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sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Batismo (estudo de J.C.Ryle, inédito, confira!)



Quinto capítulo do livro: Nós Desatados
Escrito por John Charles Ryle
1º Bispo da Diocese da Igreja da Inglaterra em Liverpool

Talvez não haja assunto mais controverso no cristianismo quanto o que concerne ao sacramento no batismo. O próprio nome nos traz à mente uma lista interminável de lutas, disputas, controvérsias e divisões.

Esse é um assunto no qual até mesmo os cristãos mais eminentes têm se dividido. Homens santos que conseguiram chegar a um acordo sobre todos os outros pontos, encontram-se divididos de forma irremediável no que concerne ao batismo. A queda do homem afetou a compreensão, bem como a vontade. A natureza humana é de fato caída, milhares concordam sobre o pecado, Cristo e a Graça, mas sobre o batismo se encontram em pólos opostos.

Nas páginas que se seguem, disponho-me a oferecer algumas observações sobre essa controvertida disputa. Não sou suficientemente vaidoso para supor que eu possa lançar alguma luz sobre uma polêmica que tantos grandes homens têm tratado em vão, mas sei que cada testemunha adicional é útil em um caso de disputa. Daqueles com os quais concordo, quero fortalecer as mãos dos mesmos e mostrá-los que não temos que nos envergonharmos de nossas opiniões. Para aqueles dos quais discordo, quero sugerir algumas coisas para consideração e mostrar-lhe que o argumento bíblico nesta matéria não é, como alguns supõem, apenas favorável a eles.

Há quatro pontos aos quais me proponho a examinar.

I. O que é o batismo - A natureza do mesmo
II. De qual forma o batismo deve ser administrado - O modo
III. Quem deve ser batizado
IV. Qual o Lugar que o batismo deve ocupar na religião - A verdadeira posição dele

Se eu puder fornecer uma resposta satisfatória à essas quatro perguntas, eu sinto que terei ajudado, de alguma forma, a clarear algumas mentes


I. Primeiramente, vamos considerar A natureza do batismo – O que é?

(1) O batismo é uma ordenança do nosso Senhor Jesus para a admissão continua de novos membros em sua igreja visível. No Exército, cada novo soldado é formalmente adicionado à matricula do seu regimento. Em uma escola, cada novo estudante é formalmente inscrito nos livros da escola. E todo cristão começa sua vida como membro da igreja, sendo batizado.

(2) O batismo é uma ordenança de grande simplicidade. A parte visível é a água administrada em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ou em nome de Cristo. A parte invisível, interior e significativa, é a lavagem no sangue de Cristo e a purificação interior do coração pelo Espírito Santo, sem a qual ninguém pode ser salvo. O 27º Artigo da Igreja da Inglaterra diz com razão que: “O batismo não só é um sinal de profissão e marca de diferença, com que se distinguem os cristãos dos que não o são, mas também um sinal de regeneração ou novo nascimento”.

(3) O batismo é uma ordenança em que, quando é devidamente empregado, podemos esperar com confiança as mais altas bênçãos. Não é razoável supor que Cristo, o Cabeça da Igreja, nomearia solenemente uma ordenança que seria inútil para a alma tal como um mero registro civil ou inscrição humana. O sacramento que estamos considerando aqui não é uma mera ordenança produzida por homens, mas sim uma ordenança do Rei dos Reis. Quando a fé e a oração acompanham o batismo e se segue um uso diligente dos meios bíblicos, nós somos justificados na busca das muitas bênçãos espirituais. Sem fé e oração, o batismo se torna um mero rito.

(4) O batismo é uma ordenança que é ensinada, expressamente, cerca de 80 vezes no Novo Testamento. As quase últimas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo foram um comando para batizar: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” (Mt 28:19). No dia de Pentecostes, encontramos Pedro dizendo: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2:38) e questionando na casa de Cornélio : “Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo?” (At 10:47). Encontramos S. Paulo não só se batizando, mas batizando discípulos por onde quer que fosse. Dizer, como fazem alguns, que o batismo é uma ordenança sem importância é derramar desprezo sobre a Bíblia. Para dizer, como outros fazem, que o batismo é somente uma coisa do coração, e não uma ordenação visível, é dizer algo que parece claramente contraditório à Bíblia.

(5) O batismo é uma ordenança que, segundo as Escrituras, um homem pode receber e ainda assim não obter nada de bom dele. Têm-se dúvidas disso? Porventura não foram Judas, Simão o Mago, Ananias e Safira, Demas, Himeneu, Fileto e Nicolas, todos eles batizados? Então, qual benefício eles receberam do batismo? De forma clara, sabemos que nenhum benefício eles receberam! Seus corações “não eram retos diante de Deus” (At 8:21). Eles permaneceram “mortos em delitos e pecados” e estavam “mortos enquanto viviam” (Ef 2:1; I Tm 6).

(6) O batismo é uma ordenança da Era apostólica que nasce juntamente com a religião de um homem [Cristo]. No mesmo dia em que muitos dos primeiros cristãos se arrependeram e creram, no mesmo dia foram batizados. O Batismo foi a expressão de fé dos recém-nascidos e o ponto de partida para o Cristianismo. Não me admira então que fosse considerado o veículo de todas as bênçãos espirituais. As expressões das Escrituras: “sepultados com Ele pelo batismo” - “Batizados em Cristo” estariam cheias de profundo significado para estas pessoas (Rm 6:4; Cl 2:12; Gl 3:27; I Pe 3:21). Tais expressões coincidem exatamente com a experiência delas. Mas aplicar tais expressões indiscriminadamente para o batismo de infantes nos nossos dias é, em minha opinião, irracional e injusta. É uma aplicação da Escritura que, creio eu, nunca foi intencional.

(7) O batismo é uma ordenança que um homem pode nunca receber e ainda assim ser um verdadeiro cristão e ser salvo. O caso do ladrão arrependido é suficiente para provar isso. Aqui estava um homem que se arrependeu, creu, foi convertido e deu provas de verdadeira graça, se alguém assim já fez. Não sabemos de outro alguém que tenha sido abordado por tal maravilhosa frase: “Te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23:43). Não há a menor prova de que esse homem tenha sido batizado! Sem o batismo e a ceia do Senhor, ele recebeu as maiores bênçãos espirituais enquanto vivia e foi com Cristo ao Paraíso ao morrer! Afirmar, em face do caso, que o batismo é absolutamente necessário para a salvação é algo monstruoso. Dizer que o batismo é o único meio de regeneração e que todos os que morrem sem batismo estão perdidos para sempre é dizer o que não pode ser provado pela Escritura e é revoltante para o senso comum.

Por aqui, encerro essa parte do assunto. Recomendo as setes proposições que tenho feito para a séria atenção de todos aqueles que desejam obter uma visão clara sobre o batismo. Ao considerar os dois sacramentos da religião cristã, eu asseguro ser de fundamental importância que nos afastemos da imprecisão e mistério com os quais muitos os cercam. Acima de tudo, tomemos cuidado para que não acreditemos em nem mais e nem menos do que podemos provar por simples textos das Escrituras.

Há um batismo que é absolutamente necessário para a salvação e isso vai além de qualquer dúvida. Há um batismo sem o qual ninguém, seja jovem ou velho, tem ido para o céu. Mas que batismo é esse? Não é o batismo nas águas, mas sim o interior, aquele que o Espírito Santo realiza no coração. Não é um batismo que pode ser oferecido por qualquer homem, clérigos ou leigos. Esse batismo é privilégio especial do Senhor Jesus Cristo que concede o mesmo a todos os seus membros místicos. Não é um batismo visível, mas uma operação invisível na natureza interior. “Batismo” - diz S. Pedro - “Nos salva”. Mas qual o batismo do qual ele fala e qual seu significado? Não é a lavagem com água, “não o despojar da imundícia de nossa carne” (I Pe 3:21). é por um Espírito que somos todos batizados em um só corpo (I Co 12:13). Esta é a peculiar prerrogativa do Senhor Jesus para dar esse batismo interior e espiritual. “Ele é” - disse João Batista - “quem batiza com o Espírito Santo” (Jo 1:33)

Tomemos cuidado para que possamos compreender esse batismo salvífico, o batismo no Espírito Santo. Sem esse entendimento, o que você sabe acerca do batismo em águas é de pouca significância. Nenhum homem, seja da Alta ou Baixa Igreja[1], batistas ou episcopais, nenhum homem jamais foi salvo sem que houvesse o batismo no Espírito Santo. Pesada e verdadeira é a palavra do Professor Régio de Teológica de Cambridge, no Reinado de Edward VI[2]: “Pelo batismo de águas somos recebidos na igreja visível de Deus, pelo batismo no Espírito Santo somos recebidos na invisível” (Bucer[3] em Jo 1:33)




II. Vamos considerar o modo de batismo. De que forma deve ele ser administrado?

Esse é um ponto no qual existe uma grande variedade de opiniões. Alguns cristãos acreditam que a imersão total em água se faz necessária e essencial para que um batismo seja válido. Eles sustentam que nenhuma pessoa é de fato batizada se não foi totalmente “imersa” e coberta pela água. Outros, pelo contrário, mantêm a igual decisão de que a imersão não se faz necessária em tudo, mas que a aspersão ou derramamento de uma pequena quantidade de água sobre a pessoa batizada cumpre todos os requisitos de Cristo.

Minha opinião pessoal é distinta e clara, isto é, as Escrituras deixam esse ponto em aberto. Não consigo encontrar nada na Bíblia para justificar a afirmação de que mergulhar, derramar ou aspergir seja essencial para o batismo. Eu acredito que seria impossível provar que qualquer uma dessas formas de batizar fosse a única correta e verdadeira ou completamente errada. Enquanto a água é usada em nome da Trindade, a forma de administrar a ordenança é deixada em aberto.

Esta é a visão adotada pela Igreja da Inglaterra. O Serviço Batismal[4] expressamente sanciona “mergulhados” em um de seus termos.[5] Dizer, como muitos dos batistas fazem, que a Igreja da Inglaterra se opõe ao batismo por imersão é uma prova melancólica da ignorância em que vivem muitos dissidentes. Milhares, eu tenho medo, buscam encontrar falhas no Livro de Oração Comum[6] sem jamais ter analisado o conteúdo do mesmo! Se alguém deseja ser batizado por “imersão” na Igreja da Inglaterra, que entenda que o pároco está tão pronto para imergi-lo quanto qualquer pastor batista e que ele poderá ser batizado por “imersão” na igreja ou mesmo na capela.

Há uma grande massa de cristãos que, no entanto, não se satisfazem com essa visão moderada acerca do assunto. Eles afirmam que o batismo por imersão é o único bíblico. Eles afirmam que todas as pessoas que lemos nas Escrituras ser batizadas o foram por “imersão”. Afirmam, em resumo, que onde não há “imersão” não há batismo.

