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sábado, 6 de fevereiro de 2010

MOVIMENTO NEOPENTECOSTAL


PONTOS DISCUTIVEIS DO MOVIMENTO NEOPENTECOSTAL
O movimento neopentecostal cresce muito atualmente, mais este crescimento não nos impede de questioná-lo, afinal, não somos vitimas do pragmatismo (NOTA 1) carismático que pensa que, se algo deu certo, só pode ser bom e verdadeiro. A nossa base de julgamento é a Palavra, nossa regra de fé e prática. Sem a pretensão de fazer uma abordagem técnica sobre este assunto, discorremos sobre alguns pontos discutíveis do movimento neopentecostal obedecendo três perspectivas. A eclesiológica, a teológica e a prática.
Contudo, vale lembrarmos que neste estudo estaremos abordando o tema neopentecostalismo (NOTA 2) e não sobre o movimento pentecostal (NOTA 3) . E com estudo, não pretendemos atacá-los, mas apenas refletir sobre alguns temas que consideramos discutíveis, até porque temos muitos amigos pertencentes a este movimento.


1. Pontos discutíveis da ECLESIOLOGIA neopentecostal

O pensamento neopentecostal no tocante à eclesiologia (NOTA 4) possui vários pontos questionáveis, porém, nossa abordagem não será exaustiva, explorando apenas três temas relativos: O culto, a evangelização e o ofício ministerial.

1.a. O CULTO neopentecostal

Temos entendido que o propósito exclusivo de um culto é a adoração a Deus e a edificação da alma adoradora. Contudo, não se pode dizer que a igreja neopentecostal tem seguido este propósito, isto porque a ênfase destes cultos, geralmente, não é a glória de Deus. Na "igreja neopentecostal" o conceito de culto é ambíguo, pois, ao invés de cultuar, faz-se "campanhas" de cura, revelação, prosperidade, etc. E desta forma, se Deus comparecer nestes "cultos", terá que ser para servir à agenda semanal destas igrejas e não para ser adorado. A liturgia deles é cheia de "glória a Deus", mas é tão desvirtuada de um padrão bíblico que a ênfase recai sobre fenômenos (pouco comprovados) como curas, milagres e testemunhos muito enfadonhos que resultam mais em projeção pessoal do que em exaltação ao Senhor.
E as pregações, quando não são pura aberração, são cheias de “confissões positivas” do tipo: "Você vai prosperar, use sua fé e prospere, hoje Jesus vai te curar, Deus vai mudar sua vida..." Não existe, portanto, na maioria destas igrejas, uma exposição das Escrituras sequer razoável, capaz de tirar o leigo da ignorância teológica total. Por este fato, quase sempre a palavra do líder passa a ter um valor relativo ao da Palavra de Deus e, o que ele determina, passa a ser seguido como regra de fé e prática.

E esta valorização da "tradição oral" não difere muito da atitude de uma igreja que se chama primitiva, cujo chefe supremo é considerado infalível no que fala e somente agora, por pressão evangélica, é tolerante com a leitura bíblica.

Outro problema é o que o culto neopentecostal, que não tem espaço para a adoração, se corrompe mais ainda com a demasiada cobrança de oferta dos fiéis (quase sempre prometendo a estes soluções da parte de Deus) o que tem dado a estes "cultos" um caráter mercantilista e explorador. Não somos contrários a se pedir ofertas, diga- se de passagem, mas não concordamos com a falta de bom senso e critério bíblico na administração destas coisas no culto a Deus.

1.b. A EVANGELIZAÇÃO neopentecostal

A evangelização do movimento neopentecostal apresenta uma problema seriíssimo que é o proselitismo (NOTA 5), uma característica inconfundível de uma seita. Muitos deles são do tipo que "pescam no aquário dos outros" por alimentarem a crença de que são os detentores da verdade, enquanto os demais estão enganados. A igreja verdadeira não faz prosélitos, faz “convertidos que são discípulos”. A busca do crescimento numérico por meio do proselitismo é no mínimo insensata, pois podemos até persuadir alguém a ser um religioso, mas só Deus pode transforma-lo em nova criatura. Às vezes penso que as campanhas evangelísticas de nossos dias têm mais aparência proselitista do que evangelística. Afinal, a maioria delas é realizada para crentes.

