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sábado, 12 de abril de 2014

5 ERROS DO EVANGELHO DA PROSPERIDADE

David W. Jones
 
 
Há mais de um século, falando à então mais numerosa congregação em toda a cristandade, Charles Spurgeon disse:
Eu creio que é anticristão e pecaminoso para qualquer cristão viver com a finalidade de acumular riquezas. Você dirá: “Não devemos lutar o quanto pudermos para conseguirmos todo o dinheiro que pudermos?” Você pode fazer isso. De qualquer maneira, não posso duvidar que ao fazê-lo, você possa servir à causa de Deus. Mas o que eu disse é que viver com a finalidade de acumular riquezas é anticristão.[1]
Ao longo dos anos, contudo, a mensagem pregada em algumas das maiores igrejas do mundo mudou — de fato, um novo evangelho está sendo ensinado a muitas congregações hoje. Muitos nomes têm sido atribuídos a tal evangelho: o evangelho do “declare e tome posse”, o evangelho do “fale e receba”, o evangelho da “saúde e riqueza”, o “evangelho da prosperidade” e a “teologia da confissão positiva”.
Não importa qual nome seja usado, a essência desse novo evangelho é a mesma. Colocando de maneira simples, esse “evangelho da prosperidade” egocêntrico ensina que Deus quer que os crentes sejam fisicamente saudáveis, materialmente ricos e pessoalmente felizes. Ouça as palavras de Robert Tilton, um dos mais conhecidos representantes do evangelho da prosperidade nos Estados Unidos: “Eu creio que é a vontade de Deus que todos prosperem, porque eu vejo isso na Palavra, não porque isso funcionou poderosamente para outra pessoa. Eu não olho para homens, mas para Deus que me dá o poder para adquirir riquezas”. [2] Mestres do evangelho da prosperidade encorajam seus seguidores a orar e até mesmo a exigir prosperidade material de Deus.
 
Cinco erros teológicos do evangelho da prosperidade
 
Recentemente, Russel Woodbridge e eu escrevemos um livro chamado Health, Wealth, and Happiness (Saúde, Riquezas e Felicidade, em tradução livre) para examinar as alegações dos defensores do evangelho da prosperidade.[3] Embora nosso livro seja demasiadamente amplo para resumi-lo aqui neste artigo, eu gostaria de rever cinco doutrinas que cobrimos em nosso livro — doutrinas sobre as quais os defensores do evangelho da prosperidade erram. Discernindo tais erros a respeito das doutrinas-chave, espero que os leitores vejam claramente os perigos do evangelho da prosperidade. As doutrinas que eu cobrirei são a aliança Abraâmica, a expiação, ofertas, fé e oração.
  1. A aliança Abraâmica é um meio para o direito a bens materiais

  2. O primeiro erro que consideraremos é que o evangelho da prosperidade vê a aliança Abraâmica como um meio para o direito a bens materiais.
    A aliança Abraâmica (Gn 12, 15, 17, 22) é uma das bases teológicas do evangelho da prosperidade. É bom que os teólogos da prosperidade reconheçam que muito da Escritura é o registro do cumprimento da aliança Abraâmica, mas é ruim que eles não mantenham uma visão ortodoxa de tal aliança. Eles possuem uma visão incorreta do princípio da aliança; mais significativamente, eles possuem uma visão errônea a respeito de sua aplicação.
    Edward Pousson definiu muito bem a visão da prosperidade na aplicação da aliança Abrâmica quando escreveu: “Os cristãos são os filhos espirituais de Abraão e herdeiros das bênçãos da fé [...] Tal herança Abraâmica se dá primariamente em termos de direitos materiais”.[4] Em outras palavras, o evangelho da prosperidade ensina que o propósito primário da aliança Abraâmica era Deus abençoar Abraão materialmente. Visto que agora os crentes são os filhos espirituais de Abraão, eles herdaram tais bênçãos financeiras.
    O mestre da prosperidade Kenneth Copeland escreveu: “Visto que a aliança de Deus foi estabelecida e a prosperidade é uma provisão de tal aliança, você precisa perceber que a prosperidade agora pertence a você!”[5]
    Para apoiar essa declaração, os mestres da prosperidade apelam para Gálatas 3.14, que se refere à “bênção de Abraão chegando aos gentios por Jesus Cristo”. É interessante, contudo, que em seus apelos em Gálatas 3.14, os mestres da prosperidade ignorem a segunda metade do versículo, que diz: “... a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido”. Nesse versículo, Paulo estava claramente lembrando os gálatas sobre a bênção espiritual da salvação, não a bênção material da riqueza.
     
    2. A expiação de Jesus se estende ao “pecado” da pobreza material.
    Um segundo erro teológico do evangelho da prosperidade é uma visão deficiente da expiação.
    O teólogo Ken Sarles escreve que “o evangelho da prosperidade afirma que tanto a cura física quanto a prosperidade financeira foram concedidas através da Expiação”.[6] Esta parece ser uma observação acurada à luz do comentário de Kenneth Copeland de que “o princípio básico da vida cristã é saber que Deus depositou os nossos pecados, doenças, enfermidades, aflições, pesares e pobreza sobre Jesus no Calvário”.[7] Tal equívoco a respeito do escopo da expiação decorre de dois erros que os defensores do evangelho da prosperidade cometem.
    Primeiro, muitos que defendem a teologia da prosperidade têm uma concepção errônea da vida de Cristo. Por exemplo, o mestre John Avanzini proclamou: “Jesus tinha uma boa casa, uma casa grande”[8], “Jesus lidava com muito dinheiro”[9], e ele até mesmo “vestia roupas de grife”[10]. É fácil ver como tal visão distorcida da vida de Cristo poderia levar a uma concepção igualmente distorcida da morte de Cristo.
    Um segundo erro que leva a uma visão deficiente da expiação é uma interpretação errônea de 2 Coríntios 8.9, que diz: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”.  Embora uma leitura superficial desse versículo possa levar alguém a crer que Paulo estava ensinando sobre um aumento da riqueza material, uma leitura contextualizada revela que Paulo, na verdade, estava ensinando exatamente o princípio oposto. De fato, Paulo estava ensinando aos coríntios que, uma vez que Cristo conquistou tantas coisas por eles, através da expiação, eles deveriam esvaziar-se de suas próprias riquezas a serviço do Salvador. É por isso que, em apenas cinco curtos versículos depois, Paulo insistirá que os coríntios doem suas riquezas para irmãos em necessidade “suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles” (2Co 8.14).

