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quinta-feira, 20 de junho de 2013

O Exemplo dos Puritanos Ingleses


Por

Errol Hulse



 Por que deveriam os cristãos de hoje ter algum interesse pelos Puritanos ingleses? A resposta para isso é que os Puritanos ingleses deixaram para a Igreja Cristã uma das mais valiosas bibliotecas de livros expositivos. Em anos recentes tem havido um redescobrimento desta herança literária.

Quem eram os Puritanos ingleses?

Quando ocorreu a Reforma do século XVI três focos distintos de reforma se desenvolveram: o alemão, o suíço (incluindo a França) e o inglês. Destes três o mais fraco e menos auspicioso era o inglês. No princípio a oposição era feroz. Foram queimados até a morte na estaca 277 líderes cristãos durante o reinado da Rainha Maria. Ela chegou a ganhar o título de “Maria a Sanguinária’ durante o seu reinado de 1553 a 1558. Felizmente o reinado dela foi curto. No entanto, foi pelo sangue derramado e pelas cinzas queimadas dos mártires que a causa de Cristo cresceu e prosperou. Foi durante o reinado da Rainha Elizabeth (1558-1603) que o movimento Puritano nasceu. Ministros piedosos multiplicaram-se pela nação.
Esses ministros apoiaram um ao outro em uma fraternidade religiosa. No início os Puritanos receberam o nome Puritano porque eles buscaram purificar a Igreja Nacional de Inglaterra. Em tempos posteriores, porém, eles foram chamados de Puritanos por causa da pureza de vida que eles buscaram. Eles tinham a intenção de reformar a Igreja da Inglaterra. O seu anseio era conformar a Igreja nacional à Palavra de Deus em seu governo, adoração e prática. 


A Rainha Elizabeth era a cabeça da Igreja nacional e ela se opôs e bloqueou o avanço da reforma. Quando James I (que reinou entre 1603 a 1625) subiu ao trono havia a esperança de que finalmente a reforma progredisse. Ao invés disso a luta se intensificou. Nada melhorou quando Charles I subiu ao trono em 1625. Os ministros começaram a desacreditar de que haveria alguma melhora e alguns partiram para a América onde uma nova estirpe de Puritanos se desenvolveu. A situação chegou a um clímax quando a guerra civil começou durante a década de 1640. Naquele tempo Oliver Cromwell tornou-se o governador supremo em lugar do Rei. Quando Cromwell morreu não havia ninguém satisfatório para substituí-lo. A nação voltou à monarquia. Charles II subiu ao trono.
A luta na Igreja renovou-se com conflitos ainda mais árduos do que antes. Um ato do Parlamento foi aprovado, o qual exigia plena conformidade com regras que os Puritanos simplesmente não poderiam seguir. Em 1662 mais de 2000 ministros e líderes da Igreja de Inglaterra foram forçados a sair. Em lugar de comprometer suas consciências eles optaram por renunciar. Os historiadores consideram que o período Puritano encerrou-se naquele ano, 1662. Porém foi depois de 1662 que os Puritanos escreveram algumas de suas melhores obras. John Bunyan ficou preso durante doze anos depois de 1662. Foi na prisão que ele escreveu O Peregrino.
Dois Puritanos que viveram neste período posterior merecem especial atenção.
John Owen (1616-1683) é chamado “O Príncipe dos Puritanos’. Ele foi capelão no exército de Oliver Cromwell e vice-chanceler da Universidade de Oxford, mas a maior parte da sua vida ele serviu como pastor de uma igreja. Suas obras escritas somam 24 volumes e representam o que há de melhor em termos de teologia no idioma inglês. Em vários assuntos importantes como o Espírito Santo, Mortificação do Pecado e Apostasia, ele é insuperável.
Richard Baxter (1615-1691) foi um prolífico escritor e incluído em seus trabalhos está O Manual Cristão (The Christian Directory) que consiste em uma aplicação prática detalhada do evangelho a todos os aspectos da vida. Esta provavelmente é a exposição desse tipo mais abrangente que já foi escrita.
Na exposição de Baxter da Vida Cristã vemos a idéia Puritana de que a graça deve permear a natureza. 