Temo que seja quase que uma perda de tempo discutir sobre um tema tão controverso. Durante os últimos 200 anos, muito tem sido escrito por ambos os lados sem que haja qualquer efeito, logo não creio poder lançar qualquer nova luz sobre o assunto. O máximo que tento fazer é expor algumas considerações para aqueles que estão em dúvida. Só peço que se lembrem de que eu não afirmo que o batismo por “imersão” seja errado. Tudo que digo é que não é absolutamente necessário e nem absolutamente ordenado nas Escrituras.

Peço então a qualquer uma das mentes duvidosas que considerem: será que todos os batismos descritos nas Escrituras foram por “imersão”? Os três mil batizados em um dia na festa de Pentecostes (At 2:41); o carcereiro de Filipe que foi batizado repentinamente à meia-noite na prisão (At. 16:33); de fato, é de todo provável que foram eles batizados por imersão? Para minha própria mente, tentando ter uma visão imparcial, parece-me por demais improvável. Deixe-os acreditar que pode ter sido assim.

Eu pergunto a qualquer um, para que estes considerem se é de todo provável que um modo de batismo teria sido ordenado, uma vez que tal modo em situações específicas de saúde seria simplesmente impossível de ser feito. Há milhares de pessoas cujos pulmões e constituição geral estão em situações tão delicadas que a imersão total em água e, especialmente, em água fria, seria morte certa para elas. Qualquer pessoa dirá que deve ser negado à essas pessoas o batismo, a menos que sejam mergulhadas? Deixe-os acreditar que podem assim fazê-lo.

Questiono ainda para a consideração se alguma das formas de batizar deveriam ser proibidas, uma vez que em muitos países as mulheres são praticamente excluídas do batismo. A sensibilidade e rigor das nações do Leste[7] no que concerne ao tratamento das esposas e filhos são fatos notórios. Há nações onde as mulheres são tão completamente separadas e isoladas do outro sexo, que se faz ainda maior a dificuldade em falar com eles sobre a religião cristã. Falar de uma ordenança como o batismo por imersão seria, em centena de casos, algo completamente absurdo. Os sentimentos de pais, maridos e irmãos dispostos à doutrina cristã se revoltariam diante da menção ao sacramento. Alguém dirá que essas mulheres devem ser deixadas sem o batismo por não poderem ser “imersas”? Deixe-os acreditar que podem negar o sacramento.

Eu creio que poderia deixar o assunto sobre “modo de batismo” por aqui mesmo, no entanto há dois argumentos favoritos expostos constantemente pelos defensores do batismo por imersão, argumentos sobre os quais acho que devo dizer algo.

(a) Um desses argumentos favoritos é baseado no significado da palavra grega no Novo Testamento, que nós traduzimos para “batizar." Eles sempre afirmam que esta palavra não pode significar nada além de imersão, ou completa "imersão". A resposta ao argumento é curta e simples. A afirmação é totalmente destituída de fundamento. Aqueles mais familiarizados com o grego do Novo Testamento são da opinião de que “Batizar” significa “lavar ou limpar com água”, mas se é por imersão ou não, isso deverá ser dito pelo contexto[8]. Lemos em São Lucas (11:38) que quando nosso Senhor jantou com certo fariseu, “o mesmo admirou-se, vendo que Cristo não se lavara antes de jantar.”. Pode surpreender alguns leitores, talvez, saber que na verdade estas palavras de forma literal seriam “o mesmo admirou-se, vendo que Cristo não se batizara antes de jantar” - mas para o senso comum, está mais do que evidente que o fariseu não esperava que nosso Senhor imergisse ou mergulhasse sua cabeça em água antes do jantar! Significa apenas que ele esperava que fosse feita alguma ablução ou que derramasse água nas mãos antes da refeição. Mas se isto for assim, o que acontece com o argumento de que Batismo significa sempre imersão completa? É cortado e lançado aos pés do defensor da “imersão” e razões além dessas são mero desperdício de tempo.

(b) Outro argumento favorito em favor do batismo por imersão está retratada na expressão “Sepultados com Cristo no batismo” que S. Paulo utiliza em duas ocasiões (Rm 6:4; Col 2:12). Afirmam que indo para dentro das águas batismais e sendo completamente “submerso” nela, somos uma exata representação do sepultamento de Cristo e de sua ressurreição, representando nossa união com Cristo e participando de todos os benefícios de sua morte e ressurreição. Mas infelizmente para esse argumento não há prova alguma de que o sepultamento de Cristo tenha sido em uma cova cavada no chão. Pelo contrário, é muito mais provável que seu túmulo tenha sido feito em uma caverna cortada com uma rocha do lado, como a de Lázaro e em um nível que tivesse solo circundante. Pelo menos essa era a forma usual de se enterrar em Jerusalém. Nesse ritmo, nenhuma semelhança há entre “banhar-se” por imersão, ou batistério, e a morte do nosso Senhor. As ações são diferentes. Que o crente declare sua união com Cristo por profissão de fé viva em Cristo, por meio do batismo, tanto em sua morte e ressurreição, é verdade e não restam dúvidas a esse respeito. Mas afirmar que “ir para debaixo d’água” é ser enterrado assim como o corpo do seu Mestre, é afirmar algo que não pode ser provado.

Ao afirmar tudo isso, encontro-me pesaroso pela possibilidade de estar enganado. Que Deus me livre de ferir os sentimentos de qualquer um dos irmãos que tenha escrúpulos de consciência sobre este assunto e que prefira o batismo por imersão ao batismo por aspersão. Eu não o condeno. Para o seu próprio Senhor, ele está em pé ou cai. Se ele conscientemente prefere a imersão, poderá ser imerso na Igreja da Inglaterra e, de igual modo, todos os seus filhos poderão se assim o agrada. O que eu defendo é a liberdade. Eu não encontro nenhuma forma estabelecida quanto à forma de o batismo ser administrado a não ser o fato de que a água deve ser usada em nome da Trindade. Que todo homem seja persuadido em sua própria mente. Aquele que borrifa ou simplesmente derrama água no batismo não tem o direito de excomungar aquele que mergulha e aquele que mergulha não tem o direito de excomungar aquele que borrifa ou derrama água. Nenhum deles pode eventualmente provar que o outro está totalmente errado.

Aqui encerro essa parte do assunto. Independentemente daquilo que muitos possam pensar, eu estou contente por considerar o modo de batizar como algo indiferente, como uma coisa em que cada um pode usar de sua liberdade. Creio piamente que essa liberdade foi intentada por Deus. Isso está em consonância com muitas outras coisas da dispensação cristã. Não encontro nada preciso no Novo Testamento acerca das cerimônias, vestimentas, liturgia, ou músicas da igreja, formato de igreja, horas de serviço, quantidade de pão e vinho a ser usado na Ceia do Senhor ou a posição e atitude dos comungantes. Em todos esses pontos, eu vejo um critério liberal permitido à Igreja de Cristo, desde que as coisas “sejam feitas para a edificação”, o princípio do Novo Testamento é permitir uma ampla liberdade.

Acredito firmemente, em mim mesmo, que a validade e os benefícios do batismo não dependem da quantidade de água empregada, mas do estado do coração de em quem o sacramento é administrado. Aqueles que insistem que os adultos devem ter suas cabeças mergulhadas em um batistério e aqueles que insistem em espirrar um punhado enorme de água na cabeça das crianças para que sejam admitidas na igreja, estão ambos, da mesma forma, no meu julgamento, muito equivocados. Ambos anexam à quantidade de água usada muito mais importância do que aquilo que encontro nas Escrituras. Algo tem sido dito de forma divina - “A pequena gota de água pode ser usada para selar a plenitude da Graça Divina em um batizando, bem como um pedaço de pão e a menor degustação de vinho na Santa Ceia” (Herman Witsius, Econ. Fed. l. 4, ch. xvi. 30.) Concordo inteiramente com essa opinião.[9]

III. Vamos considerar os sujeitos do batismo. A quem o batismo deve ser administrado?

É impossível lidar com essa parte da questão sem entrar em colisão com os demais, mas espero que o faça dentro de um espírito gentil e temperado. De qualquer forma, não evitarei a discussão por medo de ofender os batistas. Pontos controversos na teologia nunca são suscetíveis de resolução a menos que os homens de ambos os lados expressem claramente aquilo que pensam e dêem razões de suas opiniões. Evitar um assunto por ser controverso não é nem honesto e nem sábio. Um clérigo não tem por que reclamar de seus paroquianos terem se tornado batistas se ele nunca os instruiu acerca do batismo infantil.

Gostaria de iniciar por aquilo que se estabelece como um ponto quase que incontestável, que todos os convertidos adultos dentre as nações deverão ser batizados em um posto missionário. Tão logo creiam no Evangelho e façam uma confissão de fé em Cristo, devem, de uma vez por todas, receber o batismo. Esta é a doutrina e a prática da Igreja Episcopal, Presbiteriana, Wesleyana e Missionárias Independentes, tanto quanto é a doutrina dos batistas. Que não haja engano quanto a este ponto. Dizer como os batistas sobre o “batismo de crentes”, como se isso fosse uma espécie de batismo peculiar do seu próprio corpo denominacional, é simplesmente algo absurdo! O batismo dos que crêem é conhecido e praticado em todas as missões bem sucedidas do mundo.

Mas prossigo dando um passo adiante. Eu tenho por verdade cristã que os filhos de todos os cristãos professos têm o direito ao batismo, se os pais desejarem, bem como seus pais. É claro que os filhos dos incrédulos professos e pagãos não tem esse mesmo direito, uma vez que estão sob a responsabilidade de seus pais. Mas os filhos de cristãos professos estão em uma posição totalmente diferente. Se seus pais os oferecem para serem batizados, a Igreja deverá recebê-los no batismo sendo vedado o direito de recusa.

É precisamente neste ponto que há uma grave divisão entre o corpo de cristãos chamados batistas e a maior parte dos cristãos em todo o mundo. Os batistas afirmam que ninguém que não tenha feito uma profissão de arrependimento e fé deva ser batizado e que como as crianças não podem fazê-lo, não podem ser batizadas. Penso que esta afirmação não é confirmada pela Escritura e vou continuar a dar razões de por que penso assim. Eu acredito que pode ser demonstrado que os filhos de cristãos professos têm o direito ao batismo e que é um completo erro não lhes batizar.