         3. Os cristãos dão ofertas para ganhar compensação material de Deus
    Um terceiro erro do evangelho da prosperidade é que os cristãos deveriam dar ofertas para ganhar compensação material de Deus. Uma das mais notáveis características dos teólogos da prosperidade é a sua aparente fixação com o ato de dar. Estudantes do evangelho da prosperidade são incitados a dar generosamente e são confrontados com declarações piedosas como: “A verdadeira prosperidade é a habilidade de usar o poder de Deus para atender às necessidades da humanidade em cada esfera da vida”[11]; e: “Nós fomos chamados para financiar o evangelho para o mundo”[12]. Embora tais declarações pareçam ser dignas de louvor, tal ênfase nas ofertas é construída sobre motivos que são qualquer coisa, menos filantrópicos. A força propulsora por trás desse ensino sobre dar é o que o mestre da prosperidade Robert Tilton se refere como a “Lei da Compensação”. De acordo com essa lei, que é supostamente baseada em Marcos 10.30, [13] os cristãos precisam dar generosamente a outros, porque, quando dão, Deus lhes dará mais em troca. Isso, por sua vez, levaria a um ciclo de prosperidade sempre crescente.
    Como Gloria Copeland disse: “Dê $10 e receba $1000; dê $1000 e receba $100.000 [...] resumindo, Marcos 10.30 é um ótimo negócio”[14]. É evidente, portanto, que a doutrina do evangelho da prosperidade de dar é construída sobre motivos deficientes. Enquanto Jesus ensinava aos seus discípulos “dá, sem esperar nada em troca” (Lc 10.35), os teólogos da prosperidade ensinam os seus discípulos a darem, porque terão algo muito maior em troca.

         4. Fé é uma força espiritual autogerada que leva à prosperidade

    Um quarto erro da teologia da prosperidade é o seu ensino de que a fé é uma força espiritual autogerada que leva à prosperidade. Enquanto o cristianismo ortodoxo entende a fé como a confiança na pessoa de Jesus Cristo, os mestres da prosperidade abraçam uma doutrina bastante diferente. Em seu livro The Laws of Prosperity (As Leis da Prosperidade, em tradução livre), Kenneth Copeland escreve: “Fé é uma força espiritual, uma energia espiritual, um poder espiritual. É essa força da fé que faz as leis do mundo espiritual funcionarem. [...] Há certas leis governando a prosperidade revelada na Palavra de Deus. A fé faz com que elas funcionem”.[15] Esse é obviamente um entendimento distorcido, talvez até mesmo herético, da fé.
    De acordo com a teologia da prosperidade, fé não é um ato da vontade de Deus, concedido por Deus e centralizado em Deus. Mas é uma força espiritual humanamente forjada, dirigida a Deus. De fato, qualquer teologia que vê a fé somente como um meio para o ganho material, em vez da justificação diante de Deus, deve ser julgada deficiente e inadequada.

         
          5. A oração é uma ferramenta para forçar Deus a conceder prosperidade.


Finalmente, o evangelho da prosperidade trata a oração como uma ferramenta para forçar Deus a conceder prosperidade. Os pregadores do evangelho da prosperidade frequentemente observam que nós não temos, porque não pedimos (Tg 4.2). Os defensores do evangelho da prosperidade encorajam os crentes a orar por sucesso pessoal em todas as áreas da vida. Creflo Dollar escreve: “Quando oramos, crendo que já recebemos aquilo pelo qual oramos, Deus não tem escolha a não ser fazer as nossas orações se tornarem realidade [...] Essa é uma chave para conseguir resultados como cristão”[16].
Certamente as orações por bênçãos pessoais não são inerentemente erradas, mas a ênfase demasiada do evangelho da prosperidade sobre o homem transforma a oração em uma ferramenta que os crentes podem usar para forçar Deus a conceder seus desejos.
Dentro da teologia da prosperidade, o homem — não Deus — se torna o foco da oração. Curiosamente, os pregadores da prosperidade frequentemente ignoram a segunda metade do ensino de Tiago sobre a oração que diz: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3). Deus não responde a solicitações egoístas que não honram o seu nome.
Certamente todas as nossas petições devem ser levadas ao conhecimento de Deus (Fp 4.6), mas o evangelho da prosperidade se concentra tanto nos desejos dos homens, que pode levar as pessoas a fazerem orações egoístas, superficiais e frívolas, que não trazem a glória para Deus. Além disso, quando combinada com a doutrina de fé do evangelho da prosperidade, tal ensino pode levar as pessoas a tentarem manipular Deus para conseguirem o que querem — uma tarefa vã. Isso está muito longe da oração que deseja que a vontade de Deus seja feita.
 
Um falso evangelho
 
À luz da Escritura, o evangelho da prosperidade é fundamentalmente defeituoso. Na base, o evangelho da prosperidade é, na verdade, um falso evangelho devido à sua visão distorcida sobre o relacionamento entre Deus e o homem. Em outras palavras, se o evangelho da prosperidade é verdadeiro, a graça é obsoleta, Deus é irrelevante e o homem é o centro de todas as coisas. Quer eles estejam falando sobre a aliança Abraâmica, a expiação, as ofertas, a fé ou a oração, os mestres da prosperidade transformam o relacionamento entre Deus e o homem em uma transação quid pro quo.[17] Como James R. Goff observou, Deus é “reduzido a uma espécie de ‘serviçal cósmico’, atendendo às necessidades e desejos da sua criação”.[18] Essa é uma visão completamente inadequada e antibíblica do relacionamento entre Deus e o homem.