Durante o período pré-reforma a graça e a natureza ficavam separadas. Este é o conceito do Universo em dois pavimentos. Escada acima está o espiritual e santo. Escada abaixo fica o pecaminoso, carnal e profano. Por exemplo, o clero foi proibido de se casar já que o matrimônio era considerado terrestre e, portanto, pecaminoso. Lutero reformou isso em parte e trouxe a graça para ficar lado a lado com a natureza. Por exemplo, ele se casou com uma ex-freira, Catarina. João Calvino foi mais adiante e ensinou que a graça deve permear a natureza. O que é terreno deve ser santificado pelo divino. Os Puritanos foram mais adiante ainda e ensinaram com maior detalhamento do que Calvino que os princípios bíblicos devem ser aplicados a todos os aspectos da vida. Há princípios bíblicos ou ética bíblica para o matrimônio, a educação de crianças e condução do lar, para os professores e professores universitários, médicos, advogados, arquitetos e artistas, para os fazendeiros e jardineiros, políticos e magistrados, para os homens de negócios e lojistas, para os militares e para os banqueiros. Para os Puritanos a dicotomia (divisão) entre natureza e graça, que era a visão prevalecente entre os teólogos medievais, estava essencialmente errada. Eles negaram qualquer ensino do tipo em que as coisas divinas são coisas santas e as terrestres são malditas e maculadas. Para os Puritanos a graça tem que penetrar e permear toda a vida terrestre e tem que santificá-la. Até mesmo os sinos dos cavalos são santificados para Deus (Zac 14:20).
Em contraste com isso os Anabatistas se retiraram da sociedade com base no argumento de que esta era pecadora e corrupta. Os Anabatistas desencorajavam os homens de tornarem-se políticos ou magistrados. Com respeito à guerra tanto Calvino quanto os Puritanos ensinaram que a defesa era permitida. Os Anabatistas eram pacifistas e não queriam ter nenhuma relação com assuntos militares. É importante que lembremos que há tipos diferentes de batistas. Por exemplo, John Bunyan era um batista firmemente arraigado na tradição Puritana assim como os batistas reformados de hoje. É fácil ver quão próximos os batistas reformados estão dos presbiterianos (os filhos de João Calvino) quando comparamos a 2ª Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 com a Confissão de Fé de Westminster. Vinte e oito dos trinta e dois capítulos são virtualmente idênticos. Estas Confissões de Fé representam o ponto alto do Puritanismo. Os Puritanos ingleses seguiram o exemplo de Calvino ao se envolverem com todos os aspectos da vida.
Por exemplo, Calvino era muito ativo na promoção da educação. Em 1559 ele fundou a Academia de Genebra com o intuito de construir uma Comunidade Cristã. Esta Academia atraiu estudantes de todas as partes da Europa e ao tempo da morte de Calvino, em 1564, contava com 1200 estudantes. Os Puritanos estavam igualmente preocupados de forma apaixonada com a educação e com os altos padrões acadêmicos. Quase todos os Puritanos eram formados em Oxford e Cambridge. Sidney Sussex College e Emmanuel College, em Cambridge, eram famosas instituições de ensino puritanas.
Calvino também preocupava-se com o sustento das 5000 famílias de refugiados que afluíram para Genebra entre 1542 e 1560. Ele foi fundamental no estabelecimento de dois hospitais e em um deles havia uma indústria de tecidos bem como uma tecelagem e uma fábrica de potes. (cf Building a Christian World View, vol 2, p 242, edited by W. Andrew Hoffecker, Presbyterian and Reformed, 1988). Até aqui eu descrevi Calvino em termos positivos. Como Lutero e como todos os demais líderes ele também teve pés de barro. Havia tendências autoritárias em Genebra que desfiguraram em parte o ministério de Calvino. Recomendo os ensaios no volume editado por Hoffecker por apresentarem uma visão equilibrada de Calvino em detrimento daqueles que idolatram aquele reformador. 