Permita-me lembrar ao leitor que a questão em análise não é o Serviço Batismal da Igreja da Inglaterra. Se esse serviço é certo ou errado - se é útil ter padrinhos e madrinhas - não é o ponto dessa controvérsia[10]. Seria mero desperdício de tempo dizer algo sobre isso. Em princípio, a questão que é posta diante de nós é simplesmente se o batismo é certo. Acertadamente é mantido por presbiterianos, independentes e metodistas que não adotam o Livro de Oração Comum que resolutamente alegam ser coisa de clérigo. Irei limitar em mim mesmo a consideração dessa questão, afinal não há a menor conexão necessária entre liturgia e o batismo infantil. Eu, sinceramente, desejo que algumas pessoas se recordem disso. Insistir em culpar a liturgia e insistir em misturá-la com a questão do batismo infantil não é um sinal de boa lógica, justiça ou senso comum.

Permita-me limpar o caminho, além disso, por observação sei que não serei retratado longe do verdadeiro ponto em questão, ponto esse que muitas vezes os batistas usam para fazerem descrições ridículas baseando-se no abuso do batismo infantil. Sem dúvida, é fácil para muitos escritores populares e pregadores batistas desenharem um retrato vívido de um casal de camponeses ignorantes da oração, trazendo uma criancinha inconsciente para ser aspergida na fonte por um descuidado pároco! É fácil acabar o quadro afirmando: “Que bem pode fazer o batismo de crianças?” - Essas imagens são muito divertidas, talvez, mas não são argumentos contra o princípio do batismo infantil. O abuso de uma coisa não é a prova de que ela deva ser abandonada ou que esteja errada. Além disso, aqueles que vivem em casa de vidro, considerem melhor não atirar pedras. Imagens estranhas podem ser encontradas sobre o que acontece por vezes em capelas de batismo de adultos! Mas eu me calo sobre isso. Eu não quero que o leitor olhe as figuras, mas sim os princípios bíblicos.

Permita-me agora fornecer algumas razões simples que me levam a crer seguramente de forma comum com que todos os episcopais, presbiterianos, metodistas e independentes de todo mundo que o batismo infantil é uma coisa certa e que negar o batismo às crianças, tal como os Batistas fazem, é um engano.

(a) As crianças sempre foram admitidas na Igreja do Antigo Testamento por meio de uma ordenança formal desde os tempos de Abraão. Essa ordenança foi a circuncisão. Foi uma ordenança do próprio Deus e a negligência de tal ordenança foi denunciada como um grave pecado. Foi uma ordenança sobre o qual foi utilizada a mais alta linguagem no Novo Testamento, pois S. Paulo chama-lhe de “um selo de Justiça da fé” (Rm 4:11), Agora, se as crianças eram consideradas capazes de admissão na Igreja por uma ordenança do Antigo Testamento, é difícil entender por que elas não possam ser admitidas na Igreja do Novo Testamento. A tendência geral do Evangelho é aumentar o privilégio dos homens espirituais e não diminuí-los. Nada, creio eu, surpreenderia tanto um judeu converso do que afirmar que seu filho não pode ser batizado! “Se eles estão aptos a receber a circuncisão” - Ele responderia - “Por que não estão aptos para o batismo?” E a minha convicção é de que nenhum batista poderia dar uma resposta. Na verdade, nunca ouvi falar de um judeu convertido tornar-se batista e nunca vi um argumento contra o argumento contra o batismo de crianças que não poderia ter sido igualmente dirigido contra a circuncisão infantil. Nenhum homem, eu suponho, se atreverá a me dizer que a circuncisão de crianças era errada.

(b) O batismo de crianças não é proibido em parte alguma do Novo Testamento. Não há um único texto, de Mateus até Apocalipse que direta ou indiretamente sugere que crianças não devam ser batizadas. Alguns, talvez, consigam ver tal proibição nesse pequeno silêncio. Para minha mente é um silêncio cheio de significado e instrução. Os primeiros cristãos, que se lembrem disso, eram muitos deles judeus de nascimento. Eles estavam acostumados a Igreja judaica, antes de sua conversão, e seus filhos se tornavam membros por meio de uma ordenança solene como sendo uma coisa natural. Sem uma proibição clara do nosso Senhor Jesus Cristo, eles naturalmente continuaram com o mesmo sistema, levando seus filhos para serem batizados. Mas não encontramos tal proibição! A meu ver, a ausência de proibição nos diz muito. Satisfaz-me que nenhuma mudança foi efetuada por Cristo no que concerne às crianças. Se ele tinha a intenção de uma mudança, ele teria dito algo ao ensinar, mas Ele não disse uma palavra! O silêncio é um argumento muito mais poderoso e convincente. Assim como Deus ordenara no Antigo Testamento que os filhos dos judeus fossem circuncidados, assim Ele pretende que no Novo Testamento os filhos dos cristãos sejam batizados.

(c) O Novo Testamento faz menção especial ao batismo de famílias. Em Atos, lemos que Lídia foi batizada ‘com sua família’ e que o carcereiro de Felipe “foi batizado, ele e todos os seus” (Atos 16: 15, 33). Lemos na Epístola aos Coríntios que São Paulo batizou “a família de Estéfanas” (I Co 1:16). Agora, o que pode significar tudo isso se visualizar esses textos desapaixonadamente? Será que “casa” não inclui jovens, velhos, crianças e também os adultos? Quem duvida, ao ler as palavras de José em Gênesis - “Tomai para a fome de vossas casas” (Gn 42:33) ou “tornai a vosso pai, e às vossas famílias, e vinde a mim” (Gn 45:18) - que as crianças estão incluídas? Quem pode negar que quando Deus disse a Noé “Entra tu e toda a tua casa na arca” também se referia aos filhos de Noé? (Gn 7:2). De minha parte, eu consigo enxergar como essas perguntas podem ser respondidas sem que se estabeleça o princípio do batismo infantil. Admitindo-se mais plenamente que S. Paulo não disse diretamente que batizou crianças, parece-me maior a probabilidade de que as “famílias” que ele batizou eram compostas por crianças e por adultos.

(d) O comportamento de nosso Senhor Jesus Cristo para com as crianças, como registrado nos Evangelhos, é muito peculiar e cheia de significado. A bem conhecida passagem em S. Marcos é um exemplo do que quero dizer: “E traziam-lhe meninos para que lhes tocasse, mas os discípulos repreendiam aos que lhos traziam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disse-lhes: Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele. E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou.” (Mc 10:13-16)

Não tenho a pretensão em momento algum de dizer que esta passagem é uma prova direta do batismo infantil. Não é nada do tipo. Mas eu digo que ele oferece uma resposta curiosa para alguns dos argumentos mais comuns entre aqueles que se opõem ao batismo infantil. Que os bebês são capazes de receber algum benefício do nosso Senhor, que a conduta de quem tentava mantê-los afastado estava errada aos olhos do Senhor, que Ele estava disposto a abençoá-los mesmo quando eram jovens demais para compreenderem algo do que ele disse ou fez, todas essas coisas se destacam tão claramente como que escrito por um raio de Sol! Certamente a passagem não é um argumento direto em favor do batismo infantil, mas um forte testemunho indireto é o que me parece ser de forma inegável.

Eu poderia facilmente adicionar a esses argumentos. Eu poderia fortalecer a decisão que tomei por meio de uma série de considerações que creio parecem merecer uma atenção muito séria.

Eu poderia mostrar, a partir dos escritos do Dr. Lightfoot[11], que o batismo de crianças era uma prática com o qual os judeus estavam familiarizados perfeitamente. Quando prosélitos eram recebidos na Igreja judaica por meio do batismo, diante de nosso Senhor Jesus Cristo, seus filhos eram trazidos e batizados com eles, como sendo uma coisa natural.

Eu poderia mostrar que o batismo de crianças foi praticado uniformemente por todos os cristãos. Cada escritor cristão, de qualquer reputação nos primeiros 1500 anos depois de Cristo, com única exceção, talvez, de Tertuliano, fala do batismo infantil como um costume que sempre foi mantido pela Igreja.

Eu poderia mostrar que a vasta maioria dos cristãos eminentes do período da Reforma Protestante até os dias atuais mantiveram o direito das crianças de serem batizadas. Lutero, Calvino, Melanchton e todos os reformadores do continente; Cranmer, Latimer e todos os reformadores ingleses; o grande corpo de todos os puritanos da Inglaterra; todos os episcopais, presbiterianos e igrejas metodistas da atualidade, todos são unânimes nesse ponto. Todos eles realizam o batismo de crianças.

Mas não irei cansar o leitor, indo mais além nesse fundamento. Vou continuar observando dois argumentos que são comumente usados contra o batismo Infantil e alguns consideram tais argumentos como incontestáveis. Se eles o são de fato, deixo que o leitor julgue.

(1) O primeiro argumento favorito contra o batismo infantil é a ausência total de qualquer texto ou preceito direto ao seu favor no Novo Testamento. “Mostre-me um texto simples” - dizem muitos batistas - “ordenando-me batizar crianças pequenas. Sem um texto simples, a coisa não deve ser feita”

Eu respondo, em algumas situações, que a ausência de qualquer texto em favor do batismo infantil é, em minha opinião, uma das mais fortes evidências em seu favor. Um fato que não pode ser negado é que as crianças foram formalmente aceitas na Igreja por meio de uma ordenança exterior durante 1800 anos antes de Cristo vir. Agora, se Ele tivesse a intenção de mudar a prática e excluir as crianças do batismo, então eu deveria esperar encontrar um texto simples sobre o assunto. Mas não encontro nenhum texto e, portanto, concluo não haver nenhuma alteração ou mudança. A própria ausência de qualquer comando direto, comando com o qual os Batistas insistem, é na realidade um dos argumentos mais fortes contra eles! Nenhuma mudança e, portanto, nenhum texto!

Mas, por outro lado, eu digo que a ausência de algum texto ou comando não é um argumento suficiente contra o batismo infantil. Há algumas coisas que podem ser provadas e inferidas a partir das Escrituras, embora não sejam claramente e diretamente ensinadas. Permita que um Batista nos mostre um único texto que garanta a admissão das mulheres na Ceia do Senhor; um que ensine diretamente a guarda do sábado no primeiro dia da semana, ao invés do sétimo; deixe-os que nos mostrem um texto que proiba jogos de azar. Qualquer Batista bem instruído sabe o que não pode ser feito. Mas, certamente, se este for o caso, o famoso argumento contra o batismo infantil chega ao fim! Ele cai ao chão.