David W. Jones é Professor Associado de Ética Cristã no Southeastern Baptist Theological Seminary.
[1] Tom Carter, ed., 2,200 Quotations from the Writings of Charles H. Spurgeon (Grand Rapids: Baker Book House, 1988), 216.
[2] Robert Tilton, God’s Word about Prosperity (Dallas, TX: Word of Faith Publications, 1983), 6.
[3] David W. Jones and Russell S. Woodbridge, Health, Wealth, and Happiness: Has the Prosperity Gospel Overshadowed the Gospel of Christ? (Grand Rapids: Kregel, 2010).
[4] Edward Pousson, Spreading the Flame (Grand Rapids: Zondervan, 1992), 158.
[5] Kenneth Copeland, The Laws of Prosperity (Fort Worth, TX: Kenneth Copeland Publications, 1974)51.
[6] Ken L. Sarles, “A Theological Evaluation of the Prosperity Gospel,” Bibliotheca Sacra 143 (Oct.-Dec. 1986): 339.
[7] Kenneth Copeland, The Troublemaker (Fort Worth, TX: Kenneth Copeland Publications, 1996), 6.
[8] John Avanzini, “Believer’s Voice of Victory,” programa na TBN, 20 de janeiro de 1991.  Citado em Hank Hanegraaff, Christianity in Crisis (Eugene, OR: Harvest House, 1993), 381.
[9] Idem, “Praise the Lord,” programa na TBN, 15 de setembro de 1988. Citado em Hanegraaff, 381.
[10] Avanzini, “Believer’s Voice of Victory.”
[11] Kenneth Copeland, The Laws of Prosperity, 26.
[12] Gloria Copeland, God’s Will is Prosperity (Fort Worth, TX: Kenneth Copeland Publications, 1973)45.
[13] Outros versículos sobre os quais baseiam a “Lei da Compensação” incluem Ec 11.1, 2Co 9.6 e Gl 6.7.
[14] Gloria Copeland, God’s Will, 54.
[15] Kenneth Copeland, The Laws of Prosperity, 19.
[16] Creflo Dollar, “Prayer: Your Path to Success,” 2 de março de 2009, http://www.creflodollarministries.org/BibleStudy/Articles.aspx?id=329 (acessado em 30 de outubro de 2013).
 [17] A expressão tem origem latina e significa “tomar uma coisa por outra”. No uso do português tem o significado de confusão ou engano.
[18] James R. Goff, Jr., “The Faith That Claims,” Christianity Today, vol. 34, fevereiro de 1990, 21.
Tradução: Alan Cristie

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FONTE:http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/665/5_Erros_do_Evangelho_da_Prosperidade

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A DECLARAÇÃO DE CAMBRIDGE

As igrejas evangélicas de hoje estão cada vez mais dominadas pelo espírito deste século em vez de pelo Espírito de Cristo. Como evangélicos, nós nos convocamos a nos arrepender desse pecado e a recuperar a fé cristã histórica.
No decurso da História, as palavras mudam. Na época atual isso aconteceu com a palavra evangélico. No passado, ela serviu como elo de união entre cristãos de uma diversidade ampla de tradições eclesiásticas. O evangelicalismo histórico era confessional. Acolhia as verdades essenciais do Cristianismo conforme definidas pelos grandes concílios ecumênicos da Igreja. Além disso, os evangélicos também compartilhavam uma herança comum nos "solas" da Reforma Protestante do século 16.
Hoje, a luz da Reforma já foi sensivelmente obscurecida. A conseqüência foi a palavra evangélico se tornar tão abrangente a ponto de perder o sentido. Enfrentamos o perigo de perder a unidade que levou séculos para ser alcançada. Por causa dessa crise e por causa do nosso amor a Cristo, seu evangelho e sua igreja, nós procuramos afirmar novamente nosso compromisso com as verdades centrais da reforma e do evangelicalismo histórico. Nós afirmamos essas verdades e não pelo seu papel em nossas tradições, mas porque cremos que são centrais para a Bíblia.

SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade
 
 
Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.
Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.
A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.
A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.

Tese 1: Sola Scriptura
 
Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.
Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.

SOLO CHRISTUS: A Erosão da Fé Centrada em Cristo
 
 
À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.

Tese 2: Solo Christus
 
 
Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.
Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.

SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho
 
 
A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.
A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.

Tese 3: Sola Gratia
 
 
Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.
Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.

 
SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial
 
 
A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.
Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.
Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.

Tese 4: Sola Fide
 
 
Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.
Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.

 
SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus
 
 
Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, o­nde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.
Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

Tese 5: Soli Deo Gloria
 
Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.
Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

 
Um Chamado ao Arrependimento e à Reforma
 
 
A fidelidade da igreja evangélica no passado contrasta fortemente com sua infidelidade no presente. No princípio deste mesmo século, as igrejas evangélicas sustentavam um empreendimento missionário admirável e edificaram muitas instituições religiosas para servir a causa da verdade bíblica e do reino de Cristo. Foi uma época em que o comportamento e as expectativas cristãs diferiam sensivelmente daquelas encontradas na cultura. Hoje raramente diferem. O mundo evangélico de hoje está perdendo sua fidelidade bíblica, sua bússola moral e seu zelo missionário.
Arrependamo-nos de nosso mundanismo. Fomos influenciados pelos "evangelhos" de nossa cultura secular, que não são evangelhos. Enfraquecemos a igreja pela nossa própria falta de arrependimento sério, tornamo-nos cegos aos pecados em nós mesmo que vemos tão claramente em outras pessoas, e é indesculpável nosso erro de não falar às pessoas adequadamente sobre a obra salvadora de Deus em Jesus Cristo.
Também apelamos sinceramente a outros evangélicos professos que se tenham desviado da Palavra de Deus nos assuntos discutidos nesta declaração. Incluímos aqueles que declaram haver esperança de vida eterna sem fé explícita em Jesus Cristo, os que asseveram que quem rejeita a Cristo nesta vida será aniquilado em lugar de suportar o juízo justo de Deus pelo sofrimento eterno e os que dizem que os evangélicos e os católicos romanos são um em Jesus Cristo, mesmo quando a doutrina bíblica da justificação não é crida.
A Aliança de Evangélicos Confessionais pede que todos os crentes dêem consideração à implementação desta declaração no culto, ministério, política, vida e evangelismo da igreja.
Em nome de Cristo. Amém.

Aliança de Evangélicos Confessionais.
Cambridge, Massachusetts
20 de abril de 1996.
 