Outro problema relacionado a evangelização do movimento neopentecostal é a exagerada dependência da mídia. O uso da mídia é, sem dúvida, muito importante para a igreja, mas a dependência da mesma significa a insubordinação ao Espírito. Antigamente a igreja crescia sob a influência do Espírito e trabalho de evangelização pessoal, hoje a estratégia de algumas igrejas tem sido a de colocar um anúncio apelativo no rádio ou televisão, convidando as pessoas e prometendo-lhes a solução de seus problemas. E perguntamos, qual igreja que promete cura, paz, prosperidade e solução de conflitos familiares, que não vai crescer?

Contudo, praticando isto a igreja deixa de ser igreja do IDE e passa a ser igreja do VINDE, a evangelização passa a ser estratégia de marketing e os que se "convertem" para a igreja, passam a ser clientes e não ovelhas.

Ademais, o evangelismo neopentecostal carece de um conteúdo teológico que é essencial para a elucidação de verdades elementares da fé cristã. Suas estratégias são pregar promessas de uma realidade virtual e não pregar um evangelho genuíno, o evangelho de Jesus.


1.c. O OFÍCIO MINISTERIAL neopentecostal

Enquanto nas igrejas históricas os candidatos ao ministério pastoral passam por uma preparação e zelosa avaliação quanto ao caráter e chamado, no movimento neopentecostal, qualquer um pode ser "pastor". Os critérios baseiam-se em saber pregar, falar línguas estranhas, ter sido revelado, etc e, por esta razão, muitos líderes neopentecostais são tão desvirtuados das caracteres de um verdadeiro homem chamado ao ministério. Poucos são aqueles que tem alguma preparação teológica. Segundo Paulo, as características de um homem apto para o ministério devem estar relacionadas ao seu caráter irrepreensível, com sua capacidade de ensinar, com sua boa administração do lar, com sua competência nos relacionamentos, com sua boa conduta para com o mundo, etc (1 Tm 3). Além do mais cada pastor neopentecostal é livre pensador, ou seja, pode pregar o que acredita, sem a supervisão de ninguém, o que favorece ao surgimento de tendências heréticas e inovações doutrinárias no meio deles. E quando são questionados por alguma autoridade, se revoltam e abrem suas próprias igrejas dirigindo-as como bem lhes apetece.

Tendo falado sobre a questão eclesiológica da igreja neopentecostal, apresentaremos agora alguns pontos teológicos questionáveis que eles sustentam.

2. Pontos discutíveis da TEOLOGIA neopentecostal

O reverendo Roberto Laranjo, em seu artigo O Neopentecostalismo e suas implicações, publicado pela revista Rhêmata (NOTA 6) , destaca três tópicos teológicos que o neopentecostalismo interpreta de forma questionável. Tomaremos sua sugestão de tópicos para refletirmos sobre a teologia neopentecostal:

2.a) A exclusividade das ESCRITURAS

Os neopentecostais afirmam que a Bíblia é a Palavra de Deus e, com isto, nós concordamos. Mas para eles, a palavra dos "profetas", dos visionários, também é a Palavra de Deus. E, por isto, baseiam suas vidas e suas doutrinas também em visões, "novas revelações" e em experiências místicas.

A Bíblia é a revelação perfeita e final de Deus para o homem; visões e profecias, foram acessórios usados neste processo de formação da Sagrada Escritura. Hoje porém, temos a fé de que a Palavra de Deus é viva, eficaz e suficiente (Heb 4.12) sendo esta a nossa única regra de fé e prática. E uma vez que o cânon (NOTA 7) do Novo Testamento foi concluído, devemos nos apoiar apenas na Palavra e em nada mais.
Não ignoramos a iluminação do Espírito propiciada para que entendamos mais profundamente a Palavra, mas negamos que sejam necessárias "novas revelações". Em Jo 16.13 o Senhor Jesus diz que o Espírito nos guiaria em toda a verdade e não que nos revelaria "novas verdades".

