lei-estruturas orgânicas que as mantêm.

8. Só se descobre as estruturas-para (lei) em sua via teorizante, através das e nas estruturas-de (factualidade sujeita à lei). Adquire-se discernimento (insight) sobre as estruturas-para mediante observação das regularidades e lei-conformidades dadas na experimentação das estruturas-de. As leis estruturais mantêm a criação; elas nunca estão perto suscetíveis de serem captadas. Mais precisamente, são elas as próprias condições do que está perto e que pode ser captado. Tudo isso quer dizer que alguém, em seu interesse pela estrutura-para não está abandonando a realidade (metafisicamente), como frequentemente se dá a entender, em prol das regiões etéreas dalém. Ao mesmo tempo, ele não fica empiristicamente trancado na factualidade. Antes, esse alguém vai ao trabalho investigando empiricamente a experiência a fim de, através das regularidades observadas, obter mais claro discernimento (insight) sobre a ordem mantenedora da realidade.
Deve-se bem notar que não se trata de o homem poder delimitar com segurança as apriorísticas estruturas-para partindo da experiência dele com as factuais estruturas-de. Entretanto, mesmo que nossas descrições científicas das estruturas-para sejam falíveis e estejam sempre abertas à correção, isso não afeta sequer minimamente a força-obtentora de tais leis. As estruturas-para não são dependentes do conhecimento humano para a sua constituição. Nossas descrições jamais podem ser identificadas com ou igualadas às estruturas-para. Paralelamente, é o dever da ciência trabalhar sempre com mais afinco para aumentar nosso discernimento dessas estruturas-para.
O conhecimento científico, uma vez reunido, pode, sempre que traduzido e integrado às situações da vida, ajudar a humanidade com a maior eficácia e obediência para ordenar a vida dessa perante a face do Senhor.

9. Como alguém responde às diversas palavras do Senhor em sua teorização depende, em última análise, de sua resposta de coração à Palavra em sua unidade. Somente quando se rende de todo coração à Palavra fica aquele capaz (em princípio) de ver as várias palavras em sua perspectiva, inter-relação e unidade próprias. Fora de Cristo se eleva uma dimensão e se perpetra distorção fazendo-se de conta que se trata da Palavra em sua unidade. (Isso não é negar que muito trabalho valioso pode ser feito e é feito por cientistas não-cristãos. Afinal de contas, eles também estão trabalhando dentro da criação formada e delimitada pela Palavra. Mas, havendo rejeitado a chave do conhecimento, eles nunca compreenderão o sentido da realidade, ainda que descubram muitas coisas. Os cientistas modernos, fora de Cristo, são como os fariseus, que conheciam tudo e, ao mesmo tempo, nada das Escrituras.)
Desde a Queda, somente em rendição a Jesus Cristo é que se consegue conhecer a Palavra. E, visto que Cristo é conhecido por via das Escrituras, e visto que a Palavra para a criação é conhecida em sua acepção nuclear central por meio das lentes delas, a Bíblia é indispensável para a ciência.
Concomitantemente, posto que as Escrituras são uma republicação da Palavra em forma confessional e não uma republicação em forma teórica, de modo algum elas são livros-textos científicos. Aos cientistas, impelidos esses pelos motivos escriturísticos, ordena-se investigar as realidades da criação e, assim, delinear as estruturas-para aquelas realidades.

10. Talvez seja útil por um momento comparar tal abordagem com a mais costumeira. Se simplesmente perguntarmos sobre a relação da Bíblia com a ciência, cria-se a impressão de que a atividade científica é uma atividade em si mesma e aí em seguida, por sermos cristãos, surge a questão a respeito da relação de nosso trabalho científico com as Escrituras. Com essa postura fica difícil, se não impossível, evitar conceber a relação como uma questão da relação entre natureza (ciência) e graça (Escrituras). Mesmo o discurso sobre encontrar a conexão intrínseca pode ser mal-compreendida. Ela deixa aberta a possibilidade de que a ciência enquanto ciência pode se ocupar com suas coisas sem preocupação com a Palavra.
O tema deste breve ensaio é que a atividade científica em si própria, seja conduzida em sujeição ou em rejeição a Cristo, só é uma possibilidade devido à Palavra de Deus.