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sábado, 23 de novembro de 2013

O HOMEM A QUEM DEUS USA


Por
 
Rev. Hernandes Dias Lopes

Referência: Lucas 3.1-14
 
INTRODUÇÃO
 
1. A maior necessidade do mundo é de Deus que sejam usados por Deus. Deus não unge métodos, Deus unge homens. Não precisamos de melhores métodos, mas de melhores homens.
 
2. Havia 400 anos que a Nação de Israel estava sem ouvir a voz profética. Ele não veio da classe sacerdotal. Não veio no palácio. Mas veio a Palavra do Senhor a João, no deserto. Deus usa gente estranha, em lugares estranhos.
 
I. É UM HOMEM COM UMA MISSÃO – V. 4
 
1. Por que Deus usou este homem?
 
a) Porque ele não era um caniço balançado pelo vento (Mt 11:7-11)
 
Hoje estamos vendo líderes vendendo seu ministério, negociando valores absolutos, mercadejando o evangelho. João não transigia com a verdade. Ele denunciava o pecado na vida do rei, dos religiosos, dos soldados e do povo.
 
Ele não era um profeta da conveniência. Seus inimigos diziam: Tem demônio; Jesus dizia: É profeta!
 
b) Porque era uma lâmpada que ardia e alumiava (Jo 1:6-9)
 
Ele não era a luz, mas uma lâmpada que ardia e alumiava. Ele apontou para Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus”. Ele não buscou glórias para si mesmo. Disse: “Convém que ele cresça e eu diminua”.
 
Ele era como uma vela: iluminou com intensidade enquanto viveu.
 
c) Porque ele não era um eco, mas uma voz (Jo 1:22,23)
 
João não apenas proferia a verdade, ele era boca de Deus. Ele falava com poder. Hoje, há muitas palavras, mas pouco poder; as pessoas escutam belos discursos, mas não vêm vida. Ele prega o conhece e experimenta. Ele não era da elite sacerdotal. Ele não estava no templo. Mas havia poder em sua vida.
Não basta ser um eco, é preciso ser uma voz. Não basta carregar o bastão profético como Geazi, é preciso ter poder como Eliseu. Não basta falar aos homens, é preciso conhecer a intimidade de Deus.
 
“Se Deus não falou com você, não fale a nós.”
 
d) Porque ele era um homem humilde (Mt 3:11)
 
João Batista disse: “eu não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias”. Disse ainda: “Convém que ele cresça e eu diminua”.
 
Lata vazia é que faz barulho. Espiga chocha é que fica empinada.
 
O albatroz voa baixo porque tem o papo muito grande.
 
e) Porque ele era um homem corajoso (Lc 3:19)
 
João Batista não aplaudiu Herodes quando ele casou-se com a mulher do seu irmão. Ele denunciou o pecado do rei. Ele preferiu ser preso e ser degolado do que transigir com a verdade. Ele preferiu a morte à infidelidade.
 
Hoje, há pastores que vendem o ministério e a própria alma por dinheiro. Em vez de denunciar o mal, praticam-no.
 
f) Porque era um homem cheio do Espírito Santo (Lc 1:15)
 
João Batista era um homem cheio do Espírito Santo desde o ventre materno.
Aos 5 meses de idade, estremeceu de alegria no ventre da sua mãe. Aos 5 meses já vibrava por Cristo. Há muitos que envelhecem frios e indiferentes ao Salvador.
 
2. Como Deus usou este homem?
 
a) Deus usou este homem para aterrar os vales (Lc 3:5)
 
Vale é uma depressão, um buraco – Há abismos na vida do povo: impureza, desânimo, comodismo, mundanismo.
 
Vale separa dois montes – Falta de comunhão, mágoa, contendas, maledicência.
 
b) Deus usou este homem para niver os montes (Lc 3:5)
 
Montes falam de soberba – O orgulho são montanhas que impedem a passagem do Senhor. Onde há soberba Deus não se manifesta. Nabucodonosor foi comer capim. Herodes foi comido de vermes.
 
Montes falam de incredulidade – A increduldade nos afasta de Deus e de suas bênçãos.
 
c) Deus usou este homem para endireitar os caminhos tortos (Lc 3:5)
 
Caminho torto fala de duplicidade, hipocrisia, e desonestidade – Muitas pessoas são impedimentos para a manifestação de Cristo, porque têm vida dupla. São uma coisa na igreja e outra em casa.
 
d) Deus usou este homem para aplainar os caminhos escabrosos (Lc 3:5)
 
Caminho escabroso fala de algo que está fora do lugar – Há algo fora do lugar em sua vida: vida devocional? Namoro? Casamento? Dinheiro? Dízimo?
 
II. É UM HOMEM COM UMA MENSAGEM – Lc 3:8
 
1. A Palavra que ele prega é Palavra de Deus e não palavras de homens – Lc 3:2
 
Depois de 400 anos de silêncio profético, João aparece pregando sobre arrependimento. A nação havia se desviado de Deus. A religião estava corrompida. Os palácios estavam corrompidos. Os que trabalhavam na secretaria da fazenda estavam corrompidos. Os soldados estavam corrompidos.
A mensagem do arrependimento não é popular. Não é palatável. Mas, João não quer agradar a homens, mas a Deus.
 
Nossa nação está vivendo um tempo de crise sem precedentes. Estamos de luto. Nossas instituições estão doentes. A corrupção está no DNA da Nação.
 
a) Numa época de crise moral na nação
 
Os líderes religiosos da nação estavam corrompidos: Anás e Caifás eram sumo sacerdotes, mas não conheciam a Deus.
A polícia extorquia o povo para engordar o salário e fazia denúncias falsas.
Herodes, era um homem devasso e adúltero.
Nosso país atravessa uma aguda crise moral: lares sendo destruídos; o tráfico de drogas crescendo, o nosso parlamento se enchendo da lama da corrupção. A corrupção ganhando o cérebro e o coração da nação.
 
b) Numa época de crise social na nação
 
O povo trabalhava, mas Roma ficava com o lucro. Reinava a pobreza, a fome, o desespero. O Brasil é o segundo país do mundo com o pior distribuição de renda.
 