Esse interesse universal no bem-estar humano e essa preocupação social estão amplamente refletidos nas vidas dos Puritanos. Quando olhamos atrás para aquele período deveríamos notar que pressões e provações podem extrair o que há de melhor nos cristãos. A alta qualidade da exposição bíblica, equilibrada entre doutrina, experiência e aplicação prática foram frutos da tribulação. Em nossa geração a republicação deste material pela Banner of Truth na Inglaterra, e posteriormente pela editora americana Soli Deo Gloria tornou disponíveis muitos livros Puritanos preciosos.
A pergunta fica no ar: Por que os Puritanos são tão eficientes ensinando a teologia reformada levando-se em consideração que tantos outros falharam? A resposta é que o gênio espiritual dos Puritanos sempre repousou no fato deles serem homens de oração. Para eles a teologia não era somente um exercício acadêmico ou intelectual. A teologia reformada foi projetada para transformar vidas e inspirar ação. Este gênio era um gênio espiritual no qual os Puritanos cultivavam a oração, a doutrina, a experiência e a aplicação prática em equilíbrio e harmonia. Hoje costumamos ouvir o clamor de que Cristo une, mas a doutrina desune! Dêem-nos Cristo, não doutrina, é o lema! Para os Puritanos isso não passava de tolice superficial. Cristo vem a nós envolto no ensino bíblico, ou seja, na doutrina. Além disso, é a doutrina que dirige a vida. Doutrina é essencial. Ela é fundamental para tudo, mas deve ser aplicada de maneira amorosa e persuasiva.

 