11. Toda ciência está íntima, integral e inextricavelmente atada à Palavra de Deus. Toda teorização é uma resposta à Palavra. Toda ciência é uma ciência de uma dimensão ou lado da Palavra. Nesse sentido, a teologia não tem nenhum status especial; entrementes, podemos chamar toda ciência de sagrada.
Havendo crido em Cristo consoante as Escrituras, nossos olhos são mais uma vez abertos para ver e conhecer sobre como a Palavra domina e dirige a criação. Para os homens de ciência isso é de suma importância, conforme tentam trazer todo pensamento cativo a Jesus Cristo.

NOTA:

[1] – No prosseguimento da leitura, o leitor precisará ter em mente o fato de que, nas principais versões da Bíblia em inglês (que são as que o nosso autor leva em conta), no célebre trecho de Jo 1.1ss consta Jesus como sendo a “Palavra” (Word), não o “Verbo”, como nas edições portuguesas mais comuns, tanto evangélicas (Almeida) quanto católicas (Figueiredo). Isso porque essas traduções vernáculas, em grande medida, baseiam-se na Vulgata latina, que verte o termo grego Logos como Verbum. (N. do T.)

James H. Olthius, PhD (Free University, Amsterdam), B.D., (Calvin College), é docente de teologia filosófica no Institute for Christian Studies em Toronto, no Canáda. Sua erudição acadêmica também abarca as áreas de antropologia filosófica, hermenêutica, ética e psicoterapia.
Tradução: Vanderson Moura da Silva.
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FONTE: http://monergismo.com/?p=2295

quarta-feira, 10 de março de 2010

OS SOLAS DA REFORMA

DECLARAÇÃO DE CAMBRIDGE



SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade
Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.
Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.
A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.
A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.

Tese 1: Sola Scriptura

Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.
Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.


SOLUS CHRISTUS: A Erosão da Fé Centrada em Cristo

À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.

Tese 2: Solus Christus

Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.
Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.

SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho

A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.
A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.

Tese 3: Sola Gratia

Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.
Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.


SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial

A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.
Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.
Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.

Tese 4: Sola Fide

Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.
Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.

SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus

Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.
Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

Tese 5: Soli Deo Gloria

Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.
Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

Fonte: Declaração de Cambridge

sexta-feira, 5 de março de 2010

FERMATA 2010

FERMATA 2010, EDIFICAÇÃO DE PASTORES E LIDERES

A cidade de Afogados da Ingazeira teve origem em uma antiga fazenda de criação pertencente a Manuel Francisco da Silva. O desenvolvimento da cidade data de 1870, época em que a edificação de casas cresceu.
A origem do nome explica-se com a seguinte história: em tempos distantes, um casal de viajantes tentando atravessar o rio Pajeú, em época de enchente, foi levado pela correnteza e desapareceu. Somente dias depois os cadáveres foram encontrados. Como o município era distrito da cidade de Ingazeira e já existia uma comunidade, no Recife, chamada "Afogados", terminou incorporando o nome de Ingazeira ao seu nome. Daí o nome Afogados da Ingazeira.
Nos dias 1 a 3 de Março tivemos a oportunidade de participar de uma FERMATA, nesta linda cidade do sertão do Pajeú. A palavra FERMATA, tem o significado de "parada", "pausa", ou prolongamento de uma nota ou de uma pausa além do seu valor habitual. Pensando em como ajudar pastores e lidenças, no sentido de descanço e edificação o Pr. Edmund Spieker dos Santos, dando-lhes, assim uma oportunidade de dar uma "pausa" em seus trabalhos e ministérios para que também sejam revigorados e bem sucecidos em seus ministérios. Este programa existe um bom tempo e tem ajudado muitos ministros da igreja do Senhor. Nesta Fermata tivemos a oportunidade de conhecermos outros pastores de varias denominações, também louvamos ao Senhor e fomos edificados pelos estudos e ministrações. Na ocasião, esteve presente o Pr. John e sua esposa Melissa Miler. O pr. John, ministrou estudos como termos uma vida vitoriosa, resolução de conflitos e também estudo a vida conjugal do ministro; O pr. Edmund tabem trouxe reflexôes, estudos e ministrações da Palavra de Deus.
As mulheres tabém foram edificadas com estudos voltados para a vida conjugal das mulheres de ministros e lideranças. Houve grupos de orações e muito louvor. A baixo está algumas fotos dessa Fermata:

Pr. Davi e Elizama Nascimento


Grupo de Oração Reunido

Grupo de Oração

Hora do Almoço

Missionária Melissa Miller Louvando ao Senhor

Pr. John Miller Ministrando o Estudo da Palavra de Deus

Todos no Auditório estudando a Palavra

Pr. John ministrando Estudo e o Pr. Edmund traduzindo

Pr. Marcos Damasco declamando uma poesia

Pr. Edmund Spieker ma Palavra de Deus

Pr. Amir Pereira

Todos os que participaram da Fermata

Pr. Moabe e sua esposa, Pr. Davi H. e esposa e a ir. Juliana.

Pr. Neimar Batista e sua esposa junto ao Pr. edmund

Pr. Davi e sua esposa Elizama Nascimento

Liderança da Igreja Presbiteriana Fundamentalista junto ao Pr. Almir da IPB.

Pr. Davi Nascimento e o Pr. Edmund

Pr. davi e sua esposa Elizama Nascimento junto ao Pr. edmund

Hora de Voltar e transmitir o aprendizado
Somos Gratos a Deus pela vida da equipe da Fermata:
Pr. Edmund Spieker;
Pr. John e sua esposa Melissa Miller;
Pr. Pedro e sua esposa Ursula Spieker
E o pr. almir Pereira que tem reunido varias lideranças do Vale do Pajeú para participar desse evento maravilhoso.
Que o Senhor os abençoe ricamente!!!


























































sábado, 27 de fevereiro de 2010

A ORIGEM DO APELO FEITO APÓS OS SERMÕES


A ORIGEM DO APELO FEITO APÓS OS SERMÕES


Respondendo aos apelos Popularizado pelos encontros campais nas fronteiras e o “banco dos ansiosos” de Charles Finney, o chamado ao altar se tornou um gancho evangelístico das igrejas americanas.