(2) O segundo argumento favorito contra o batismo infantil é a incapacidade das crianças para se arrependerem e crerem. “O que pode ser mais monstruoso” - dizem muitos batistas - “do que administrar uma ordenança para um bebê inconsciente? ele não sabe sobre arrependimento e fé e, portanto, não deveria ser batizado. A Escritura diz: ‘Aquele que crer e for batizado será salvo” e “Arrependei-vos e sede batizados’ (Mc 16:16; At. 2:38)”

Em resposta a este argumento, eu peço para que me seja mostrado um único texto que diga que ninguém deva ser batizado até que se arrependa e creia. Pedirei em vão. Os textos que acabamos de citar, prova conclusivamente que os adultos que cressem ao ouvirem a pregação do Evangelho por parte de algum missionário deveria de uma vez ser batizados. Mas este texto não prova que seus filhos não devam ser batizados juntamente com eles, mesmo sendo jovens demais para crer. Vejo que S. Paulo batizou “a casa de Estéfanas” (I Co 1:16), mas eu não encontro uma palavra sobre sua crença no momento do batismo. A verdade é que os textos frequentemente citados “aquele que crer e for batizado será salvo” e “arrependei-vos e sede batizados” nunca terá o peso que os Batistas colocam sobre eles. Afirmar que tais textos proíbem qualquer um de ser batizado a menos que se arrependa e creia é colocar um significado sobre as palavra, significados esses que as palavras nunca deveriam portar. Toda a questão concernente às crianças é mantida ao longe. O texto “ninguém deve ser batizado, a não ser que se arrependa e creia”, sem dúvida seria muito conclusivo, mas tal texto não pode ser encontrado.

Afinal, alguém dirá que uma profissão consciente de arrependimento e fé é absolutamente necessária para a salvação? Nem mesmo o batista mais rígido diria isso. Porque as crianças não podem crer, então serão condenadas? No entanto, nosso Senhor disse claramente que “aquele que não crê será condenado” (Mc 16:16). Será que algum homem possui a pretensão de afirmar que as crianças não podem receber a graça e o Espírito Santo? João Batista, como sabemos, foi cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe (Lc 1:15). Alguém ousa dizer que crianças não podem ser eleitas? Não podem fazer parte do Pacto? Não podem ser membros de Cristo? Não podem ser filhos de Deus? Não podem nascer de novo? Não irão ao céu quando morrerem? São perguntas solenes e graves. Não consigo acreditar que qualquer batista bem informado responderia positivamente a qualquer uma dessas perguntas. No entanto, por certo, aqueles que podem ser membros da Igreja gloriosa celeste, podem ser admitidos na Igreja terrena! Aqueles que são lavados com o sangue de Cristo podem, certamente, ser lavados com a água do batismo. Aqueles que podem ser batizados no Espírito Santo, por certo, podem ser batizados nas águas! Que essas coisas sejam pensadas calmamente. Tenho visto muitos argumentos contra o batismo infantil, mas o traçar lógico dos argumentos acabam por serem contrários, inclusive à salvação infantil e consequentemente condena todas as crianças à ruína eterna!

Encerro essa parte do assunto aqui. Tenho quase vergonha de ter dito muito sobre isso, mas os tempos em que vivemos são o meu argumento e justificativa para tal demora. Não escrevo muito para convencer os batistas acerca de como estabelecer e confirmar clérigos. Muitas vezes tenho me surpreendido com a ignorância de alguns clérigos, sendo esse um dos motivos pelo qual o batismo infantil deve ser defendido. Se eu tiver feito alguma coisa para mostrar aos clérigos a força de sua posição, então sinto que não escrevi em vão.

IV. Por último, vamos considerar a posição que o batismo deve manter em nossa religião.

Este é um ponto de grande importância. A opinião humana está sempre suscetível a entrar em extremos e em nada essa tendência demonstra ser tão forte quanto nessa matéria da religião. Em nenhuma parte da religião o homem corre tanto perigo de errar, pela esquerda ou pela direita, como quanto aos sacramentos. A fim de se chegar a um julgamento correto, devemos tomar cuidado com o erro de defeito e erro de excesso.

Devemos tomar cuidado com uma coisa, com o desprezo do batismo. Esse é o erro de defeito. Muitos nos dias de hoje parecem considerá-lo com total indiferença. Eles passam sem dar-lhe qualquer lugar ou posição em sua religião. Porque, em muitos casos, parece que o batismo não confere nenhum benefício, então eles concluem prontamente de que não pode conferir nenhum benefício. Não se importam se o batismo nunca é nomeado ou citado em um sermão. Eles não gostam de tê-lo administrados publicamente na congregação. Em resumo, eles parecem considerar todo o assunto concernente ao batismo como uma questão problemática e sobre a qual eles não estão determinados falar. Eles não estão satisfeitos com o batismo.

Agora, eu apenas peço que as pessoas considerem seriamente se a sua atitude mental é justificada pelas Escrituras. Lembrem-se das ordens distintas e precisas do Senhor para “batizar” que Ele deu aos seus discípulos ao deixá-los sozinhos no mundo. Lembrem-se da prática invariável dos apóstolos onde quer que eles fossem pregar o Evangelho. Há uma linguagem marcante acerca do batismo em vários lugares nas epístolas. Agora, talvez isso seja agradável para a razão e para o senso comum do pensamento de que o batismo possa ser seguramente considerado um assunto descartável e discretamente possa ser colocado na prateleira? Certamente, essas perguntas só podem receber uma resposta.

É, simplesmente, incoerente acreditar que o Cabeça da Igreja traria sobre seu povo, cristãos de todas as idades e eras, uma carga vazia de significado, impotente, uma instituição sem qualquer valor. É ridículo supor que seus apóstolos iriam falar sobre o batismo, como fizeram, se em nenhuma circunstância poderia ser de qualquer uso ou ajuda à alma do homem. Que essas coisas sejam pensadas calmamente. Tomemos cuidado para não entrar em superstições cegas, de outro modo podemos ser igualmente cegados e acabar por derramar desprezo sobre uma ordenança de Cristo.

Devemos tomar outro cuidado, a saber, não tornar o batismo em um ídolo. Esse é o erro do excesso. Muitos, atualmente, elevam o batismo a uma posição que nada nas Escrituras pode justificar. Se eles mantêm o batismo infantil, afirmarão que a graça do Espírito Santo invariavelmente acompanha a administração da ordenança e, que em todos os casos, uma semente de vida divina é implantada no coração dela para que toda sua movimentação religiosa seja rastreada e que todas crianças batizadas, de forma natural, são nascidas de novo e se tornaram participantes do Espírito Santo! Por outro lado, se eles não consideram o batismo infantil, dirão para você que baixar às águas em profissão de fé e arrependimento é um momento decisivo na religião de um homem, que enquanto não cairmos na água nada somos e que quando e que quando nós caímos na água, damos o primeiro passo em direção ao céu! É notório que muitos dos altos clérigos e batistas mantenham essa opinião, embora não sejam todos. E eu digo que, embora eles não digam isso, eles estão praticamente fazendo a partir do batismo um ídolo.

Peço a todos que detém esse extremamente alto e sublime ponto de vista acerca do batismo que considerem seriamente se a Bíblia garante suas opiniões. Citar textos nos quais os maiores privilégios e bênçãos estão conectados ao batismo não é o suficiente. O que nós queremos são textos simples que mostrem que tais bênçãos e privilégios são sempre e invariavelmente conferidos por meio do batismo. A pergunta que se instala não é se uma criança pode nascer de novo e receber a graça do batismo, mas se todas as crianças nascem de novo e recebem a graça quando são batizadas. A questão não é se um adulto pode “ser posto em Cristo” quando submerge em água, mas sim se todos fazem como sendo uma coisa natural. Certamente, tais coisas necessitam de consideração séria e calma! É positivamente cansativo ler as afirmações radicais e ilógicas que muitas vezes são feitas sobre o assunto. Dizer, por exemplo, que as famosas palavras de nosso Senhor para Nicodemos (Jo 3:5) ensinam algo mais do que a necessidade geral de “nascer da água e do Espírito” é um insulto ao bom senso. Se todos os batizados são “nascidos da água e do Espírito” é uma questão completamente distinta e que o texto não faz referência. Afirmar que isso é ensinado no texto é tão ilógico quanto a afirmação comum dos batistas quando estes afirmam que, porque Jesus disse “aquele que crê e for batizado será salvo”, deduz-se então ninguém dever ser batizado até que creia.

A posição correta que o batismo deve ocupar só pode ser decidida por meio de uma observação cuidadosa das Escrituras sobre o assunto. Deixe um homem ler o Novo Testamento de forma honesta e imparcial. Que este homem venha para a leitura com uma mente aberta, justa e imparcial. Que ele não traga ideias pré-concebidas ou uma reverência cega para com a opinião de escritos, de qualquer homem, sem inspiração ou de qualquer conjunto de homens. Deixe-os simplesmente fazer a pergunta: “O que as Escrituras ensinam sobre o batismo? Qual seu lugar na teologia cristã?” E eu tenho pouca dúvida quanto a conclusão que ele chegará a ter. Ele não atropelará o batismo sob seus pés e nem o exaltará acima da própria cabeça.

(a) Ele encontrará que o batismo é mencionado frequentemente e, ainda assim, não tão frequentemente para nos fazer pensar que tenha a primazia ou esteja acima de todas as coisas no cristianismo. Em 14 das 21 epístolas, o Batismo sequer é mencionado. Em cinco das sete restantes, é mencionado uma única vez. Em um dos dois restantes, só é mencionado duas vezes. Nas duas epístolas pastorais a Timóteo, tal assunto não é mencionado. Há, em suma, apenas uma epístola, primeira carta aos coríntios, em que o batismo é citado em mais de duas ocasiões. E, de forma singular e suficiente, esta é a epístola no qual S. Paulo diz: “Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei” e “porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar” (I Co 1:14,17)

(b) Ele verá que o batismo é falado com profunda reverência e em estreita ligação com os maiores privilégios e bênçãos. A Bíblia diz que os batizados são “sepultados com Cristo”, “depositados em Cristo”, para serem “ressuscitados” com Cristo e até mesmo (por esforço, um texto duvidoso) para ter a “lavagem da regeneração”. Mas ele também descobrirá que Judas Iscariotes, Ananias e Safira, Simão o Mago, dentre outros, foram batizados e não deram provas de terem nascido de novo. Ele também verá na primeira epístola de João acerca das pessoas “nascidas de Deus” e quais as características que muitas pessoas batizadas nunca possuíram em qualquer período de suas vidas (I Jo 2:29; 3:9; v. 1,4,18). E não menos importante, encontrará S. Pedro declarando que o batismo que salva “não é o despojamento da imundícia da carne”, a simples lavagem do corpo, mas a “resposta de uma boa consciência” (I Pe 3:21)

(c) Finalmente, ele descobrirá que enquanto o batismo é frequentemente mencionado no Novo Testamento, há outros temas que com muita maior frequência são falados. Fé, esperança, caridade, a graça de Deus, ofícios de Cristo, a obra do Espírito Santo, a redenção, a justificação, a natureza da santidade cristã. Acerca de todos esses assuntos, ele encontrará muito mais do que sobre o batismo. Acima de tudo, ele vai encontrar nas Escrituras a marca do sacramento da circuncisão no Antigo Testamento e que o valor das ordenanças de Deus depende inteiramente do espírito com o qual são recebidas e o coração do receptor “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.” (Gl 6:15); “Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.”(Rm 2:28,29)

Resta-me agora dizer algumas palavras em forma de conclusão prática para toda essa parte do assunto. A natureza forma indivíduos e a posição do batismo são considerados de forma solidária. Permita-me mostrar ao leitor as lições especiais para as quais creio que a atenção deva ser dirigida.