Vivemos a crise da pobreza, da fome, da violência, da impunidade.
 
c) Numa época de crise política na nação
 
A nação estava nas mãos de homens maus. Pôncio Pilatos e Herodes eram um espelho da nação.
Nossa representação política agoniza num dos níveis mais baixos de descrédito, de desmoralização, de aviltamento da honra.
 
d) Numa época de crise espiritual na nação
 
O povo era religioso, mas não convertido. Eles não produziam frutos dignos de arrependimento.
O povo estava descansando numa falsa segurança (v. 8).
O povo estava indo para o juízo, sem se preparar (v. 7,9).
 
Hoje, a igreja evangélica cresce, mas a nação não muda. As pessoas estão entrando para um outro evangelho, o evangelho da conveniência.
 
2. O cenário em que ele prega e quem ele é demonstram que Deus pode trazer restauração para a nação a partir do próprio caos (Mt 3:5)
 
e) O local parecia impróprio – Era no deserto – João não pregava no templo, nas sinagogas, nas praças floridas de Jerusalém, mas no deserto árido da Judéia.
 
f) A apresentação pessoal parecia imprópria – Vestia-se não de terno, mas de peles de camelo. Não comia nos restaurantes requintados de Jerusalém, mas alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Não aperou um só milagre. Não se assentou aos pés dos grandes mestres. Não se apresentava como Exmo. Sr. Dr. Professor João. Mas ele abalou uma nação! Fez tremer o palácio de Herodes.
 
g) Mas a multidão é atraída – Vinha a ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão. Oh! Que Deus levanta homens nessa Nação com a fibra de João. Que as multidões possam ser confrontadas!
 
3. As pessoas que ele chama ao arrependimento revelam sua ousadia espiritual
 
a) Os fariseus e saduceus (Mt 3:7-9) – Ele denunciou os conservadores fariseus e os liberais saduceus. A religião judaica estava tomada por um bando de homens não convertidos.
 
b) A multidão (Lc 3:10) – “Que havemos de fazer?” Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem. Quem tiver comida, faça o mesmo.
 
c) Os Publicanos (Lc 3:12) – “Não cobreis mais do que o estipulado”. Honestidade nas transações. Deixem de lado as superfaturações.
 
d) Os soldados (Lc 3:14) – “A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa, contentai-vos com o vosso soldo”.
 
e) Herodes (Lc 3:19) – João denunciou o pecado do rei. Chamou-o de adúltero.
 
f) O arrependimento é grande manchete de Deus –
 
a) Na preparação – João Batista diz: Arrependei-vos;
b) Na Inauguração – Jesus vem e conclama: Arrependei-vos;
c) No Pentecostes – Pedro prega: Arrependei-vos.
 
g) O arrependimento envolve: 1) Generosidade no dar (v. 10,11); 2) Honestidade nos negócios (v. 12,13); 3) Justiça nos relacionamentos (v. 14); 4) Integridade na palavra; 5) Ausência de ganância
 
III. É UM HOMEM COM UMA CONVICÇÃO – Lc 3:9: “Mas já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo”.
 
1. A mensagem de Deus é arrepender e viver ou não arrepender e morrer
 
A mensagem do evangelho traz salvação e condenação.
O ímpio não permanecerá na congregação dos justos.
Quem não estiver trajado de vestes nupciais será lançado fora.
A figueira sem fruto secou desde à raiz.
A figueira estéril será cortada.
 
2. A mensagem de Deus é um apelo urgente a todos
 
O apelo de Deus alcança os religiosos, a multidão, os soldados, os publicanos. Deus desnuda a todos. As máscaras caem. Deus diz o machado já está posto na raiz. Não dá mais para esperar. O tempo é agora. O reino já chegou.
Deus espera agora frutos dignos de arrependimento!
 
Você tem produzido frutos dignos de arrependimento?
 
3. A mensagem Deus mostra o juízo inevitável para quem deixa de arrepender-se – v. 7-8
 
O tempo de João era de profunda crise espiritual. Os próprios líderes eram homens não regenerados. A multidão estava perdida. Havia crise nos políticos, nos comerciantes, na polícia. João diz que a ira vindoura chegará.
 
Os que escapam dos tribunais da terra, jamais escaparão da ira de Deus!
 
CONCLUSÃO
 
1. O arrependimento prepara o caminho para uma grande bênção
 
a) Uma bênção sem limites – “toda a carne vera a salvação de Deus”
 
Quando a igreja se arrepende, o mundo vê a salvação de Deus.
Quando a igreja se volta para Deus, o mundo experimenta a salvação de Deus.
 
b) Uma bênção inequívoca – “toda a carne VERÁ”
Quando a igreja se arrepende, a salvação de Deus irromperá além das quatro paredes. Multidões virão a Cristo.
 
O avivamento que alcança o mundo com a salvação, começa com a igreja através do arrependimento.
 
c) Uma bênção indizível – “toda a carne verá a salvação de Deus”
Quando a igreja acerta sua vida com Deus, algo tremendo e extraordinário pode acontecer no mundo.
 
Se queremos ver nossa cidade impactada, precisamos acertar nossa vida com Deus. Precisamos aplicar os princípios de Deus em nossa própria vida.
 
Exemplo: Jonathan Gofford na China, pedindo avivamento.
 
 
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terça-feira, 19 de novembro de 2013


O   AVIVAMENTO  GERA  TESTEMUNHO  DE  VIDA

 
 Por
 
Pr. Davi Gomes do Nascimento
 
 
“... e aquele outro escreverá com a sua mão ao SENHOR, e por sobrenome tomará o nome de Israel”. (Is 44.5)
 