O exemplo Puritano em aplicar a doutrina Cristã e o mandato cultural


As cartas neotestamentárias de Romanos, Efésios e 1 Pedro ilustram o princípio de uma aplicação tripartite do evangelho: primeiro nossa posição na igreja, segundo no matrimônio e na família, e terceiro a nossa posição no mundo.
Primeiro a vida deve ser mudada e deve ser trazida sob o domínio de Cristo. A partir da Igreja como o centro onde o crente deveria ser inspirado pela pregação ele sai para o mundo. Lá, no mundo, ele deve ser o sal da terra e a luz do mundo (Mat 5:13-16).
Como vemos na Confissão de Westminster e na Confissão Batista de 1689 os Puritanos acreditavam nas doutrinas da graça como a eleição e a redenção particular (Rom 8:28-30). Eles seguiram Calvino, resistindo a falsas racionalizações humanas. Por exemplo, eles resistiram à idéia de que Deus só ama os eleitos e odeia os não-eleitos. Esse erro é chamado de hiper-calvinismo. É um erro muito sério que está ocorrendo repetidas vezes nos dias de hoje. Os Puritanos eram peritos no seu entendimento do conceito de graça comum embora eles não tenham usado esse termo. O seu ensino está completamente de acordo com o modo pelo qual a doutrina da Graça Comum é exposta pelo Professor John Murray (cf. Works). Eles acreditavam que o Espírito Santo está constantemente em atividade, refreando o mal e promovendo o bem por toda a sociedade. Os Puritanos acreditavam no amor universal de Deus por todo o gênero humano (1 Tim 2:1-6; 2 Ped 3:9). Eles acreditavam na provisão universal de Deus para todo o gênero humano de acordo com a aliança feita com Noé como representante do mundo inteiro (Gen 8:20-22 e Sal 145).
Os Puritanos sustentavam que o mandato cultural de explorar e desenvolver toda a criação baseia-se em Gênesis 1:28-30. O Cristão deve esforçar-se para ser perfeito em toda boa obra e assim ele se esforça, sabendo que só Deus pode torná-lo perfeito em toda boa obra (veja Heb 13:21 KJV). Incluídos nas boas obras estão todos os aspectos do trabalho e da pesquisa. Toda vocação lícita deve ser perseguida usando princípios bíblicos como guia. O princípio importante é que os Puritanos trabalharam de dentro para fora, ou seja, da Igreja para fora, para o mundo. É correto os cristãos encorajarem a reforma de sociedade em todas as áreas: educação, política, economia, medicina, ciência. Porém é possível tornar-se tão absorto em nossa chamada secular com todas as suas elevadas exigências a ponto de acabarmos perdendo o equilíbrio da Igreja e da família. Equilíbrio é essencial. Os Puritanos personificaram esse equilíbrio.
"O princípio importante é que os Puritanos trabalharam de dentro para fora, ou seja, da Igreja para fora, para o mundo."
Sermões foram pregados em temas como o cuidado universal quanto aos detalhes no trabalho o que incluía a necessidade de ser probo, digno de confiança e honesto; cumprindo os contratos ou acordos. Os Puritanos eram rígidos em opor-se à corrupção e ao nepotismo na vida dos negócios. Eles não hesitaram em pregar em textos do tipo: “Balança enganosa é abominação para o SENHOR, mas o peso justo é o seu prazer.’ (Prov 11:1).
Quase todos os Puritanos pregaram sermões seqüenciais e expositivos cobrindo, desta forma, todos os assuntos contidos na Bíblia. Mas eles estavam preparados para romper com esse método sempre que fosse necessário. Durante a guerra civil na década de 1640 uma cidade foi invadida por soldados leais ao rei. Estes soldados se comportaram muito mal. Parte do seu mau comportamento estava em jurar e praguejar. O ministro daquela cidade era um Puritano chamado Robert Harris. Ele pregou um sermão em Tiago 5:12: Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes, seja o vosso sim sim, e o vosso não não, para não cairdes em juízo. Isso foi tão efetivo e tão condenatório para aqueles rudes soldados que eles ameaçaram atirar em Harris se ele pregasse novamente naquele texto. Destemidamente, no domingo seguinte ele anunciou como seu texto Tiago 5:12 e começou a expor! Ele chegou a ver um dos soldados preparar sua arma para atirar. Mas o soldado foi contido e não teve coragem de atirar no pastor. A convicção em seguir a ética bíblica em todos os assuntos custou caro aos Puritanos. Na adoração a Deus eles não estavam preparados para ceder, submetendo-se a regras feitas por homens ou criadas através da tradição.
O mesmo era verdade quanto à vida nos negócios ou no comércio. A ética Puritana do trabalho tornou-se famosa. É chamada de ética protestante do trabalho. Ela significa que o trabalhador sempre dá honestamente o seu melhor serviço. Ele nunca rouba tempo ou bens do seu empregador. Por outro lado o empregador Cristão deve ser justo com seus empregados e tratá-los bem (Tiago 5:1-6).
O cuidado escrupuloso quanto a detalhes está refletido no documento Puritano conhecido como Catecismo Maior de Westminster.
Qual é o oitavo mandamento? Resposta: O oitavo mandamento é: “Não furtarás.’
Quais são os deveres exigidos no oitavo mandamento? Resposta: Os deveres exigidos no oitavo mandamento são: a verdade, a fidelidade e a justiça nos contratos e no comércio entre os homens, dando a cada um o que lhe é devido, a restituição de bens ilicitamente tirados de seus legítimos donos; a doação e a concessão de empréstimo, livremente, conforme as nossas forças e as necessidades de outrem; a moderação de nossos juízos, vontades e afetos, em relação às riquezas deste mundo; o cuidado e empenho providentes em adquirir, guardar, usar e distribuir aquelas coisas que são necessárias e convenientes para o sustento de nossa natureza, e que condizem com a nossa condição; o meio lícito de vida e a diligência no mesmo; a frugalidade; o impedimento de demandas forenses desnecessárias e fianças, ou outros compromissos semelhantes; e o esforço por todos os modos justos e lícitos para adquirir, preservar e adiantar a riqueza e o estado exterior, tanto de outros como o nosso próprio.
Os Puritanos sobressaíram-se na pregação de um modo prático e muitos dos seus sermões refletem claramente esta preocupação em ser prático. Aqui estão alguns exemplos de títulos de sermões extraídos dos famosos sermões de Cripplegate que foram pregados em Londres e recentemente republicados em seis grandes volumes:
Que luz deve brilhar em nosso trabalho? (Richard Baxter)
Como devem ser encorajadas e apoiadas as mulheres que deram à luz? (Richard Adams)
Como devemos perguntar por notícias não como atenienses, mas como cristãos? (Henry Hurst)