(1) Em primeiro lugar, gostaria de exortar a todos os que estudam o tão disputado assunto “batismo” a importância dos pontos de vista simples acerca deste sacramento. Pensamentos nebulosos, palavras arrogantes são muitas vezes utilizadas por escritores ao falar acerca do batismo tem sido fontes frutíferas para a existência de estranhos pontos de vista e ordenanças anti-bíblicas. Poetas e compositores de hinos e teólogos romanistas tem inundado o mundo com a linguagem muita alta e rapsódica[12] a ponto de fazerem com que a mente de muitos fossem inundadas e confundidas. Milhares de pessoas já absorveram noções poéticas acerca do batismo sem, no entanto, poderem mostrar qualquer mandado na Palavra de Deus que confirme a visão deles. O Paraíso Perdido[13], de Milton, é o único progenitor de um número incontável de pontos de vista de um homem acerca do batismo nos dias atuais[14].

De uma vez por todas, deixe-me suplicar a cada leitor deste artigo para não aderir a nenhuma doutrina sobre o batismo que não seja claramente ensinada na Palavra de Deus. Não devemos cuidar de manter nenhuma teoria que não possa ser apoiada pelas Escrituras. Na religião, não importa em nada o que é dito ou quão bem algo diz acerca de algo, pois o único questionamento que devemos fazer é: “Está escrito na Bíblia? o que diz o Senhor sobre isso?”

(2) Por outro lado, gostaria de exortar a muitos dos meus colegas clérigos que considerem a tendência perigosa da visão extravagante acerca da eficácia do batismo. Não tenho nenhum desejo de esconder o meu pensamento sobre isso. Refiro-me aos homens da Igreja que defendem que, sempre, o Batismo será acompanhado pela Graça e que todos os bebês batizados são, de fato, nascidos de novo. Peço a esses homens, com toda a cortesia e bondade fraternal que considerem seriamente a tendência perigosa de suas opiniões e as consequências lógicas que delas resultam.

Eles me parecem, e para muitos outros também, uma santa ordenança de Cristo convertendo-a em um simples encanto, isto é, ao agir mecanicamente, tal como um medicamento que age no corpo sem que se faça necessário os movimentos do coração de um homem. Certamente, isso é perigoso!

Eles incentivam o ideal de que não importa o estado de espírito das pessoas que levam seus filhos para serem batizados. Nada significa se eles vêem com fé, oração, sentimentos solenes ou se vêem descuidados, sem oração, sem Deus, e ignorantes como se fossem pagãos! O efeito - dizem eles - é sempre o mesmo, em todos os casos! Em todos os casos, nós dizemos que as crianças são nascidas de novo no momento em que são batizadas, mas não têm todos os direitos inerentes ao batismo, exceto quando filhos de pais cristãos. Certamente, isso é perigoso.

Eles ajudam a transmitir a ilusão perigosa à alma, alegando que um homem pode ter graça em seu coração, mesmo quando esta não pode ser vista em sua vida. Multidões de nossos adoradores não têm uma centelha de vida religiosa ou a graça sobre eles. E ainda nos dizem que estes adoradores devem ser tratados como regenerados ou possuidores de graça, afinal foram estes batizados! Certamente, isso é perigoso.

Creio firmemente que centenas de clérigos excelentes nunca pararam para considerar os pontos que acabo de antecipar. Peço-lhes que assim o façam. Para a honra do Espírito Santo, para a honra dos santos sacramentos de Cristo, convido-os a considerarem seriamente a tendência de vossas opiniões. Claro que estou há apenas um chão seguro para que possa afirmar acerca dos efeitos do batismo e esse antigo chão é indicado pela nossa carga (Lc 6:44) “Toda árvore é conhecida pelo seu fruto”. Quando o batismo é usado profana e descuidadosamente, não temos direito de esperar uma benção que o siga além daquelas que seguem a um participante descuidado da ceia do Senhor. Quando a Graça não pode ser vista na vida de um homem não temos o direito de dizer que ele é regenerado ou que recebeu a Graça no batismo.

(3) Por outro lado, gostaria de exortar a todos os batistas que porventura venham a ler este artigo do dever de serem moderados ao afirmarem os seus pontos de vista acerca do batismo e daqueles que discordam deles. Digo isso com tristeza. Eu respeito a muitos membros da comunidade batista e eu acredito que eles são homens e mulheres com quem nos reuniremos no céu. Mas quando eu vejo a linguagem extravagante e violenta que alguns batistas usam contra o batismo infantil, não posso deixar de sentir que ele podem ser solicitados, de forma justa, a julgar de forma mais moderada as coisas de que eles discordam.

Será que o batista quer dizer que suas visões peculiares do batismo são necessárias para a salvação e que nenhum dos defensores do batismo de crianças será salvo? Eu não posso pensar que qualquer batista inteligente e em perfeito estado de sentidos afirmaria tal coisa. Nesse ritmo, toda a Igreja da Inglaterra, Metodistas, todos os presbiterianos e todos os independentes seriam trancados do lado de fora do céu! Neste ritmo, Cranmer, Ridley, Latimer, Lutero, Calvino, Knox, Baxter, Owen, Wesley, Whitefield e Chalmers[15] estão perdidos todos! Todos eles mantiveram firmemente o batismo infantil e, portanto, estão no inferno! Eu não posso crer que qualquer batista diria algo tão monstruoso e absurdo.

Será que os batistas querem dizer que suas visões peculiares acerca do batismo são necessárias para que se alcance um alto grau de graça e de santidade? Será que eles se comprometem a afirmar que os batistas sempre foram os mais eminentes do mundo e que o são nesses dias? Se eles fizerem tal afirmação, eles poderão ser muito solicitados a dar provas a esse respeito, mas eles não podem fazê-lo. Eles podem nos mostrar, sem dúvida, muitos excelentes cristãos batistas, mas vai ser difícil nos provar que são um pouco melhores do que alguns dos episcopais, presbiterianos, independentes e metodistas, todos esses que consideram que os bebês devam ser batizados.

Agora, certamente, se os pareceres peculiares dos batistas não são necessários para a salvação e nem para que se alcance alto nível de santidade, podemos razoavelmente pedir aos batistas que sejam moderados em seu falar com aqueles que discordam deles. Deixe-os, de todo modo, manterem suas próprias visões peculiares se acreditam ter encontrado “um caminho mais excelente”. Deixe-os usar sua liberdade e que estejam totalmente seguros em suas próprias mentes. O caminho estreito para o céu é grande o suficiente para os crentes de todos os nomes e denominações. Mas para o bem da paz e do amor, rogo aos Batistas que ajam com moderação no julgamento feito em relação aos demais.

(4) Em último lugar, gostaria de exortar a todos os cristãos a imensa importância de se conferir, a cada parte do cristianismo sua proporção e valor adequado e nada mais além disso. Vamos tomar cuidado para não retirarmos as coisas de seus lugares e colocarmos aquilo que é em segundo no lugar do primeiro ou colocar aquilo que é secundário como prioritário. Vamos dar toda a honra devida ao batismo e à ceia do Senhor como sacramentos instituídos pelo próprio Cristo, mas não nos esqueçamos de que assim como toda ordenação exterior, seu benefício depende inteiramente da maneira pela qual são recebidos. Acima de tudo, não nos esqueçamos de que um homem pode ser batizado, como Judas, e nunca ser salvo e que um homem pode não ser batizado, como o ladrão arrependido, e ser salvo. As coisas necessárias para a salvação são um interesse pelo sangue expiatório de Cristo e a presença do Espírito Santo na vida e no coração do individuo. Aquele que está enganado sobre esses dois pontos, nenhum benefício terá a partir de seu Batismo, independentemente de ter sido batizado quando criança ou quando adulto. Ele descobrirá no último dia que ele estava errado, errado para sempre.

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Original em inglês: BAPTISM, quinto capitulo do livro “KNOTS UNTIED”, edição de 1900.
Tradução: Renan Almeida
Revisão: Fábio Farias e Natan Cerqueira
Diagramação, prova e edição: Armando Marcos e Eduardo Henrique Chagas
Capa: Beatriz Rustiguel


Bispo J.C.Ryle – Anunciando a verdade evangélica
Projeto de tradução de sermões, tratados e livros do bispo anglicano John Charles Ryle, mais conhecido como J.C.Ryle, para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.

acesse: http://bisporyle.blogspot.com/
http://twitter.com/JCRyle

domingo, 6 de maio de 2012

Os Privilégios de Entrar pela Porta (Jesus)

Texto: João 10.9

Introdução: Amados irmão, quando falamos em porta, sabemos que ela vai levar a algum lugar. A porta tem a função de conduzir pessoa para dentro ou para fora. Sabemos que tais funções vai das decisões das pessoas que as utilizam.

Jesus afirmou neste capitulo que era a porta das ovelhas, e como porta Ele conduz suas ovelhas a algum lugar.

O uso da porta era o que diferenciava o pastor do ladrão. Se alguém ao se dirigir às ovelhas, era cumprimentado pelo vigia na porta, todos sabiam que se tratava do pastor ou dono de algumas ovelhas do rebanho. Entretanto, se alguém, evitando ser visto, pulasse a cerca, logo deduziriam que era um ladrão.

Jesus quando declara que é a porta das ovelhas, Ele lhes dá a garantia de proteção, pois o pastor protege as suas ovelhas dos lobos que estão ao derredor do aprisco. Quando Jesus se compara com a porta, Ele promete três coisas aqueles que por Ele entram:

I. SALVAÇÃO

II. SEGURANÇA

III. SATISFAÇÃO

Tema: Os Privilégios de Entrar pela Porta (Jesus)

I. SALVAÇÃO

Todo aquele que chegar à presença de Deus será salvo. Jesus disse que ninguém vem ao Pai, senão por Ele.

As pessoas em nossos dias correm em uma busca desenfreada por salvação; Procuram caminhos eficazes e simples para resolverem seus problemas; buscam formulas mágicas e porções para serem felizes e bem sucedidas. Porém, se não buscam em Cristo, que é o caminho da salvação, o porto seguro para atracarmos o barco da nossa vida, toda a nossa corrida é em vão. Atos 2.21 nos diz que: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. At 16.31 nos diz também: "E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa". Paulo nos diz em Rm 10.9: "A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.

Não existe formula mágica ou secreta para alguém ser salvo, não existe nenhum atalho que conduza alguém até os céus, o único caminho que pode nos levar a Deus é Jesus, sem Ele, todos os nossos esforços são como Alguém que tenta secar o mar com um copo d’água, tudo é em vão, toda corrida rumo ao céu, que não tem Jesus como objetivo principal, é corrida de tolos.