2.b) A TRINDADE

A maioria deles defende a doutrina da Trindade, como nós também, porém a pessoa mais enfatizada no culto neopentecostal é o Espírito Santo. Praticamente tudo no culto é atribuído ao Espírito: cura, expulsão de demônios, decisões, etc. E o papel das outras pessoas da Trindade é ignorado. Parece que eles consideram o Espírito superior aos demais membros da divindade, ou pelo menos, mais importante. No entanto, a Bíblia diz que o Filho glorifica o Pai e, o Espírito, glorifica o Filho, que por sua vez, derrama o Espírito que faz o homem orar ao Pai em nome de Jesus (Jo 13. 32; 14.13; 16.14). A verdade é que, embora a divindade seja composta de três pessoas distintas, elas formam uma unidade essencial perfeita. De forma que é impossível um existir e agir sem a participação de todo o conselho divino .

2.c) A superficialidade da VIDA ESPIRITUAL

Devido à ênfase na liturgia envolvente, curas e exorcismos, os neopentecostais são na sua maioria superficiais na fé e no conhecimento das Escrituras. Este superficialismo os faz presa fácil de perniciosas heresias e de lobos vestidos de cordeiro. Por isto também que as comunidades neopentecostais são tão suscetíveis ao empirismo (NOTA 8) , misticismo (NOTA 9) , materialismo e muitas outras tendências tão nocivas à fé cristã. E o resultado desta superficialidade é a imaturidade manifesta numa vida carnal não experimentada no fruto do Espírito Santo. Não estamos dizendo que todos os neopentecostais são leigos, porque não são. Contudo, a hermenêutica deles é profundamente comprometida com "novas revelações" o que os faz suscetíveis à tendenciosidade.

2.d) Quanto à SALVAÇÃO

O pensamento deles sobre salvação não se limita a considerá-la apenas obra do Espírito, mas a ensinam como produto da cooperação humana e tão inflacionável como nossa economia: hoje tenho amanhã posso ter perdido.

Contudo, a Bíblia ensina com muita segurança que a salvação é pela graça e não por méritos previstos ou praticados pelo homem, 2 Tm 1.9, e que a salvação é eterna, Hb 5.9. O conceito arminiano (NOTA 10) tem larga expressão e até sofre uma radicalização dentro do neopentecostalismo. E como conseqüência, alguns se revestem de um humanismo tão grande, à semelhança de Erasmo de Roterdam (NOTA 11), que chegam a pregar que Deus depende carentemente da vontade humana para realizar seus desígnios e, que se o homem não quiser, Deus não pode fazer nada senão esperar até o dia que tal pessoa resolver dar uma chance para Ele. Este, sinceramente, não é o meu Deus, nem o revelado na Bíblia e na história como soberano, criador e mantenedor de todas as coisas. Esta exaltação do "livre arbítrio humano" é contrário à Soberania de Deus. Se falamos de liberdade de escolher no homem, não nos esqueçamos da liberdade de escolher de Deus. E não é injusto Deus fazer o que lhe aprouver, assim como não é injusto você queimar seu carro se o desejar fazer.


3. Pontos discutíveis da PRÁTICA neopentecostal


Este tópico pode parecer um pouco estranho visto já termos abordado a prática eclesiológica e teológica dos neopentecostais. Eu poderia dar outro título, pois não me faltariam opções, contudo, eu quero abordar aqui a conclusão prática dos dois tópicos acima. Ou seja, o resultado de uma eclesiologia e teologia distorcida é uma praxe confusa e antibíblica. Portanto, vejamos algumas praxes neopentecostais cuja natureza são incoerentes com o ensino bíblico.