 A esperança Puritana e o futuro


Em relação à segunda petição da Oração que o Senhor nos ensinou, Venha o Teu Reino, o Catecismo de Westminster sugere que deveríamos orar para que o reino do pecado e de Satanás seja destruído, o evangelho seja propagado por todo o mundo, os Judeus sejam chamados, a plenitude dos Gentios seja trazida, a Igreja seja plenamente equipada com todos os ministros do evangelho e as ordenanças, purificada da corrupção e aprovada e mantida pelos magistrados civis.
Os Puritanos acreditavam no reino de Cristo no presente. Eles ensinaram que não devemos ser desencorajados pelas trevas que prevalecem. Nós sempre podemos esperar a oposição feroz e o ódio de Satanás. No entanto, devemos sempre observar a soberania de Deus. Devemos lembrar a promessa de que Cristo reinará até que todos Seus inimigos se tornem estrado dos seus pés. Quando o Seu plano de evangelização mundial estiver completo ele virá e conquistará o último inimigo que é a morte (Sal 110:1; 1 Cor 15:25). Os Puritanos sustentavam que nós estamos nos últimos dias, isto é, a última e definitiva dispensação. É durante esse tempo que o monte da casa do SENHOR será estabelecido como principal entre os montes (Isa 2:2). É por esse tempo que a pedra citada por Daniel na interpretação do sonho de Nabucodonosor tornar-se-á uma montanha enorme e encherá a terra inteira (Dan 2:35 e 44). De acordo com os Puritanos esse é o tempo em que teremos que interceder para que as nações se tornem a herança de Cristo e os confins da terra venham a ser sua possessão (Sal 2:8). A Confissão Puritana de Westminster não é pré-milenista em seu ensino. 


A visão Puritana dá lugar à esperança quando declara que a grande apostasia predita em 2 Tessalonicenses 2 é cumprida no papado (veja o cap. 25 parágrafo 6). Isso é importante porque significa que nós precisamos resistir a uma atitude negativa de derrotismo como se Satanás fosse ter a vitória final. Nós devemos cumprir a grande comissão de ensinar todas as nações. Como Iain Murray mostra em seu livro A Esperança Puritana (The Puritan Hope), a escatologia dos Puritanos ingleses está no coração do grande movimento missionário mundial do século XIX. Esta visão positiva do futuro conhecida como escatologia da vitória tem tremendas implicações porque inspira visão. Motiva o esforço e o empreendimento. Se nós acreditarmos que o mal superará tudo, estaremos sujeitos ao temor e ao desespero. Assim não estaremos inclinados a nos esforçar muito. Já se o Evangelho for destinado a prevalecer em todas as nações então seremos inspirados a tentar grandes coisas para Deus. Buscaremos ganhar as nações para Cristo. E ganhar as nações para Cristo significa dizer que os corações de homens e mulheres serão renovados e trazidos à obediência ao Evangelho. O reino de Deus está dentro de nós. É daquela posição de estar “em Cristo’ que nós aplicamos os ensinos da Bíblia a todas as esferas da vida como Calvino e os Puritanos ingleses procuraram fazer.
Com respeito à cultura nós temos um mandato para desenvolver todas as esferas e trazer todas as áreas da vida humana sob as ordens e o domínio do Príncipe da Paz (Sal 8). Devemos orar sempre para que a Sua justiça prevaleça. Devemos orar a oração do Salmo 72. Precisamos declarar que o Príncipe da Paz prevalecerá. Nossa expectativa é de que ele defenda os aflitos dentre as pessoas e que salve os filhos dos necessitados. Precisamos orar para que a terra inteira seja cheia da Sua glória assim como as águas cobrem o mar (Sal 72). Os Puritanos creram nessas perspectivas como tendo cumprimento certo. O futuro era tão glorioso quanto as promessas de Deus. Essas promessas têm um efeito radical em nossas vidas de oração. Que todos nós sejamos incitados a não dar nenhum descanso ao SENHOR até que ele estabeleça a Sua Igreja e faça dela um objeto de louvor na terra (Isa 62:6,7).

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Fonte: Bom Caminho  (http://www.bomcaminho.com/eh001.htm)

sábado, 18 de maio de 2013

Culto Verdadeiro a Deus Não é Show,
e
Louvor Agradável a Deus Não é Baderna


Qual O Culto que Agrada a Deus?
Qual o Louvor Que Deus Pede?