O homicida fugitivo passou pelos portões da cidade de refúgio e foi salvo. Noé entrou pela porta da arca e ficou em segurança. Aqueles que recebem Jesus como a porta da fé para suas almas não ficam perdidos. O acesso à paz por meio de Jesus é a garantia de entrada nos céus pela mesma porta. Jesus é a única porta, uma porta aberta, uma porta ampla, uma porta segura; e bem-aventurado é aquele que coloca toda a sua esperança de entrar na glória sobre o Redentor crucificado.

Jesus fala que existe duas portas, uma larga e outra estreita, ao que nos parece que até mesmo crentes experimentados na fé, tem procurado entrar pela porta larga, onde tudo parece ser tão fácil, tão pratico, mas o fim sempre é trágico. Jesus disse: Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”, 7. 13,14. Em nossa vida, muitas vezes cansada e desesperançada, pelas coisas que estamos vivendo, procuramos um caminho, uma saída, porém muitas vezes escolhemos entrar pelo caminho largo, pela porta larga, e tudo se torna pior, pois estamos indo rumo a perdição. Há caminhos que parecem direitos ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte”, Pv 16.25.

II. SEGURANÇA

Quando lemos a história de Noé, por ocasião do dilúvio, vemos que ele escolheu entrar por uma porta, esta porta era a porta da arca, pela qual ele e sua família seria salva.

Jesus é esta arca, Ele é aquele que conduzirá em segurança aqueles que entram por ele. Conduzirá aos portões eternos. O pastor protege a ovelha enquanto ela pasta e quando retorna ao rebanho. Ele é o bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Ele protege as suas ovelhas. Da mesma forma, os que se chegam à presença de Deus por meio de Jesus irão entrar e sair debaixo da proteção de Deus onde quer que estejam. “O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. O sol não te molestará de dia nem a lua de noite. O SENHOR te guardará de todo o mal; guardará a tua alma. O SENHOR guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre”, Sl 121.5-8.

Meus irmãos, vivemos em uma época sombria, onde somos assolados pela seca e pela previsão apresentada pelos noticiários, não há nenhuma expectativa de chuvas para os próximos dias. Sei que se existe uma pessoa que pode fala sobre este problema, esta não sou eu, pois só ouvia de falar sobre tal situação, mas agora vivo na pele, porém de uma coisa estou certo, aqueles que estão guardados no aprisco do Bom pastor, nenhum mal lhe sobrevirá e até mesmo a seca será um motivo para louvar o Nome de Cristo. O Bom Pastor é aquele que providencia pastor e água para as suas ovelhas. Cremos nesta verdade? Cremos mesmo? Então que possamos parar de lamentar a situação em que estamos vivendo e creiamos que pelo fato de um dia termos entrado pela porta que é Cristo, ela proverá toda a segurança para as nossas vidas.

O Salmista Com confiança, diz para nós: Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança”, Sl 4.8. Se cremos nisto, que possamos deitar as nossas cabeças em nossos travesseiro e descansar no Senhor que nos dá segurança. Diz o Senhor: “O que me der ouvidos habitará em segurança, e estará livre do temor do mal”, Pv 1.33. Você tem dado ouvidos a voz do Bom Pastor?

III. SATISFAÇÃO

Jesus nos diz no texto que estamos considerando que não apenas dará salvação, Segurança as suas ovelhas, mas também dará satisfação.

Jesus mencionou à samaritana a satisfação proporcionada pela água que ele mesmo oferecia, Ele diz: Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” João 4.14. Também falou da satisfação proporcionada pelo pão que tinha para oferecer: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede”, João 6.35. Agora promete pastagem para aqueles que entram por Ele: “...entrará, e sairá, e achará pastagens” João 10.9b. Jesus nos mostra, nesta verdade que Ele, como o nosso Bom Pastor, nos alimenta espiritualmente ao ponto de ficarmos satisfeitos.

Meu amado irmão, Você realmente tem tido satisfação por estar neste rebanho? Você tem se alegrado por estar neste rebanho? Ou vem apenas por que tem que vir? Será que Jesus tem se agradado de tal atitude? Será que ele tem se alegrado em sua vida? Você entra por estas portas com satisfação ou como o boi, quando vai para o matadouro?

Não é o simples fato de estar arrolado no rol de membros de uma igreja, que me faz pertencer ao rebanho de Cristo. Muitas pessoas tem se enganado com isto, acham, politicamente falando, que o fato de ser membro da igreja “A” ou igreja “b”, vai conduzi-lo aos portões das mansões celestiais. O simples fato de ter sido aspergido ou imergido pelas águas do batismo não me torna mas crente do que as outras pessoas. Você pode “ser aspergido em baixo de um chuveiro ou imergido dentro do oceano”, se você não tem uma convicção de fé, você apenas tomou um bom banho no chuveiro ou no oceano, porém salvo você não está.

Você já achou o que procura na igreja ou ainda anda perambulando de igreja em igreja. Se você está em busca de Cristo, você já o encontrou, se não, você será apenas como um turista de igreja, que vai em uma igreja, bebe da água que lhe dão, mas vai em outra e também bebe da água que lhe é oferecida, porém a sua busca continua, por que você não saciou a sua sede, pelo fato dele ser em homens, denominações, menos em Cristo, pois a água que ele nos dá, faz nascer em nós uma fonte de água viva, e jamais voltaremos a ter sede. Ele é a nossa segurança!!!

Conclusão:

Após ouvir está mensagem, quais são as aplicações que tiramos para as nossas vidas?

Jesus diz que é a porta – Você tem entrado por esta porta?

Se entramos por esta porta, jamais pereceremos pois ele garante que quem entrar por ele será salvo, terá segurança e achará nele satisfação.

Você está satisfeito por está neste rebanho?

Rev. Davi Gomes do Nascimento

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Fonte: Comentário Biblico Africano – Ed. Mundo Cristão

Sermão “Eu Sou a Porta” - Charles Haddon Spurgeon

domingo, 8 de abril de 2012

JESUS, A NOSSA PÁSCOA



Texto: Fp 2.5-8


Introdução: Nestes dias como também no Natal, podemos ver os símbolos do paganismo sendo evidentes na mídia. O interessante é a sutileza que estes símbolos tem entrado nos lares de quase todas as pessoas, inclusive crentes. Estes símbolos são:

• No Natal – O papai Noel, a arvore de natal, as luzes...etc;
• Na páscoa – O coelhinho, o ovo de chocolate... etc.
• No são João – o milho, a fogueira as quadrilhas...
• No carnaval – escolas de samba, frevo...etc.

Se fossemos citar cada festividade, poderíamos passar a noite aqui, porém não é nosso interesse. A questão é o que está por trás de cada festividade. Por exemplo: Poucos sabem, mas as festas juninas são celebrações a deusa Juno, no paganismo romano, mas a igreja católica contextualizou para os festejo em homenagem a são João.

Mas alguém poderia perguntar: “O que tem de mal as festividades da páscoa”? Nada! Absolutamente nada. A questão é os símbolos e tradições que se tem criado em torno desta data. Por exemplo: pela tradição, as pessoas devem abster-se de carne, bebida alcoólica, e deve comer peixe, não há mal nenhum comer peixe neste dia, porém no judaísmo comemorava-se a páscoa comendo carneiro assado e pães asmos. O próprio Jesus, o Senhor e dono da igreja, celebrou a páscoa comendo um carneiro com os seus discípulos: E, no primeiro dia dos pães ázimos, quando sacrificavam a páscoa, disseram-lhe os discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comer a páscoa? Mc 14.12. Quando Jesus manda os discipulos preparar a páscoa, os preparativos eram: Os preparativos eram: Imolar e assar o cordeiro, providenciar pães asmos, ervas amargas, sopa de frutas, água salgada e suco de uva.
Como o povo inclusive crentes, através da tradição entende que deve celebrar a páscoa: Comendo peixe e se embriagando de vinho e na maioria das vezes jejuando, quando a páscoa para o povo de Deus era uma ceia.
Jesus Cristo é a nossa páscoa. Quando João batista se encontra com Jesus, ele diz: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, João 1.29. João entendia que Jesus Cristo simbolizava o cordeiro, pois este morreria para expiar o pecado do mundo.
Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. João 6.53, 54.
O que significa realmente a páscoa em nossos dias? É o coelhinho da páscoa; é o ovo de chocolate que os comerciantes vendem? Qual origem do ovo da páscoa e do coelhinho:
A origem dos ovos e coelhos é antiga e cheia de lendas. Segundo alguns autores, os anglo-saxões teriam sido os primeiros a usar o coelho como símbolo da Páscoa. Outras fontes porém, o relacionam ao culto da fertilidade celebrado pelos babilônicos e depois transportado para o Egito.
A partir do século VIII, foi introduzido nas festividades da páscoa um deus teuto-saxão, isto é, originário dos germanos e ingleses. Era um deus para representar a fertilidade e a luz. À figura do coelho juntou-se o ovo que é símbolo da própria vida. Embora aparentemente morto, o ovo contém uma vida que surge repentinamente; e este é o sentido para a Páscoa, após a morte, vem a ressurreição e a vida. A Igreja no século XVIII, adotou oficialmente o ovo como símbolo da ressurreição de Cristo. Assim foi santificado um uso originalmente pagão, e pilhas de ovos coloridos começaram a ser benzidos antes de sua distribuição aos fiéis.
Qual o significado da pascoal para nós? O que Jesus representa neste dia?

I. HUMILDADE

O apostolo Paulo em Fp 2.5 nos diz: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. Que sentimento é este? É o sentimento da humildade, o qual todos, seguindo o exemplo de Cristo deveria ter. Paulo demonstra que mesmo sendo Deus, o Senhor Jesus não deixou de ser humilde, assumindo a semelhança de homem. O apostolo Paulo convoca todos, em especial a igreja, a ter esse mesmo sentimento de humildade. Não adianta nos abstermos de carne e comermos peixes, se não há este sentimento, o sentimento da humildade. Não adianta praticarmos o jejum, se não há este sentimento. Não adianta eu presentear minha esposa ou minha filha com um ovo de chocolate se este sentimento está ausente da minha vida. Também não adianta querermos evidência humildade se em nosso ser não há humildade alguma. Qual o sentido da páscoa pra você? Passamos o ano como intrigados de Cristo, mas nesta época nos emocionamos quando assistimos um filme da paixão de Cristo. Se Não adiante nada disso querido (a), se você não é humilde de coração. Jesus disse: "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus, Mt 5.3. Mas você sabe realmente o significado dessa palavra?