3.a. A prática MÍSTICA neopentecostal

Misticismo é o conjunto de normas e práticas que tem por objetivo alcançar uma comunhão direta com Deus. O problema é que quase sempre, os místicos são induzidos a prescindir da Bíblia e se basear apenas em suas experiências. Este é um dos grandes problemas dos neopentecostais, pois eles colocam suas experiências acima da Bíblia e dão a ela uma interpretação particular fora dos recursos hermenêuticos. O Misticismo neopentecostalista é a mistura de figuras, objetos e símbolos para representarem coisas espirituais. Eles tomam figuras do Antigo e Novo Testamento e as espiritualizam, transformando-as em "proteções" semelhantes às usadas pelas magias pagãs. E deste ato aparecem crentes com fitinhas no braço, com medalhas de símbolos bíblicos, ungindo portas e janelas com azeite, colocando sal ao redor da casa para impedir a entrada de maus espíritos; outros bebem copos de água abençoada, usam óleos consagrados em Jerusalém, guardam gravetos que misteriosamente aparecem brilhando nos montes, ungem roupas para libertar as pessoas e etc. Estas coisas se estabelecem como pontos de contato e não passam de artifícios que roubam o lugar da fé e da eficácia da obra de Cristo. Este tipo de prática é rejeitado tantos pelos Pentecostais como pelas Igrejas Históricas, visto ser uma doutrina pagã que visa estabelecer por meio de objetos, um ponto de contato entre Deus e o homem. O ponto de contato dos verdadeiros cristãos é a fé em Jesus, pois Ele é o único mediador entre Deus e o homem. As magias pagãs estabelecem como pontos de contatos objetos tais como amuletos, talismãs, patuás, cristais, pedras e coisas para "proteção". Estes ensinos, anulam a obra de Cristo criando um novo meio de justificação ou arranjando um amuleto de fé para as pessoas se apoiarem. O problema é que tais pessoas acabam baseando sua fé em objetos assim como fez Gideão (Jz 8.27). A questão não é se Jesus ou apóstolos usou nalgumas vez algum objeto em suas ministrações, mas no que isto pode implicar.
Basicamente, a cosmologia brasileira é sincretizado pelo cristianismo europeu, pelo animismo (NOTA 12) dos índios e pelo fetichismo (NOTA 13) dos africanos. O animismo prega que existe uma alma ou poder, a permear cada objeto. E o fetichismo manifesta-se na cultuação, veneração ou uso religioso de um objeto que representa uma pessoa, coisa, divindade ou ritual. Estas práticas pagãs não possuem um relação muito intima com os pontos de contato (NOTA 14) ?
Entretanto, a igreja não tem que imitar ao mundo; e o animismo é a base para a idolatria.



3.b. A prática LEGALISTA e LIBERAL do neopentecostalismo

Ou eles são legalistas (NOTA 15) ou liberais, e poucos deles são equilibrados. Os legalistas enfatizam, sobretudo, a observância dos usos e costumes como um processo de santificação e preparação para a salvação. Outros já não se importam com mudança de vida, preocupam-se apenas com prosperidade, saúde e felicidade neste mundo. Estes últimos vivem uma espécie de "evangelho hedonista (NOTA 16)" que enfatiza apenas o prazer como o fim último da vida. Os primeiros, os legalistas, desenvolvem o "evangelho ascético (NOTA 17)" que opta pela "mortificação da carne", isolamento social e confinamento espiritual como um tipo de disciplina pessoal. Só um entendimento correto da doutrina da graça de Deus, poderia conduzir estas pessoas a uma coerência bíblica e, conseqüentemente, a uma prática religiosa sadia.
Enfim, existem ainda muitos pontos discutíveis do neopentecostalismo que aqui não apresentamos. No entanto, esta abordagem dará a você uma visão geral do movimento. É bom lembrar que nossa exposição não é contra os crentes neopentecostais, mas contra o sistema neopentecostal.
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Wemerson Marinho

O autor é responsável por uma congregação da IPB em Ipatinga, MG e diretor da Revista Renascer. Atualmente bacharelando em Teologia e atua num projeto evangelístico através do rádio que fala a 30 000 pessoas aproximadamente todos os dias.