Pastor Calvin Gardner
Pastor Jorge Nelson Lopes
2006


Diante das afirmações ousadas de um ministrante de louvor batista cremos que esse ministrante está equivocado quando este enfatiza que Deus aceita, e até prefira, show e louvorzão. Não cremos que Deus é silencioso ao modo aceitável de O cultuar e O louvar. Através dessa refutação, procuramos estabelecer o culto que agrada a Deus e qual o louvor que Deus pede. A adoração e louvor que agrada Deus na Sua casa estão impressas na bíblia.  Estão claramente afirmadas para todos que tenham olhos para ver.

Qual O Culto que Agrada a Deus?

O culto que agrada a Deus é aquele que vem de um coração puro (Sl 15.1-5; I Tm 2.8). Está claro que aquele que habitara no Teu tabernáculo e no Seu santo monte é aquele que anda com as mãos santas no temor de Deus, e não com uma liturgia de atitude criativa que usa a cultura de um povo como padrão.  As mãos santas que devem ser levantadas são as de um coração puro e não destes membros da anatomia em quais o pecado habita (Rm 7.18, 23). As mãos que devem ser levantadas em oração são as que são santas.  De outra forma Deus não nos ouvirá (Sl 66.18, “Se eu atender à iniqüidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá”).  É melhor orar, e adorar, com um coração puro.

Pureza de coração no temor do Senhor nos levará a fazer tudo para a glória de Deus na igreja (Pv 1.7; Ec 12.13; I Co 10.31; Ef 3.21). O adorador temente a Deus não ousará adicionar qualquer atividade conforme o seu coração, mas se limitará àquela adoração que a bíblia estabeleceu como aceitável no culto da igreja. Uma atitude de temor a Deus desprezará a criatividade oriunda do seu próprio coração naquilo referente à adoração a Deus. Um exemplo disso é o rei Davi.  Ele foi criativo em sua forma de adoração, pois quis erguer um templo a Deus. O desejo foi excelente mas a ação foi proibida. A idéia de adorar a Deus foi reprovada por ele ser homem de guerra e ter derramado muito sangue (I Cr 22.8 e 28.3). Nisso entendemos que o culto que agrada Deus não é medido somente por um coração sincero, ou por uma atitude criativa, mas o culto desejado por Deus é aquele baseado no ensino da Palavra de Deus. A emoção não é espiritualidade, mas submissão à Palavra de Deus cria aquele coração puro que é adoração aceitável.