 
“Avivamento, uma necessidade da igreja”, esse é o tema central desta edição da Revista Vida vitoriosa, que por sinal é um tema muito relevante para a igreja em nossos dias, mas o que realmente é avivamento, segundo a Bíblia?  Como podemos definir esta palavra?
A palavra ‘avivar’ significa, dar viveza, despertar, apresar, vigor, cobrar dispertamento. O verbo avivar vem da palavra ‘avivamento’ que significa ato de avivar. Ou seja, dar vida ao que parece morto.
A Palavra de Deus nos diz que somos “Novas Criaturas” (2 Cor 5.17), pelo fato do Senhor Jesus ter nos dado vida abundante (Jo 10.10). Como pessoas que passaram da morte para vida (Jo 5.24), devemos andar em novidade de vida, como o apostolo Paulo nos fala em Romanos 6.4b: “para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida”.
É no andar em novidade de vida, que podemos identificar se somos pessoas avivadas pelo Espírito Santo, pois este andar em novidade de vida significa darmos a sociedade um testemunho autêntico de que somos novas criaturas, de somos realmente nascidos em Cristo.
O profeta inicialmente diz: “Este dirá: Eu sou do SENHOR...”. O que é ser do Senhor? Você que está lendo este singelo artigo, sabe realmente o que é ser do Senhor?  Talvez, meu caro leitor, você não compreende realmente o que é ser do Senhor, pois se tivesse esta compreensão, certamente faria tudo para agradar o seu Senhor, pois ele diz que somos sua Herança, um povo de propriedade exclusiva de Deus. Quando deixamos de cultuar o seu Santo Nome, não estamos lhe desagradando? Quando andamos de forma ilícita, não estamos lhe desagradando? Quando nossas orações  são interesseiras visando a nós mesmos, será que não o desagradamos? Ouça o clamor de nosso Deus, quando Ele diz: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”, 2 Cr 7:14. O que Ele quer de nós?
 
  • Que nos humilhemos aos seus pés, que choremos diante dEle;
  • Que o busquemos em oração, voltemos a falar com o nosso Deus;
  • Que busquemos a sua face, possamos sentir novamente a sua presença;
  • E, que nos convertamos dos nossos maus caminhos, voltemos para Ele, enquanto o podemos achar.
Se fizermos o que Ele nos pede, as nossas orações serão ouvidas novamente, nossos pecados serão perdoados e a nossa terra será curada e Realmente evidenciaremos o verdadeiro avivamento em nosso testemunho de vida.
 
 
 
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Pr. Davi Gomes do Nascimento
Igreja Presbiteriana Fundamentalista Betel

 
 
 
 
 

 



sábado, 22 de junho de 2013

O Dia do Senhor e o Culto Reformado



Por Ian Hamilton


Até algum tempo atrás, uma das marcas distintivas do culto reformado era o seu compromisso com a santificação do Dia do Senhor como o tempo divinamente prescrito para que o povo da aliança de Deus adorasse esse Deus da aliança.


Esta perspectiva puritana possivelmente está melhor demonstrada na Confissão de Fé de Westminster:

“Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção de tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também, em sua Palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens, em todas as épocas, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (= descanso) santificado por ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo, foi mudada para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado dia do Senhor (= domingo), e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão”.

Dizendo isso, os puritanos estavam em consonância com os reformadores ao dizer que o shabbat (sábado) não era o único dia em que o povo de Deus se reunia para o culto e também não estavam dizendo que a adoração é um tipo de atividade exclusivamente corporativa e que apenas acontece quando a igreja se une para adorar.

Foram os reformadores e puritanos que resgataram para nós a idéia de que adoração é a resposta do crente momento após momento à Palavra de Deus. Ao mesmo tempo eles tinham uma convicção apaixonada quanto a este ponto. Diziam que o culto cristão tem que ser ancorado e baseado no Dia do Senhor. Existe um debate que sempre está presente entre os próprios reformados com relação ao Dia do Senhor e o shabbat (sábado). Devemos considerar o Dia do Senhor como o shabbat? Isso ficará claro à medida que formos expondo o assunto.

Os que creem na perpetuidade do sábado cristão como sendo uma ordenança da graça que é obrigatória para todo povo de Deus, precisam lembrar que não estamos simplesmente engajados num conflito para persuadir nossos irmãos em Cristo e que passagens como Colossenses 2:16-17 não estão abolindo o sábado cristão que foi instituído na criação. Nossa batalha é muito mais séria que isto, pois estamos batalhando para resgatar os irmão cristãos dos efeitos corrosivos da cultura contemporânea. O que estamos dizendo é, que o assunto tratado aqui, dentro da tradição reformada, não é somente de persuadir nossos irmãos em Cristo do caráter divino, mandatório do sábado cristão (shabbat) como sendo uma ordenança vinda da criação e do Evangelho, mas na verdade estamos diante de um trabalho ainda mais exigente. Ou seja, de persuadir nossos irmãos em Cristo da sabedoria daquele que nos deu o shabbat, do regozijo que é o sábado cristão e dos efeitos corrosivos e fatais de permitirmos que nossa cultura contemporânea venha formatar nossa vida espiritual e dos nossos filhos.

Fiquei extremamente espantado quando, há alguns anos, passei um período nos Estados Unidos e vi que o dia da final do campeonato de futebol, o evento esportivo mais enfatizado do ano, era praticado no Dia do Senhor e que muitas igrejas evangélicas, cristãs, naquele dia, até mesmo que professavam a fé reformada, cancelavam até os seus cultos dominicais para permitir que as pessoas fossem assistir este jogo. Quase não acreditei que isso estivesse acontecendo. Porém, disseram-me que mais igrejas mudariam até o horário de culto para permitir aos crentes irem a esta final de campeonato.

Eu tenho um filho que gosta muito de futebol e gosta muito de jogar. Outro dia ele me perguntou por que se marcavam tantos jogos exatamente no Dia do Senhor. Meu filho gosta muito de futebol e por isso fica frustrado quando não pode jogar e sente falta do jogo, mas mesmo assim não deixa de ir à igreja para participar dos jogos de futebol e nem ao menos pensa nisso. Mas percebo que esta situação vem continuamente se projetando para tomar controle sobre a igreja. 

Levanto esta questão porque o problema não é realmente a guarda do sábado cristão, mas é algo mais profundo que isso. O assunto com o qual nos deparamos é o caráter de Deus, a Sua autoridade, a verdade de Sua Palavra e a sua suficiência. Se estamos convencidos que Deus é bom, somente bom, e que todos Seus caminhos para Seus filhos são sábios e agradáveis, isso nos deveria persuadir a abraçar com alegria a santificação do Dia do Senhor. Não deveríamos ser levados a pensar que as leis do Dia do Senhor não são mais para nós hoje e que por isso têm sido abandonadas por muitos cristãos que professam a fé reformada e que têm se esquecido de santificar este dia. A razão para isso é que eles não têm compreendido o sentido do Dia do Senhor.