Wemersonms@terra.com.br

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[1] Pragmatismo: Filosofia que prega que a verdade é medida pelos efeitos que produz. Basicamente, se deu certo é verdade, se não, não é verdade.
[2] Neopentecostalismo: Movimento surgido em meados do século XX que enfatizava o batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais, dinamizando o método litúrgico e incluindo em sua teologia, doutrinas rejeitadas pela fé apostólica e ortodoxa.
[3] Pentecostalismo: Movimento evangélico surgido no Estados Unidos no início do século XX que enfatizava o batismo com Espírito Santo como uma bênção subseqüente à conversão e a contemporaneidade dos dons espirituais .
[4] Eclesiologia: Matéria da teologia sistemática que estuda a respeito da igreja.
[5] Proselitismo: Pessoa que abraça uma religião ou uma doutrina. Fazer proselitismo é tentar converter alguém a uma religião.
[6] Rhêmata: Revista de escola dominical publicada pela Igreja Presbiteriana semestralmente em Ipatinga.
[7] Cânon: Conjunto de livros que compõem o Novo e Velho Testamento, que foram reconhecidos pela igreja cristã como inspirados por Deus.
[8] Empirismo: Doutrina que prega que todo o conhecimento adquirido pelo homem passa necessariamente pelos sentidos.
[9] Misticismo: Conjunto de normas e práticas quem tem por objetivo alcançar uma comunhão direta com Deus. O problema que os místicos sempre exaltam a experiência em detrimento a Palavra.
[10] Arminianismo: É uma doutrina elaborada como uma enérgica reação à teologia Calvinista, se opondo aos cinco pontos do calvinismo.
[11] Erasmo de Roterdam: Teólogo humanista que se opôs a Lutero na questão da livre arbitro.
[12] Animismo: Crença de que existe uma alma a permear cada objeto. Para o animista todo o objeto tem alma ou poder e, basicamente, esta é uma crença dos índios.
[13] Fetiche: é um objeto de culto forte que possui associação simbólica com o ritual, divindade, pessoa ou coisa que representa.
[14] Pontos de contato: São objetos usados como meios de se transmitir uma bênção, ou uma cura, etc.
[15] Legalista: Aquele que pratica o legalismo, sistema que enfatiza as obras como coadjuvantes na salvação.

[16] Evangelho Hedonista: Esta expressão denota as pregações modernas que centram-se no oferecimento de prazer, prosperidade e saúde.
[17] Evangelho Asceta: Esta expressão faz referência a um tipo de pregação que enfatiza o legalismo.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

JESUS CRISTO COMO MEDIADOR


JESUS CRISTO COMO MEDIADOR

Rm 8.33,34; 1 Tm 2.5; Hb 7.20-25; 9.11,12

"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." 1 Tm 2.5

Um mediador é um intermediário. É aquele que fica entre duas ou mais pessoas ou grupos e disputa e tenta promover sua reconciliação. Em termos bíblicos, os seres humanos são descritos como vivendo em inimizade contra Deus. Nós nos rebelamos, no revoltamos e nos recusamos obedecer à Lei de Deus. Como resultados, a ira de Deus permanece sobre nós. Para que esta situação catastrófica seja mudada ou remediada, é necessário no reconciliarmos com Deus. Para efetuar nossa reconciliação, Deus o Pai designou e enviou seu Filho para ser nosso Mediador. Cristo traz a nós nada menos que a majestade divina do próprio Deus - ele é o Deus encarnado. Para isso, ele tornou para si uma natureza humana e voluntariamente submeteu-se ás exigências da Lei de Deus. Cristo não iniciou a reconciliação tentando persuadir o Pai a deixar de lado sua ira. Pelo contrário, no conselho eterno da Deidade houve completo concordância entre o Pai e o Filho de que este deveria vir como Mediador. Nenhum anjo poderia representar Deus adequadamente em relação a nós; somente o próprio Deus poderia fazê-lo. Na encarnação, o Filho tornou para si a natureza humana a fim de efetuar a redenção da descendência caída de Adão. Por meio da sua perfeita obediência, Cristo satisfez as exigências da lei de Deus e mereceu a vida eterna para nós. Por sua submissão à morte expiatória na cruz, ele satisfez as exigências da ira de deus contra nós. Positivamente e negativamente Cristo satisfez os requerimentos divinos para a reconciliação. Estabeleceu para nós uma nova aliança com Deus por meio do seu sangue e continua a interceder por nós diariamente como nosso Sumo Sacerdote. Um mediador eficiente é aquele capaz de gerar a paz entre as partes em conflito ou inimizades. Este foi o papel que Jesus desempenhou como nosso perfeito Mediador. Paulo declarou que temos paz com Deus através da obra de Cristo de reconciliação:"Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" Rm 5.1. A obra medianeira de Cristo é superior a de todos os outros mediadores. Moisés foi mediador da antiga aliança. Serviu como intermediário de Deus, dando a lei aos israelitas. Jesus, porém, é superior a Moisés. O autor de Hebreus declara: "Porque ele[Jesus] é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou. Porque toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus. E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar;
Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim." Hb 3.3-6.