Paulo se refere aos coríntios, como santificados em Cristo Jesus. No entanto ele os escreve relatando os problemas deles.  Esses problemas não eram comportamentos adequados de santificados em Cristo Jesus. Ele ensinou-os que o culto a Deus não deve ser com fornicação, desunião ou desordem (I Co 1.1,2; 3-11; 14). Deus não aceita culto, senão aquilo ao nível dos santificados em Cristo Jesus.
Talvez alguém, querendo celebrar louvores, decida fazer de uma forma espetacular a adoração com programação cheia de coreografias, músicas, instrumentos, vestimentas extravagantes, efeitos, etc. Muitos vão gostar e apoiar esses louvores, e, de fato, acabam achando que estão louvando a Deus. Todavia sendo o coração enganoso, poderão estar agradando somente a carne (Jr 17.9; I Jo 2.16). Pode ser que nenhum destes seja conhecido por Deus (Mt 7.21-23).
Não podemos ser guiados por pensamentos criativos ou simplesmente por um coração sincero. Temos que nos limitar ao padrão neotestamentário. A igreja não tem o luxo de legislar, mas somente executar o que Jesus tem mandado (Mt 28.18-20).  Fomos criados na imagem de Deus e por isso, contrário aos animais, temos o poder de controlar nossas emoções. Ser racional e controlar as emoções é fundamental quando cultuamos a Deus (I Co 14.32, 40). Deus é tão grande que não temos todo o conhecimento apropriado para adorar a Deus corretamente (Jó 38).  Por isso é básico que nos limitamos à Sua Palavra.  Se O adoramos sendo guiados somente pelo nosso coração, provavelmente será uma adoração enganosa e perversa (Jr 17.9, “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”). Não segue seu próprio coração. Segue o que Jesus legislou, a bíblia.
Podemos questionar se as coreografias, louvorzão, etc., agradam a Deus, uma vez que, além de não serem bíblicas, estas não produzem o arrependimento, a mudança de comportamento para a santidade, e nem promovem a edificação nas Escrituras (Ef 4.15-24). Se fossem essas invenções modernas que balancem o corpo e estouram os timpanais e muitas vezes aparentem que tenham origens das profundezas de espiritualidade, se fosse realmente tudo aquilo que aparentam, por que a carne é bem alimentada por elas e somente as emoções são exercitadas por tais produções? Por que tais cultos não levam para maior evangelização ao mundo pecador? Por que não prolifere o culto domestico que inclui a leitura bíblica com a família e oração conjunta pela obra de Deus, os sem Cristo, doentes, etc.? Por que não tais produções espetaculares e talentosas não geram maior crescimento na graça e no conhecimento de Jesus Cristo? Não produzem tais virtudes por não ter o alvo de admoestar ou ensinar doutrina, algo que é primordial para qualquer renovação correta e bíblica (Cl 3.10; I Pd 2.2). Tais virtudes serão realidades exclusivamente pelo ensino profuso de doutrina, cantada ou pregada.  Tanto mais profuso, melhor.  O Apóstolo Paulo ensinou aos da igreja em Colossos: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração”, Cl 3.16. Portanto, se a adoração não admoesta ou ensina de Jesus Cristo, não é agradável a Deus.
Para provar que não é permitido a cultuar a Deus segundo a nossa “bem-intencionada” imaginação citamos um caso bíblico entre muitos. Aquilo que o rei Davi programou, segundo o seu coração bem intencionado, com todo um show para levar o altar para Jerusalém, foi, para ele, recomendável e bonito.  Todavia, para Deus, foi uma terrível imprudência (II Sm 6.1-7).  Para provar ainda mais essa tese que não é permitido a Deus poderíamos falar da adoração segundo o coração de Aarão e dos filhos de Israel. Esse show produziu um bezerro de ouro (Êxodo 32).  O culto que naturalmente sobe do coração leva à satisfação da carne.  Este não é a adoração que agradou Deus. Poderíamos falar da adoração prestada segundo o coração de Gideão em Juizes 8.27, ou da adoração inventiva apresentada pelo povo de Deus com o rei Acaz, uma adoração carnal tal que tinha que ser tirada em II Reis 18.4. Todos destes casos foram do coração e foram prestados com emoção profunda e religiosa. Mas para Deus tudo disso foi enfado. Ele os repugnava! Poderíamos falar também da adoração que emanaria das emoções do Apóstolo João em Apocalipse 19.10; 22.8,9 que eram sinceras, mas levaram o apóstolo João ser repetidamente reprovada. Se Deus desejava criatividade e coisas novas no culto dEle, nenhum desses casos citados teriam trazidos a pesada correção do Senhor.

Por estes exemplos bíblicos entendemos que o culto correto NÃO é uma ATITUDE CRIATIVA feita com o maior esforço do adorador ao Deus que TUDO merece. Por falar de merecimento, Deus não merece o culto inventivo do homem que despreza a Sua única regra de fé e ordem, a Sua Palavra.
Pode ser que o culto que agrada Deus seja antiquado, na opinião de alguns, mas o Espírito Santo ajuda as nossas fracas manifestações de O adorar como Ele nos ensina na Palavra de Deus, e, pelo ministério dEle, a verdadeira adoração chega a Deus (Rm 8.26,27).

Por Deus não mudar (Ml 3.6), o culto que O agradou na Palestina, e na Ásia no primeiro século, agrada Ele completamente neste país sul americana no século XXI.


Qual o Louvor Que Deus Pede?