Pergunte neste momento a você mesmo: “Eu sou humilde”? Pergunte ao irmão que está ao seu lado: “Você é humilde”?
A humildade é uma virtude que mais caracteriza as pessoas que exercem influência na sociedade. Ser humilde, ao contrário do que muitos pensam, não é ser pobre, destituído de bens ou uma pessoa simplória. Ser humilde é o oposto de ser orgulhoso. A Bíblia diz que o pior pecado é o orgulho. Essa é a raiz de todos os outros problemas na nossa vida. "Quando vem o orgulho, chega a desgraça, mas a sabedoria está com os humildes". Provérbios 11.2.
Por isso o apostolo Paulo diz que em nós deve haver o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus que foi um exemplo de humildade. Alguém poderia até dizer: Eu me orgulho da minha humildade, é ai que está o problema, não é a humildade excessiva, mas o orgulho que é o passo para o desvio do caminho do Senhor. Por que Paulo mostra neste texto que Jesus é exemplo de humildade a ser seguido? Ele diz que Jesus “Sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus”, V. 6. Jesus é Deus, a Bíblia prova esta verdade, mas o apostolo Paulo nos diz que Ele não teve por usurpação ser igual a Deus. Paulo nos diz que devemos considerar os outros superiores a nós mesmo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”, V. 3. O que significa isto? Não fazer as coisas para ser visto ou querer ser melhor do que as outras pessoas. Se queremos demonstrar que observamos a páscoa de uma forma correta e que amamos o cordeiro que foi imolado, devemos começar a ter uma vida de verdadeira humildade.

II. A NOSSA PÁSCOA É JESUS

O apostolo Paulo nos diz que a humildade de Jesus foi tão grande que Ele em obediência a seu Pai se entregou para salvar muitas pessoas neste mundo. Paulo nos diz que Ele “esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”, Vs 7, 8. Notamos neste versículo que nos é dito que:

“Ele se esvasiou-se a si mesmo” – Ele deixou a sua glória e veio habitar no meio de pecadores como nós. João 1.14 nos diz que: O Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
Imagine você, deixar o conforto do seu lar, e voluntariamente ir morar no meio de mendigos debaixo da ponte, tendo como objetivo, ajudar estes mendigos. Jesus fez isso por nós. Deixado a sua majestade, sua glória, Ele veio habitar entre nós, pecadores fadados ao fracasso e a perdição eterna.

2. “tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” – Jesus conhece exatamente como somos por dentro, o que sentimos, o que pensamos. A nossa fragilidade. As nossas tentações. Paulo nos mostra que mesmo sendo Senhor, Ele assumiu a forma de servo. Em Is 53.5 nos diz que “ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. O senhor Jesus como servo sofredor, Ele sentiu dores, Ele sangrou, a sua carne foi perfurada... e tudo isso porque? Por que Ele muito nos amou. Jesus disse que “ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”, Jo 15.13.

3. “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” - O que levou Cristo a morrer na cruz do calvário foi o amor que ele sentia por aqueles que o Pai lhes deu. Ele disse que o Bom Pastor dar a vida pelas suas ovelhas. O exemplo de humildade de Jesus levou Ele a ser obediente ao Pai, ao ponto de ser pendurado no madeiro. O problema que os atores nestes dias, representaram os sofrimentos de Jesus, mas muitas vezes sem Jesus em seus corações. Muitos se abstiveram de comer carne e comeram apenas peixe, mas infelizmente não sabem o real significado da páscoa. A páscoa significa Jesus cristo sendo entregue para morrer na cruz para libertar o seu povo da ira vindoura.
Conclusão: Como você tem celebrado a páscoa? A semana Santa? Jesus faz parte dessa celebração?
Que o Senhor seja servido em termos vidas consagradas a Ele; Vidas dedicadas ao seu serviço. Jesus Cristo é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Jesus é a nossa verdadeira páscoa. Amém.

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Autor: Rev. Davi Gomes do Nascimento
Sermão pregado pelo Rev. Davi Gomes do Nascimento na IPF Betel no dia 08/04/2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O QUE DEVEMOS PREGAR SOBRE O INFERNO?



Sinclair Ferguson



Dr. Sinclair Ferguson é nascido na Escócia, obteve seu PhD pela Universidade de Aberdeen. Atualmente pastoreia a First Presbyterian Church (Primeira Igreja Presbiteriana), em Columbia, na Carolina do Sul e serve como professor de Teologia Sistemática no Westminster Theological Seminary, na Filadéfila (EUA). Ferguson é autor de diversos livros e atua como preletor em conferências, seminários e igrejas em diversos países.

Falar sobre o inferno significa falar sobre coisas tão impressionantes, que isso não pode ser feito com tranqüilidade.
No entanto, o inferno existe. Esse é o testemunho das Escrituras, dos apóstolos e do próprio Senhor Jesus. Aquilo que é emocionalmente intolerável também é verdade – e nisso está o seu terror.
Cumpre ao pastor cristão familiarizar-se com o ensino sobre o inferno, sentir a sua importância, pregar sobre ele e aconselhar seu rebanho em relação ao seu significado e suas implicações.

PECAMINOSIDADE REVELADA

O pregador fala como alguém consciente de que ele mesmo tem de apresentar-se diante do tribunal de Cristo: “Importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5.10). Talvez mais do que qualquer outra coisa, isso tem de se tornar a atmosfera a partir da qual os servos de Deus abordam suas tarefas como pregadores e pastores. Eles comparecerão no tribunal de Cristo. Somente aqueles que estão plenamente cônscios de que se apresentarão diante do tribunal de juízo podem falar com um senso de relevância sobre as questões da vida e da morte, do céu e do inferno.
É nesse ponto que aprendemos para nós mesmos a terrível revelação de nossa pecaminosidade. E isso, por sua vez, nos capacita a enfatizar três coisas essenciais à nossa pregação.

• A justiça de Deus
• A pecaminosidade de nosso pecado
• A absoluta justiça da condenação de Deus sobre nós

A menos que estabeleçamos esses princípios coordenados e os inculquemos na mente e consciência de nossos ouvintes, há pouca probabilidade de que lhes impressionaremos com a pregação sobre o inferno.
Todo membro da raça humana decaída precisa ter colocada diante de si a total e radical inescusabilidade do pecado e da absoluta justiça da condenação da parte de Deus. Somente assim o homem caído pode levar e levará a sério o inferno. A pregação dessas verdade tenciona remover a cegueira, despertar e aguçar a consciência dormente. Do contrário, persistimos em nossa suposição de que, não importando o destino que sobrevenha a outros (um Nero, um Hitler ou um Idi Amin), nós mesmos estamos seguros em relação à condenação divina.

O QUE DEVEMOS PREGAR SOBRE O INFERNO?


Então, o que devemos pregar sobre o inferno? Há várias coisas que precisamos afirmar.



1. O inferno é real.

Uma das características da pregação de Jesus foi advertir quanto a perspectiva do inferno, assim como lhe foi característico falar sobre os elevados privilégios do céu. Pelo menos para ele o inferno era tão real quanto o céu.

2. O inferno é descrito vividamente nas passagens do Novo Testamento.

No decorrer dos séculos, os teólogos têm debatido se o vocabulário bíblico referente ao inferno deve ser tomado literal ou metaforicamente. Minha opinião é que, em qualquer aspecto do ensino bíblico em que várias descrições contêm elementos que se encontram em tensão com outros, essas descrições são provavelmente metafóricas. Mas, havendo dito isso, precisamos afirmar também – e este é um fato crucial – que as metáforas são empregadas precisamente para descrever realidades maiores do que elas mesmas.
O inferno é uma esfera de separação e privação, de sofrimento e punição, de trevas e destruição, de desintegração e perecimento. O vocabulário do Novo Testamento inclui: trevas exteriores, choro e ranger de dentes, destruição do corpo e da alma, fogo eterno, fogo do inferno, condenação do inferno, perder a vida eterna, a ira de Deus, eterna destruição longe da presença do Senhor, perecer, separação, negridão das trevas.
O que o pregador deve fazer com essa linguagem? Deve fazer exatamente o que fazemos com qualquer linguagem bíblica: usá-la até aos limites de seu significado no texto, nem mais, nem menos. Em particular, a palavra “eterno” ressalta a magnitude do que está em vista. Essa condição não é somente uma condição de separação de Deus e desintegração de tudo que é agradável; é tudo isso com duração perpétua e permanente. Foi isso que levou Thomas Brooks, grande pregador do século XVII, a clamar em palavras que encontramos também nos lábios de seus contemporâneos:
Oh! esta palavra eternidade, eternidade, eternidade! Esta palavra eterno, eterno, eterno! Esta palavra para sempre, para sempre, para sempre, espedaçará o coração dos condenados em inúmeras partes... No inferno, os pecadores impenitentes terão fim sem fim, morte sem morte, noite sem dia, lamento sem consolo, tristeza sem alegria e escravidão sem liberdade. Os condenados viverão por tanto tempo no inferno quanto Deus mesmo viverá no céu.

3. O inferno, embora preparado par o Diabo e seus anjos, é compartilhado por seres humanos.

O inferno é o deserto da humanidade, habitado por aqueles que rejeitam a Cristo e sua revelação. Aqueles que não pertencem ao reino de Deus estão lá: “Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira” (Ap 22.15; cf. 1 Co 6.9). O homem rico está lá (Lc 16.19-31); aqueles que não amaram os irmãos de Cristo estão lá (Mt 25.41-46); alguns que profetizaram, expulsaram demônios, realizaram milagres em nome de Cristo estão lá (Mt 7.21-23); “os que não conhecem a Deus e... não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” estão lá (2 Ts 1.8); Judas Isacriotes está lá (At 1.25), porque melhor lhe fora não haver nascido (Mt 26.24); o Diabo e seus anjos, a besta e o falso profeta estão lá, “atormentados... pelos séculos dos séculos” (Ap 19.19-20; 20.10, 15).

A perspectiva desse juízo é tão terrível que, ao ser revelado:


Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se? (Ap 6.15-17)

De fato, isso é muito terrível para ser contemplado – é mais terrível do que o vocabulário usado para descrevê-lo, assim como o céu é mais glorioso do que nossas palavras talvez possam descrever.
Como milhões de outras pessoas, assisti em 11 de setembro de 2011, com horror e presságio, em tempo real, pela televisão, no Reino Unido, ao segundo avião se chocando nas Torres Gêmeas, em Nova Iorque; e, depois, vi os prédios caindo em escombros, enquanto as pessoas corriam para salvar sua vida. Foi um dos mais horríveis acontecimentos que testemunhamos “ao vivo”. Enquanto eu assistia ao acontecimento, perguntei-me: que tipo de horror cataclísmico faria homens fortes correrem para aqueles escombros cadentes a fim de acharem proteção, preferindo esse holocausto à ira do Cordeiro?