Sumário

1. Um mediador age para promover a paz entre a partes inimizadas.

2. Cristo, como deus-Homem nos reconcilia com o Pai.

3. Cristo e o Pai estão concordes, desde a eternidade, de que Cristo seria nosso Mediador.

4. A obra medianeira de Cristo é superior à dos profetas, dos anjos e de Moisés.

Autor: R. C. Sproul
Fonte: 1º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.
Compre este livro em http://www.cep.org.br/

Fonte: Estudos Bíblicos - Teologia Calvinista

domingo, 31 de janeiro de 2010

AS EVIDÊNCIAS DE UM CRISTÃO AUTÊNTICO


AS EVIDÊNCIAS DE UM CRISTÃO AUTÊNTICO
Por
Rev. Davi Nascimento


O considerável crescimento do número de evangélicos no Brasil nos últimos anos é considerado por muitos como um fenômeno, outros consideram que isso se deve ao número de denominações que cresce a cada dia, outros acreditam que isso se deve aos inúmeros modismos e inovações criados para atraírem pessoas, e outros acreditam que isso é fruto de um avivamento que se espalhou pelo País mais conhecido como movimento gospel, que é uma palavra em inglês que significa “evangelho, Boa Nova”. Estima-se que no Brasil existam hoje mais de 35 milhões de evangélicos e por tamanho crescimento alguns afirmam que ser evangélico virou moda, pois afirmam esses que ser evangélico hoje é uma forma de fazer parte de uma religião mais próxima de Deus. Mas será que ser um evangélico hoje significa dizer ser um cristãos autêntico? Ou pode o simples fato de ser evangélico ser superior ao de ser um Cristão Verdadeiro? (Matias Borba, http://encontrobiblia.blogspot.com).
De fato estimamos esse assustador crescimento evangélico no pais e no mundo, mais infelizmente temos que afirmar que 50% desses evangélicos desconhecem a Bíblia Sagrada, tem conhecimento das bênçãos de Deus, porem desconhecem o Deus das bênçãos, tem conhecimento dos milagres de Deus, porém desconhecem o Deus dos milagres, querem exigir de Deus, porem não permitem que Deus exija dele. Vivemos na era do microondas, oramos e queremos ser atendidos imediatamente; hoje os cultos são conhecidos como cultos coca cola, tem que haver adrenalina. Precisamos resgatar o verdadeiro cristianismo ou seremos reprovados, pois a fé não é um show, mais crer verdadeiramente no Deus Todo Poderoso. Como saber se de fato somos cristãos autênticos? O pr. Jonathan Edwards, tratando sobre este tema ele diz que as pessoas usam o texto de Tg 2.19 para comprovar que são aceitas por Deus. O texto diz: “Tu crês que há um Deus; fazes bem: também os demônios o crêem, e estremecem”. Algumas pessoas pensam que estão bem com Deus se não forem tão ruins como as outras pessoas más. Outras recorrem a seu histórico familiar ou ao fato de que são membros de igreja para mostrar que são aprovadas diante de Deus.
Há um método evangelístico muito usado que faz algumas perguntas às pessoas. Uma das perguntas é: "Imagine que você morra hoje. Por que razão Deus admitiria você no céu?" Uma resposta muito comum é: "Porque eu creio em Deus". Podemos aprender na Bíblia que não só é apenas o fato de estarmos arrolados no rol de membros de uma igreja que nos dar o direito de entrarmos no céu. Podemos estar arrolados aqui, mas será que estamos arrolados no céu? A Bíblia nos ensina “que embora a fé seja algo bom na vida das pessoas, definitivamente não é prova de que a pessoa está salva. O que a Bíblia quer dizer é isto: "Você diz que é um cristão e que goza do favor de Deus. Você pensa que Deus vai admiti-lo no céu, e que aprova disso é que você crê em Deus. Mas isso não prova nada, porque os demônios também crêem, e eles com toda certeza vão ser punidos no inferno". Os demônios crêem em Deus — você pode estar certo disso! Eles não só crêem que Ele existe, mas também crêem que Deus é um Deus santo, um Deus que odeia o pecado, um Deus verdadeiro, que prometeu julgamento, e que há de executar sua vingança contra os demônios. É por essa razão que os demônios "tremem" com horror — eles conhecem a Deus melhor do que a maioria dos seres humanos, e estão apavorados”, (Jonathan Edwards).