É explicito e claro que o louvor que Deus pede é louvor espiritual (Jo 4.23,24).  Deus é Espírito.  Por isso o louvor a Ele deve ser exclusivamente espiritual.  O louvor espiritual agradável a Deus tem a sua fonte naquilo que Deus regenerou em Seu povo pela Palavra de Deus, ou seja, no homem novo (I Pd 1.23).  É esse espírito, ou homem interior, que deleita-se na lei de Deus (Rm 7.22).  É esse espírito, ou homem novo, que canta ao Senhor com graça, admoestação e doutrina em salmos, hinos e cânticos espirituais (Cl 3.10, 16).  É este louvor espiritual, oriundo do homem novo, que o apóstolo Paulo instruiu na sua carta aos coríntios: “Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.”, 1 Coríntios 14.15. É este o louvor e adoração que Deus pede.

Qualquer tradição que é bíblica não pode ser mudada sem desviar-se da bíblia.  Para reforçar o ensino aos Tessalonicenses, o apóstolo Paulo, pela inspiração do Espírito Santo deixou registrado: “Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” - II Ts 2.15. O louvor usando os hinos, taxados como liturgia repetitiva, e, portanto, desprezível, por este ministrante batista de louvor, tem que ser afirmado que o hino é um louvor bíblico e, portanto, recomendável e aceitável. O Salmista, o próprio Jesus, e os Apóstolos incluíam os hinos nos louvores deles. Observe os seguintes versículos:

Salmista: “E pós um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR”, Salmos 40.3. Se o Cristão quer louvar o seu Deus corretamente, cantará hinos.  Essa musica é nova, não no sentido de moderna, mas no sentido de diferente, diferente daquela anteriormente cantada pelo salmista na sua vida anterior e pecaminosa. Sendo feito uma nova criatura em Cristo, tudo se faz novo (II Co 5.17).  O que saiu do homem novo gerado pelo Espírito Santo foi um hino!

Jesus: “E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras.”, Marcos 14.26. Se o seu desejo, ou o desejo da sua igreja é de conformar à imagem de Cristo, cante hinos nos cultos!

Apóstolos: “E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam”, Atos 16.25.  Se desejes seguir o exemplo neotestamentário, cante hinos, na aflição ou até em praça pública e lugares onde os ímpios predominam! Hinos ensinam verdades de Deus, de Cristo, da salvação, do arrependimento, da fé verdadeira, da esperança abençoada da vida no porvir, etc.

O Espírito Santo inspirou o ensino da necessidade e dever de usar hinos.

Espírito Santo: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração”, Colossenses 3.16. Se quiser louvar a Deus na maneira que o Espírito Santo ensinou, cante hinos junto com os salmos e cânticos espirituais. Uma observação: Cânticos espirituais não são cânticos emocionais. Cânticos espirituais são a expressão do homem novo com admoestação e doutrina. Apesar do povo latino identificar-se com emoções expressadas com gritaria, abraços apertados, gargalhadas abertas, tudo na maior transparência e inibição, o louvor que Deus pede não é cultural mas do homem novo.  Portanto, é espiritual. Este homem novo renova e identifica-se com o conhecimento maior e doutrinário de Cristo Jesus no culto reverente e com a maior ordem.

Deus não muda de cultura em cultura.  Ele nunca pede gritaria (Ef 4.31), o levantar das mãos físicas (mas das santas, I Tm 2.8), danças sensuais (Mt 6.24; I Jo 2.16) ou palmas nas igrejas (Hc 2.20).
O louvor que Deus pede não é feita com sentimentos profundos que manifestam-se com giros e gestos corporais ou musica alta e rítmica apenas por ser num lugar religioso (“nem neste monte nem em Jerusalém”, Jo 4.21) O louvor que Deus pede é através aquilo que Deus gerou nos Seus pelo Seu Espírito Santo, ou seja, o espírito regenerado (Ef 2.1-10). Este louvor se expressa com reverencia e ordem na Sua casa (Hc 2.20; I Tm 3.15).

Pode ser que muitos tenham dificuldade ou de adorar Deus em espírito ou de gostar de mortificar a carne na adoração por não possuem tal homem interior que deleita-se na lei de Deus. Na face do desgosto de uns para com o louvor que Deus pede e por ter um gosto daquele louvor que é abominação, só existe uma mensagem: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1.15).
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Fonte: http://solascriptura-tt.org/LiturgiaMusicaLouvorCulto/CultoNaoShowLouvorNaoBaderna-CGardner.htm