O pastor encerra seu sermão: “O Espírito Santo convida você a vir. A congregação orando, esperando ansiosa, convida você a vir. Na primeira nota da primeira estrofe, desça as escadas, desça por estes corredores. Que os anjos possam acompanhá-lo. Que o Espírito Santo de Deus o encoraje. Que a presença de Jesus caminhe ao seu lado enquanto você vem, enquanto nós permanecemos em pé e enquanto cantamos”. E as pessoas realmente vêm. Semana após semana, em igrejas por toda a América – e outras partes do mundo – cenas como essa acontecem ao fim de milhares de sermões. A congregação fica em pé e canta “Assim como sou” ou “Venha como você está”. Os pecadores caminham pelos corredores e oram por salvação.
Este método evangelístico bem comum, conhecido como chamado ao altar ou convite público, não foi sempre assim. Evangelistas bem-sucedidos como George Whitefield, Jonathan Edwards e John Wesley nunca fizeram um chamado ao altar. De fato, eles nem sequer sabiam o que era isso. Eles convidavam seus ouvintes apaixonadamente para vir a Cristo pela fé e aconselhavam regularmente os pecadores ansiosos depois dos cultos. Mas não lhes pediam para dar uma resposta pública ou física após os apelos evangelísticos. Então, de onde vem a idéia do chamado ao altar? Quando começou?
Inicialmente, o chamado ao altar era usado como um meio eficiente de reunir pessoas espiritualmente interessadas em se juntarem para aconselhamento após um sermão. Em vez de procurar os penitentes um a um, o pregador os chama à frente, ou a outra sala, para conversar e orar. Alguns ministros anglo-americanos usaram estes chamados ao altar no fim da primeira década do século 18, mas apenas durante os encontros campais do segundo grande despertamento da América foi que eles realmente ganharam espaço.
Os encontros campais eram comuns nos Estados fronteiriços, como Kentucky e Tennessee, por volta do começo do século 19. Estas reuniões que duravam alguns dias eram um meio de os ministros (a maioria metodista, batista, presbiteriana e discípulos) introduzirem o evangelho aos colonos rurais. As primeiras reuniões campais foram feitas com pregações apaixonadas e respostas extremas. Centenas de ouvintes gritavam, gemiam, desmaiavam, contorciam-se e choravam desesperadamente. Os ministros geralmente viam estas respostas como evidência da obra do Espírito Santo.
Por volta de 1805, estes movimentos corporais espontâneos eram menos comuns. Os ministros usavam um “convite ao altar” como um meio visível de medir a resposta das pessoas às suas mensagens. Os “altares” eram áreas cercadas perto do lugar principal de pregação no campo onde os pregadores instigavam os pecadores a buscar a salvação. O pregador metodista Peter Cartwright descreveu um encontro campal em 1806: “O altar estava cheio de gente transbordando em lamentos”. Outro pregador metodista contou detalhadamente o momento em que “o cercado estava tão cheio de gente que as pessoas não tinham a possibilidade de fazer qualquer movimento lateral, mas estavam literalmente cambaleando em massa”. Os metodistas experimentaram um crescimento exponencial durante os primeiros 20 anos do século 19, em parte por causa de seus métodos evangelísticos, incluindo os encontros campais e os chamados ao altar.
Muitas pessoas consideram Charles Grandison Finney (1792-1875) o “pai” do chamado ao altar. Ordenado ministro presbiteriano em 1823, Finney começou a fazer os convites públicos muito tempo depois de os metodistas já terem feito desse método parte regular de seus encontros campais. Finney, entretanto, fez mais que qualquer outro para estabelecer os chamados como uma prática aceitável e popular no evangelismo americano. Ele normalmente chamava os pecadores ansiosos até a frente da congregação para se sentarem no “banco dos ansiosos”. Ali, eles recebiam oração e geralmente ouviam um sermão individual. O chamado ao altar também foi uma das famosas “novas medidas” de Finney. Ele estava convencido de que os ministros poderiam produzir avivamento usando os métodos corretos e que o chamado ao altar “era necessário para tirar [os pecadores] do meio da massa de ímpios para levá-los a uma renúncia pública de seus caminhos pecaminosos”.
Enquanto muitos abraçaram as “novas medidas” de Finney, outros estavam desconfiados da teologia que sustentava a prática. Finney acreditava que a morte de Cristo tinha tornado a salvação possível para todos. A depravação humana era “uma atitude voluntária da mente”, e não algo que tinha nascido conosco. A conversão, portanto, dependia da vontade humana ser persuadida a se arrepender e confiar em Cristo. De acordo com Finney, o chamado ao altar era uma ferramenta muito persuasiva para mudar a vontade humana. Ministros calvinistas, como Asahel Nettleton, rejeitaram a confiança que Finney tinha na capacidade humana e sua dependência no chamado ao altar. Eles acreditavam que o ser humano nasceu com uma natureza pecaminosa. Os pecadores eram incapazes de confiar em Cristo até que Deus mudasse seus corações. O historiador Iain Murray aponta que muitos oponentes ao chamado ao altar “alegavam que o chamado para uma ‘resposta’ pública confundia um ato externo com uma mudança espiritual interna”. Além disso, diz Murray, o chamado ao altar efetivamente “instituiu uma condição de salvação que nunca apontava para Cristo”. Os críticos argumentam que o evangelismo do chamado ao altar resultou em uma falsa segurança, já que uma grande parcela daqueles que iam à frente para “receber a Cristo” logo apostatavam.
A despeito das críticas, o chamado ao altar continua. Tornou-se um artefato permanente no evangelismo americano. Só é preciso assistir a alguns poucos minutos de uma cruzada de Billy Graham na televisão para reconhecer que aquilo que um dia foi uma “nova medida” se tornou uma tendência dominante. A voz distinta de Graham chama em alto som: ”Suba ali, desça aqui, eu quero que você venha. Se você estiver com parentes e amigos, eles vão esperar por você. Os ônibus vão esperar por você. Cristo percorreu todo o caminho da cruz porque Ele o amava. Certamente você pode dar alguns passos e dar sua vida a Ele”. Enquanto o local deixou de ser a remota Kentucky e se transferiu para os modernos estádios de futebol, e o meio de transporte evoluiu de carroças cobertas para ônibus fretados, o chamado ao altar resistiu. É caracterizado até hoje nas histórias de incontáveis cristãos que contam ter encontrado Cristo quando ficaram em pé, deram passos até a frente e chegaram ao altar, respondendo ao apelo.
Douglas A. Sweeney é professor universitário de História da Igreja e de História do Pensamento Cristão na Trinity Evangelical Divinity School. Mark C. Rogers é pós-graduando em Teologia Histórica na mesma instituição.
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Fonte: Cristianismo Hoje