4. O mais importante em expormos e aplicarmos o ensino bíblico sobre o inferno é isto: temos de enfatizar que há um caminho de salvação. Há um lugar de abrigo para nos escondermos da ira do Cordeiro.

O evangelho não é essencialmente uma mensagem sobre o inferno. Contudo, não podemos ser fiéis às Escrituras se não pregamos sobre o inferno pela simples razão de que o próprio evangelho não pode ser entendido sem a realidade do inferno.
“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós” (2 Co 5.21). Em resumo, o evangelho é isto: Cristo tomou o nosso lugar, levando sobre si o nosso pecado, provando o nosso julgamento, morrendo a nossa morte – para que compartilhemos do seu lugar, sejamos vestidos de sua justiça, provemos sua vindicação e experimentemos sua vida.
No entanto, ser feito pecado implica sujeição à condenação de Deus e ao justo juízo da punição do inferno. De fato, essa é maneira como o Novo Testamento (sempre à luz do Antigo) vê o significado da morte de Jesus.

O QUE OS PASTORES PRECISAM PARA PREGAR SOBRE O INFERNO?


É nesse contexto que a pregação sobre o inferno faz parte da pregação do evangelho. Quando entendemos que isso é o que a morte de Cristo significa, quando isso domina nossa alma, começamos a ver o modelo da pregação dos apóstolos reproduzida em nosso próprio ministério. Assim, constrangidos pelo amor, temos algumas implicações.


1. Coragem e compromisso

Pregar sobre o inferno exige coragem e compromisso. Coragem é necessária porque em alguns contextos contemporâneos apenas uma menção do inferno é suficiente para garantir a acusação de que temos um espírito severo e mente intolerante.
Compromisso é necessário porque esse ministério exige um desejo de viver para Cristo (2 Co 5.15) e de ver homens e mulheres vindo a Cristo. E isso é superior ao nosso desejo natural por segurança e popularidade. Não é possível ser apreciado por pregar a verdade sobre o inferno (embora seja possível, de modo paradoxal e com gratidão, ser amado por pregá-la).

2. Uma perspectiva verdadeiramente bíblica

A humanidade pecaminosa olha naturalmente para a vida por meio da extremidade errada do telescópio. Para eles, o tempo é longo, e a eternidade, curta; esta vida é extensa, e a vida por vir, breve; este mundo é real, e o mundo por vir, irreal. Isso é o que significa viver kata sarka(“segundo a carne”), e não kata pneuma (“segundo o Espírito” – Rm 8.4). Todavia, os olhos do cristão foram abertos e estão fixos em Cristo e na eternidade.
Um cristão olha para vida à luz do destino ao qual ela conduz e vê cada pessoa nesse contexto. As famosas palavras escritas por volta de 1834 pelo ainda jovem, mas que morreria em breve, Robert M’Cheine expressam bem esse ponto de vista e suas implicações: “Enquanto andava pelos campos, sobreveio-me, com poder quase avassalador, o pensamento de que cada pessoa de meu rebanho estará em breve no céu ou no inferno. Oh! como desejei que tivesse uma língua semelhante a um trovão, para que fizesse todos ouvir; ou que tivesse uma estrutura física como que de ferro, para que visitasse cada um deles e lhe dissesse: fuja, por amor à vida”. Por trás de todos que conhecemos e encontramos está a sombra do julgamento.
Sabendo isso, como podemos nos manter em silêncio – ou em covardia? Só podemos fazer isso se nós mesmos vivemos em negação da realidade que sabemos foi revelada no evangelho.

3. Uma profunda consciência de nossa vocação

“Deus... nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação... e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2 Co 5.18-20).
O pregador cristão é um devedor porque, por meio de Cristo, ele mesmo foi liberto do juízo vindouro. Ele é um mordomo porque a mensagem de reconciliação lhe foi confiada. Ele tem de empregar os recursos providos por seu Senhor, não para diminuir, nem para acrescentar, nem para transformá-los. Ele é, também, um embaixador cuja tarefa consiste em representar sempre seu Senhor e anunciar fielmente a sua mensagem.
Essa é a razão por que nossas próprias desculpas jamais devem prevalecer (“Eu não sou esse tipo de pregador”; “a congregação não receberia bem essa mensagem”; “as pessoas não levam mais essas coisas muito a sério”; “estamos vivendo numa época em que esse tipo de ênfase não atrai as pessoas para Cristo”).
Quando Robert M’Cheyne encontrou-se com seu querido amigo Andrew Bonar numa segunda-feira e perguntou-lhe o que havia pregado no dia anterior, recebeu esta simples resposta: “O inferno”. Em seguida, perguntou-lhe mais: “Você pregou com lágrimas?”

CONCLUSÃO

Portanto, somos chamados a pregar como representantes de Cristo: pregar com equilíbrio bíblico, com um foco cristocêntrico, com a humanidade daqueles que reconhecem sua própria necessidade de graça perante o tribunal de Cristo, com uma disposição de sofrer à luz da glória vindoura, com amor e compaixão em nosso coração e de um modo que recomenda e adorna a doutrina de Deus, nosso Salvador.
(Este artigo é uma condensação do capítulo “Pastoral Theology: The Preacher and Hell”, escrito por Sinclair Ferguson e publicado no livro Hell Under Fire: Modern Scholarship Reinvents Eternal Punishment, editado por Christopher W. Morgan e Robert A. Peterson. Copyright © 2004 Christopher W. Morgan e Robert A. Peterson. Usado com permissão de Zondervan.)

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FONTE:Ed. Fiel (http://www.editorafiel.com.br/)

terça-feira, 20 de março de 2012

A VISÃO DE VERÍSSIMO SOBRE O BBB



O olhar de Veríssimo sobre o BBB...


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo e valores morais, com tamanho atentado à nossa modesta inteligência.


Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... Todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade do brasileiro.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis.
~ Caminho árduo?
~ Heróis?
~ São esses nossos exemplos de heróis?

~ Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais.
Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão ...

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

Esta crônica está sendo divulgada pela internet a milhões de e-mails.
"Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser feito."

Luis Fernando Veríssimo
É cronista e escritor brasileiro

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FONTE:Divulgando (http://divulgandonainternet.blogspot.com.br/2012/03/visao-de-verissimo-sobre-o-bbb.html)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Quem está certo: o bispo universal, o missionário internacional ou o apóstolo mundial?






Por

Ciro Sanches Zibordi


Na atualidade, há três igrejas conhecidas como evangélicas que, apesar de terem Deus no nome, não têm pregado o verdadeiro Evangelho. Elas “arrastam” multidões. Pessoas se acotovelam para ouvir “outro evangelho”, e não o Evangelho (1 Co 15.1,2; 2 Co 11.3,4. Gl 1.6-12; 1 Tm 6.3,4).

Refiro-me a três grandes igrejas, cujos templos estão sempre lotados. A maior delas ainda não conquistou outros planetas, mas a sua meta é crescer em nível universal. A segunda maior também está em boa parte do globo terrestre; trata-se de uma igreja internacional. E a terceira também não deixa por menos. Conquanto menor do que as outras, já se considera mundial.

Estou falando de três líderes carismáticos, telepregadores muito bem-sucedidos em seus negócios. Os dois primeiros fundaram a primeira igreja, de abrangência universal. O segundo e o terceiro saíram da primeira. O mais rico (está entre os mais ricos do País!) tem um reino à sua disposição. O segundo mais rico é um milionário, quer dizer, um missionário cheio de graça, que prega, canta, conta piadas... E o terceiro vem suando bastante (a ponto de os fiéis recolherem o seu suor!) para demonstrar que a sua igreja tem muito poder.

Essas igrejas aparecem na mídia todos os dias e têm muitos seguidores — você pode ser um deles! —, mas não pregam, como já disse, o verdadeiro Evangelho. A primeira prega o evangelho da prosperidade. A segunda, o evangelho triunfalista, à base de confissões positivas. E a terceira, o evangelho experiencialista e místico.

Os auditórios dessas igrejas, em geral, são formados por três tipos de pessoas, nessa ordem: interesseiras que frequentam cultos prioritariamente para se tornarem empresárias ou saírem de uma crise financeira; interesseiras que vão aos cultos para receberem curas, bens materiais ou soluções de problemas; e interesseiras que frequentam os cultos para receberem milagres. Jesus também era seguido por multidões de interesseiros. A diferença é que Ele pregava a verdade, o que fazia com que muitos deixassem de segui-lo (Jo 6.60-69).

Bem, a primeira igreja, de abrangência universal, contraria o que diz a Bíblia acerca do Reino de Deus, que “não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17), ao priorizar a prosperidade material. Deus faz prósperos os seus filhos (Sl 1; 23; 37), mas um crente que só pensa em dinheiro e bens materiais está longe de agradar ao Senhor Jesus (Mt 6.19-21; 1 Tm 6.9,20; Ef 5.5).

A segunda igreja, de abrangência internacional, não prioriza a graça do Senhor Jesus, posto que promove um culto antropocêntrico, centrado nas necessidades humanas. As pessoas não frequentam os cultos primeiramente para adorar ao Senhor, e sim para receberem bênçãos, como se Deus fosse aquele bom velhinho do Pólo Norte... Deus abençoa o seu povo, mas o nosso culto deve ser cristocêntrico, isto é, em adoração e louvor a Cristo (1 Co 1.22,23; 2.1-5). A oração modelo não começa com “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”, e sim: “Pai nosso que está nos céus, santificado seja o teu nome” (Mt 6.9).

Finalmente, a terceira igreja, de abrangência mundial, apresenta um culto aos milagres. Tudo gira em torno de sinais, prodígios, curas... Há problema nisso? Claro que sim! O Senhor Jesus, quando andou na terra, ficou o tempo todo curando os enfermos e fazendo milagres? Não! Ele ensinava, pregava e curava, nessa ordem (Mt 4.23; 11.1). Ele ensinou mais que pregou; e pregou mais que curou. Além disso, pregar o Evangelho não é pregar milagres, pois estes são o efeito da pregação do Evangelho (Mc 16.15-20). Por isso, na hierarquização que Deus estabeleceu para os dons do Espírito, milagres e curas aparecem depois de apóstolos, profetas e doutores (1 Co 12.28).

Qual é o líder que está com a razão, visto que estão se digladiando há algum tempo? O bispo universal, que só prega a teologia da prosperidade, não fazendo jus à definição bíblica de Reino de Deus? Ou o missionário cheio de graça, conhecido em âmbito internacional? Ou ainda o apóstolo mundial que faz da pregação de milagres o seu carro-chefe, deixando de pregar o Evangelho pleno, composto de promessas, mandamentos e princípios?

Enquanto os aludidos bispo, missionário e apóstolo disputam para ver quem é o melhor, sigamos o Bom Pastor, o nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 10.11,27,28). Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6).

Amém?

Fonte: BLOG CIRO ZIBORDI