O problema é mais profundo. A verdade é que as pessoas perderam o contato de quem Deus é. Creio que dificilmente poderíamos duvidar que, quando o Dia do Senhor não é uma ordenança graciosa, o culto na igreja deteriora e em seguida a sociedade deteriora. O Dia do Senhor é um testemunho da grande benignidade de Deus para com Seu povo e nos dá um tempo divinamente apontado por Deus para que nós O adoremos e Deus mesmo nos dá o foco apropriado em relação à Sua adoração.

Quero apresentar dois aspectos com respeito à guarda do Dia do Senhor.
1) Explicar o caráter obrigatório do Dia do Senhor para o cristão; essa era a convicção dos reformados e puritanos e que surgiu de uma compreensão correta das Escrituras.
2) Destacar o significado e os benefícios de se observar o Dia do Senhor reservando-o para um culto que honra a Deus.

Caráter Obrigatório

I) Inicialmente gostaria de dizer que o Dia do Senhor foi instituído por Deus na criação. Lemos em Gênesis 2 que Deus terminou sua obra no sexto dia e no sétimo descansou do que havia feito. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou porque nele descansara de todas as obras que havia feito. Antes que o pecado entrasse no mundo Deus já havia providenciado um sábado (descanso) para Adão e Eva e seus filhos. Nas palavras do grande presbiteriano John Murray, o sábado é uma ordenança da criação dada por Deus para o benefício de todas as Suas criaturas. Geralmente se diz que Calvino ensinava que o sábado, como dia de descanso, havia sido ab-rogado na dispensação do Novo Testamento. Para apoiar isso, são citados seus comentários sobre o quarto mandamento e sua exposição em Colossenses 2:16-17. Sem dúvida existe alguma diferença entre a perspectiva de Calvino e os puritanos, mas na minha opinião são circunstanciais e pequenas. Quando lemos o que Calvino escreveu no seu comentário de Gênesis 2:3, escrito em 1561, dois anos depois da edição final das Institutas, o que é bastante significativo, encontramos uma exposição que o reformador faz de forma sucinta, da sua perspectiva do sábado cristão. Calvino disse:

“Quando ouvimos que o sábado foi ab-rogado pela vinda de Cristo, devemos distinguir o que pertence ao governo perpétuo da vida humana e o que pertence propriamente às figuras antigas. O uso destas foi abolida quando a verdade foi cumprida. Descanso espiritual é a mortificação da carne ao ponto de que os filhos de Deus não devem viver para si mesmos ou permitir livremente as ações de suas inclinações. Assim, na medida que o sábado era uma figura desse descanso espiritual, eu digo que isso foi somente por um tempo (obs: com isso os puritanos concordariam). Mas, na medida em que foi ordenado aos homens, desde o início, de que eles deveriam se engajar no culto a Deus, é legítimo que o sábado cristão deva continuar até o fim do mundo. O sábado é uma ordenação da criação que é perpétua”.

II) A segunda coisa que tenho para afirmar é que o sábado cristão está baseado no exemplo divino. Esse é o ponto de Moisés em Êxodo 20:11. O ritmo do homem alternado entre trabalho e descanso é o sério padrão do ritmo criador. John Murray faz a seguinte afirmativa: “Podemos pensar no exemplo que Deus nos deu de trabalho e descanso como sendo um padrão de conduta eterno para a raça humana nas ordenanças de trabalho e descanso”.

III) A ordem de Deus para que guardemos o Dia do Senhor está embutida nos dez mandamentos. O quarto mandamento garante e valida a permanência do mandamento para guardarmos o Dia do Senhor e estabelece a guarda do sábado cristão no coração da vida de adoração do povo de Deus. Acho absurdo quando ouço irmãos que, dizendo-se reformados, tentam me convencer que o “shabbat”, o sábado, foi abolido, deixando um dos dez mandamentos fora de validade para a vida do povo de Deus. Na verdade, Deus deu validade à guarda do sábado por colocá-lo dentro do decálogo.

IV) Nosso Senhor Jesus Cristo destacou a importância da permanência do shabbat. Jesus nos diz em Marcos 2.27: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado”. O que mais poderíamos dizer com relação a isso? A minha preocupação é simplesmente mostrar a importância do fundamento da guarda permanente do shabbat. Deus tem gravado esta verdade em Sua Palavra e nós nos desviamos dessa ordenança apenas para sermos prejudicados espiritualmente. Pertence nossa obediência à verdade revelada de Deus e nossa submissão ao nosso Pai amorável. Tendo estabelecido o fundamento bíblico para o dia do Senhor e considerando a transição do sábado para o domingo, quero considerar quais os benefícios e o significado de guardar o dia do Senhor.

Significado e Benefícios

I) O shabbat nos dá uma oportunidade de buscar o Senhor e adorá-lo sem distração. No ano passado passei um tempo no Marrocos visitando famílias cristãs. Viver num país muçulmano como aquele significa não ter liberdade para guardar o Dia do Senhor como os cristãos gostariam. Mas em países como Brasil e Escócia ainda temos o privilégio precioso dado por Deus de preservar e guardar o Dia do Senhor como um dia santo. Irmãos, valorizem o Dia do Senhor; lutem por ele; os assuntos relacionados com a guarda do dia de descanso são profundos. Essa provisão que Deus nos faz que o adoremos sem distração alguma é uma visão que vem do próprio Deus.

II) O shabbat nos dá oportunidade de adorar coletivamente a Deus e buscá-lO juntos. O shabbat enfatiza o caráter bíblico e corporativo do culto que se deve prestar a Deus. O nosso Deus fez uma provisão graciosa por seu povo. Ou seja, que O adoremos juntos. Esta verdade perece dia após dia em nossa época. Desde o iluminismo, na cultura ocidental e particular, o indivíduo tornou-se o centro de todas as coisas e essa preocupação absorvente com o indivíduo desfechou um golpe mortal no pensamento bíblico com respeito à aliança. Os cristãos não têm mais qualquer doutrina, não têm mais esta compreensão do caráter coletivo da Igreja, e mesmo cristãos que se professam reformados não têm mais qualquer sentido do caráter corporativo do culto da aliança. Estou cada vez mais convencido que o sábado cristão é talvez o meio principal usado por Deus de educar o seu povo na vida e no culto do pacto. Guardar o Dia do Senhor, o sábado cristão, é o antídoto poderoso para aquele individualismo absorvente que marca tanto o mundo que nós vivemos como a igreja de Cristo.