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O motivo mais importante para o arrependimento




O motivo mais importante para o arrependimento
Charles Haddon Spurgeon
“Olharão para aquele a quem traspassaram” (Zacarias 12.10).






O quebrantamento santo que faz um homem lamentar o seu pecado surge de uma operação divina. O homem caído não pode renovar seu próprio coração. O diamante pode mudar seu próprio estado para tornar-se maleável, ou o granito amolecer a si mesmo, transformando-se em argila? Somente aquele que estendeu os céus e lançou os fundamentos da terra pode formar e reformar o espírito do homem. O poder de fazer que da rocha de nossa natureza fluam rios de arrependimento não está na própria rocha. O poder jaz no onipotente Espírito de Deus... Quando Deus lida com a mente do homem, por meio de suas operações secretas e misteriosas, Ele a enche com uma nova vida, percepção e emoção. “Deus... me fez desmaiar o coração” (Jó 23.16), disse Jó. E, no melhor sentido, isso é verdade. O Espírito Santo nos torna maleáveis e nos tornamos receptíveis às suas impressões sagradas... Agora, quero abordar o âmago e a essência de nosso assunto.
O enternecimento do coração e o lamento pelo pecado são produzidos por olharmos, pela fé, para o Filho de Deus traspassado. A verdadeira tristeza pelo pecado não acontece sem o Espírito de Deus. Mas o Espírito de Deus não realiza essa tristeza sem levar-nos a olhar para Jesus crucificado. Não há verdadeiro lamento pelo pecado enquanto não vemos a Cristo... Ó alma, quando você chega a contemplar Aquele para quem todos deveriam olhar, Aquele que foi traspassado, então seus olhos começam a lamentar aquilo pelo que todos deveriam chorar — o pecado que imolou o seu Salvador!
Não há arrependimento salvífico sem a contemplação da cruz... O arrependimento evangélico é o único arrependimento aceitável. E a essência desse arrependimento é olhar para Aquele que foi moído pelos pecados... Observe isto: quando o Espírito Santo realmente opera, Ele leva a alma a olhar para Cristo. Nunca uma pessoa recebeu o Espírito de Deus para a salvação, sem que tenha recebido dEle o olhar para Cristo e o lamentar por seus pecados.
A fé e o arrependimento são gerados e prosperam juntos. Ninguém deve separar o que Deus uniu! Ninguém pode arrepender-se do pecado sem crer em Jesus, nem crer em Jesus sem arrepender-se do pecado. Olhe, então, com amor para Aquele que derramou seu sangue, na cruz, por você. Por meio desse olhar, você obterá perdão e quebrantamento. Quão admirável é o fato de que todos os nossos males podem ser curados por um único remédio: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra” (Is 45.22). Contudo, ninguém olhará para Cristo sem que o Espírito de Deus o incline a fazer isso. Ele não conduz uma pessoa à salvação, se ela não se rende às suas influências e não volve seu olhar para Jesus...
O olhar que nos abençoa, produzindo quebrantamento de coração, é o olhar para Jesus como Aquele que foi traspassado. Quero me demorar nisso por um momento. Não é somente o olhar para Jesus como Deus que afeta o coração, mas também olhar para este mesmo Senhor e Deus como Aquele que foi crucificado por nós. Vemos o Senhor traspassado, e, em seguida, inicia-se o traspassamento de nosso coração. Quando o Espírito Santo nos revela Jesus, os nossos pecados também começam a ser expostos...