III) O shabbat coloca diante de nós os grandes feitos de Deus na criação e na redenção. No sábado cristão somos graciosamente capacitados por Deus em nos centralizarmos na criação e na redenção e despertar nossos corações e mentes ao seu louvor. Calvino coloca o seu dedo exatamente nesse ponto. No livro II das Institutas, capítulo 8, ele diz:

“Durante o repouso do sétimo dia, na verdade, quando Deus determinou que se descansasse no sétimo dia, o legislador divino queria falar ao povo de Israel do descanso espiritual quando os cristãos devem deixar de lado o seu trabalho para permitir que Deus trabalhe neles”.

Em outras palavras, o shabbat nos dá oportunidade de repousar de nossas próprias obras e nos concentrar nas obras de Deus. Nesse sentido, o shabbat é um símbolo evangélico, um glorioso símbolo semanal da justificação gratuita. Nós vivemos em uma época em que os cristãos andam em busca de sinais e símbolos. Demos a eles o grande símbolo do Evangelho: um dos grandes símbolos e sinais do Evangelho é o shabbat que nos foi dado por Deus.

IV) O shabbat destaca a importância dos cultos matinais e vespertinos. Parece muito simplório. Mas mesmo assim é importante falar deles. Honrem o sábado cristão, não somente uma parte dele, mas como um todo. Se havia uma coisa que caracterizava a religião puritana, a prática puritana, era a maneira cuidadosa que brotava de seus corações e pela qual eles se entregavam alegremente, de forma não legalista, à guarda do Dia do Senhor.

V) O Dia do Senhor é uma preparação para o céu. Ouçamos as palavras de Richard Baxter: “Qual o dia mais apropriado para subir ao céu do que aquele em que Ele ressurgiu da terra e triunfou completamente sobre a morte e o inferno? Use o seu shabbat como passos para a glorificação até que tenha passado por todos eles e chegue à glória”. A religião puritana floresceu no solo regozijante da guarda do sábado cristão. É por causa destas coisas que somos chamados em Isaías 58, pelo próprio Senhor, para considerarmos o sábado como um deleite e a isso ele adiciona uma promessa. Se guardarmos seus sábados como sendo um deleite, encontraremos nossa alegria no Senhor.

Esse capítulo 58 de Isaías é mais uma confirmação de que a guarda do sábado cristão deveria ser considerada como parte da Lei Moral e não simplesmente mais uma observância pertinentes às leis cerimoniais. Esta passagem de Isaías onde o mero cerimonialismo é denunciado pelo profeta, há um apelo para a guarda do sábado como sendo importante para o culto espiritual.

Sei que existe o perigo de dar ao sábado cristão um lugar central no culto, fazendo com que ele torne-se um exercício de justiça própria. Sabemos da condenação tremenda feita pelo Senhor em Isaías 1. Mas os crentes reformados deveriam guardar o Dia do Senhor de forma santa. Devemos chamá-lo de um deleitoso. Por quê? Por causa de nossa obediência ao nosso Deus e amor ao nosso Salvador. Jesus disse: “Se vocês me amam, guardem meus mandamentos”.

Neste sentido a guarda do Dia do Senhor, o sábado cristão, ou é o resultado da obediência legalista, ou da obediência evangélica. Se for o produto de uma obediência legalista, a guarda do dia do Senhor será sem alegria, monótona, formal e alguma coisa que simplesmente traz auto-justiça e vaidade pessoal. Mas se a guarda do Dia do Senhor é o resultado de uma obediência evangélica, será profundamente regozijante. Diremos como o salmista: “Alegrei-me quando me disseram, vamos à casa do Senhor”. Se for uma guarda por causa de uma obediência evangélica, será algo refrescante que nos revigora e nos humilha.

John Murray, cujos escritos trouxeram uma impressão inapagável na minha vida quando moço (Por exemplo: Redenção, Conquistada e Aplicada (Cultura Cristã ― Obra que considerei como a melhor peça sobre justificação jamais escrita por alguém), disse: “O shabbat semanal é uma promessa, um sinal, e um antegozo daquele descanso consumado. A filosofia bíblica do shabbat é de tal maneira, que negar sua perpetuidade é privar o movimento da redenção de uma das suas mais preciosas características”.

Vivemos numa época em que mais do que nunca precisamos resgatar o shabbat para o povo de Deus, porque amamos o povo de Deus e desejamos seu bem diante de Deus. Sabemos que Deus quer abençoar Seu povo com isso. Mas sabemos também que a bênção que Ele deseja dar nunca virá sem a honra que o povo deve ao Dia do Senhor. Pelo bem espiritual dos nossos filhos devemos educá-los ensinando a honrar o Dia do Senhor, mas não como uma coisa rotineira e sem alegria. Como poderia o cultuar a Deus e esperar nEle ser algo monótono ou cansativo? Na verdade, o Dia do Senhor foi algo criado por Deus para o bem de Seus filhos. Estou quase convencido que o sucesso dos puritanos pode ser traçado por seu compromisso de guardar o Dia do Senhor para honra de Deus. Deus abençoou grandemente seus labores, seus escritos, porque foram homens e mulheres que honraram o dia do Senhor.

Finalmente cito Baxter porque creio que suas palavras expressam o coração da compreensão puritana com respeito ao shabbat: “Que dia é mais apropriado para subir ao céu do que aquele em que ele ressurgiu da terra e triunfou plenamente sobre a morte e o inferno? Use seus shabbats como passos para a glória até que tenha passado por todos eles e lá tenha chegado”.

O Dia do Senhor é para o povo do Senhor como um antegozo ou penhor do céu que nós tanto almejamos. Nós desejamos e sonhamos com aquele dia em que estaremos com o Senhor para sempre. Até que aquele dia venha, façamos do Dia do Senhor tudo aquilo que Deus gostaria que fizéssemos. Que seja o pulso palpitante da vida espiritual da Igreja e que partindo de nossa obediência evangélica nos reunamos para o encontro com nosso Deus e para receber as promessas que Ele decidiu nos dar, para aqueles que honram o Seu dia, porque assim honram aquEle que instituiu esse dia.


Amém.
 
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