Venham, almas queridas, vamos juntos à cruz, por um pouco, e notemos quem era Aquele que recebeu a lançada do soldado romano. Olhe para o seu lado e observe aquela terrível ferida que atingiu seu coração e desencadeou um duplo fluxo de sangue. O centurião disse: “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27.54). Aquele que, por natureza, é Deus e governa sobre tudo, sem o Qual “nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3), tomou sobre Si mesmo nossa natureza e se tornou homem, como nós, mas não tinha qualquer mácula de pecado. E, vivendo em forma humana, foi obediente até à morte, morte de cruz. Foi Ele quem morreu! Ele, o único que possui a imortalidade, condescendeu em morrer! Ele, que era toda a glória e poder, sim, Ele morreu! Ele, que era toda a ternura e graça, sim, Ele morreu! Infinita bondade esteve pendurada na cruz! Beleza indescritível foi traspassada com uma lança! Essa tragédia excede todas as outras! Por mais perversa que tenha sido a ingratidão do homem em outros casos, a sua mais perversa ingratidão se expressou no caso de Jesus! Por mais horrível que tenha sido o ódio do homem contra a virtude, o seu ódio mais cruel foi manifestado contra Jesus! No caso de Jesus, o inferno superou todas as suas vilezas anteriores, clamando: “Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo” (Mt 21.38).
Deus habitou entre nós, e os homens não O aceitaram. Visto que o homem foi capaz de traspassar e matar o seu Deus, ele cometeu um pecado horrível. O homem matou o Senhor Jesus Cristo e O traspassou com uma lança! Nesse ato, o homem mostrou o que fariam com o próprio Eterno, se pudesse chegar até Ele. O homem é, no coração, assassino de Deus. Ele se alegria se Deus não existisse. Ele diz em seu coração: “Não há Deus” (Sl 14.1). Se a sua mão pudesse ir tão longe quanto o seu coração, Deus não existiria nem mesmo por mais uma hora. Isto dá ao traspassamento de nosso Senhor uma forte intensidade de pecado: foi o traspassamento de Deus.
Por quê? Por que razão o bom Deus foi assim perseguido? Oh! pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, pela glória de sua Pessoa, pela perfeição de seu caráter, eu lhe peço — admire-se e envergonhe-se de que Ele foi traspassado! Não foi uma morte comum. Aquele assassinato não foi um crime comum. Ó homem, Aquele que foi traspassado com a lança era o seu Deus! Na cruz, contemple o seu Criador, o seu Benfeitor, o seu melhor Amigo!
Olhe firmemente para Aquele que foi traspassado e observe o Sofredor que é descrito na palavra “traspassado”. Nosso Senhor sofreu severa e terrivelmente. Não posso, em uma mensagem, descrever a história de seus sofrimentos — as tristezas de sua vida de pobreza e perseguição; as angústias do Getsêmani e do suor de sangue; as tristezas de seu abandono, traição e negação; as tristezas no palácio de Pilatos; os golpes de chicotes, o cuspe e o escárnio; as tristezas da cruz, com sua desonra e agonia... Nosso Senhor foi feito maldição por nós. A penalidade do pecado ou o que lhe era equivalente, Ele a suportou, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pe 2.24). “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5).
Irmãos, os sofrimentos de Jesus devem amolecer nosso coração! Nesta manhã, lamento o fato de que não me entristeço como deveria. Acuso a mim mesmo daquele endurecimento de coração que eu condeno, visto que posso contar-lhes essa história sem enternecimento de coração. Os sofrimentos de meu Senhor são indescritíveis. Examinem e verifiquem se já houve tristeza semelhante à de Jesus! A sua tristeza foi abismal e insondável... Se você considerar firmemente a Jesus traspassado por nossos pecados e tudo que isso significa, seu coração se dilatará! Mais cedo ou mais tarde, a cruz desenvolverá todo sentimento que você será capaz de produzir e lhe dará capacidade para mais. Quando o Espírito Santo põe a cruz no coração, o coração se dissolve em ternura... A dureza de coração desaparece quando, com profundo temor, contemplamos a Jesus sendo morto.
Devemos também observar quem foram os que traspassaram a Jesus. “Olharão para aquele a quem traspassaram.” Ambos os verbos se referem às mesmas pessoas. Nós matamos o Salvador, nós que olhamos para Ele e vivemos... No caso do Salvador, o pecado foi a causa de sua morte. O pecado O traspassou. O pecado de quem? Não foi o pecado dEle mesmo, pois Ele não tinha pecado, e nenhum engano se achou em seus lábios. Pilatos disse: “Não vejo neste homem crime algum” (Lc 23.4). Irmãos, o Messias foi morto, mas não por causa dEle mesmo. Nossos pecados mataram o Salvador. Ele sofreu porque não havia outra maneira de vindicar a justiça de Deus e de prover-nos um escape da condenação. A espada, que deveria cair sobre nós, foi despertada contra o Pastor do Senhor, contra o Homem que era o Companheiro de Jeová (Zc 13.7)... Se isso não quebranta nem amolece nosso coração, observemos por que Ele foi levado a uma posição em que poderia ser traspassado por nossos pecados. Foi o amor, poderoso amor, nada mais do que o amor, que O levou até à cruz. Nenhuma outra acusação Lhe pode ser atribuída, exceto esta: Ele era culpado de amor excessivo. Ele se colocou no caminho do traspassamento, porque resolvera salvar-nos... Ouviremos isso, pensaremos nisso, consideraremos isso e permaneceremos apáticos? Somos piores do que os brutos? Tudo que é humano abandonou a nossa humanidade? Se Deus, o Espírito Santo, está agindo agora, uma contemplação de Cristo derreterá o nosso coração de pedra...
Quero dizer-lhes ainda, ó amados: quanto mais olharmos para Jesus crucificado, tanto mais lamentaremos o nosso pecado. A reflexão crescente produzirá sensibilidade crescente. Desejo que olhem muito para Aquele que foi traspassado, para que odeiem cada vez mais o pecado. Livros que expõem a paixão de nosso Senhor e hinos que cantam a sua cruz sempre foram bastante queridos pelos crentes piedosos, por causa de sua influência sobre o coração e a consciência deles. Vivam no Calvário, amados, até que viver e amar se tornem a mesma coisa. Diria também: olhem para Aquele que foi traspassado, até que o coração de vocês seja traspassado.
Um antigo teólogo dizia: “Olhe para a cruz, até que tudo que está na cruz esteja em seu coração”. E acrescentou: “Olhe para Jesus, até que Ele olhe para você”. Olhem com firmeza para o sua Pessoa sofredora, até que Ele pareça estar volvendo sua cabeça e olhando para você, assim como o fez com Pedro, que saiu e chorou amargamente. Olhe para Jesus, até que você veja a si mesmo. Lamente por Ele, até que lamente por seu próprio pecado... Ele sofreu em lugar, em favor e em benefício de homens culpados. Isso é o evangelho. Não importa o que os outros preguem, “nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Co 1.23). Sempre levaremos a cruz na vanguarda. A essência do evangelho é Cristo como substituto do pecador. Não evitamos falar sobre a doutrina do Segundo Advento, mas, antes e acima de tudo, pregamos Aquele que foi traspassado. Isso levará ao arrependimento evangélico, quando o Espírito de graça for derramado.

*Extraído do sermão matinal de domingo 18 de setembro de 1887, no Tabernáculo Metropolitano de Londres.

Tradução: Pr. Wellington Ferreira

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Fonte: http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=249