Ficamos a nos perguntar, sobre o por que os seres humanos são tão tolos em pensar que já tem a sua garantia nos céus pelo fato de que professam que crêem em Deus. O grande problema nisso tudo é quando um crente diz-se e não vive o que diz. Você pode até se alegrar com o crescente numero de “evangélicos” no pais, mais isso não é motivo de alegria, pelo fato de que o cristianismo perdeu a sua verdadeira identidade. O que resta é apenas uma imagem de um cristianismo ofuscado pela mídia, onde até artistas de filmes eróticos podem dizer que são “evangélicos”.
A única forma de reconhecermos um cristão autêntico é pelo conhecimento da verdade, pois se ele tem conhecimento da verdade divina, ele é liberto dessa onda destruidora denominado movimento gospel, que tem crescido assustadoramente. Diante disso tudo podemos perguntar: “Você é um cristão autêntico?”. Ou vive na sombra de uma aparência falsa de evangelho multimídia. Como igreja, podemos fazer de tudo para agradar a sociedade ímpia, porém não nos movimentamos para agradar a Deus. A Apatia as coisas de Deus são expressos nos rostos de muitas pessoas e infelizmente em muitos crentes. Muitos tem feito pouco caso para as coisas de Deus. São tão envolvidos com sigo mesmo que não permitem ser ofuscados nem pela graça do Senhor.
O que nos faz pensar que somos melhores do que aquelas pessoas que morreram no tsunâme de 2004? Ou que somos melhores que as pessoas que morreram, vitimas dos tremores de terra no Haiti? Ou ainda melhores do que as pessoas que estão morrendo nas enchentes em São Paulo? Ou na seca no Ceará? Quero vos dizer nesta noite que não somos melhores do que essas pessoas em nada. Não seria injusto da parte de Deus nos mandar todas essas calamidades, pois somos negligentes com as coisas de Deus. Invertemos o texto que diz: “buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”, Mt 6.33, no lugar dele dizemos: “Busco primeiro o meu reino a minha justiça e as coisas que me são acrescentadas. Deus? Vou ver se sobra um tempo para ele”.
Jesus disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Quando somos conhecedores da verdade, e não praticamos a verdade estamos enganando a nós mesmos. Devemos nos lembrar que de Deus não se zomba. Devemos pensar na vinda do Senhor que esta próxima, Ele vem como Justo Juiz e punirá aqueles que estão negligentes quanto as sua verdades. Em Malaquias 3.2, 5 nos é dito: “Mas quem suportará o dia da sua vinda? e quem subsistirá quando ele aparecer? porque ele será como o fogo do ourives, e como o sabão dos lavandeiros”. E chegar-me-ei a vós, para juízo, e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros e contra os adúlteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o jornaleiro, e pervertem o direito da viúva, e do órfão, e do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos”. É possível enumerar as qualidades de uma pessoa que diz que é cristã, porem sem autenticidade:

1. feiticeiros;
2. adúlteros;
3. juram falsamente;
4. defraudam;
5. pervertem;
6. Não temem ao Senhor;

Contra essas pessoas, o Senhor virá com fogo abrasador e punirá todos que praticam a iniqüidade, pois essa é a vingança do Soberano Deus, para aqueles que negam o seus nome, não praticando a verdade. “PORQUE, eis que aquele dia vem ardendo como forno; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo”, Ml 4.1. Você de fato é um cristão autêntico? O pr. Jonathan Edu, diz que Também é possível constatar que o simples fato de as pessoas concordarem com a Bíblia não é um sinal seguro de salvação. É preciso compreender que, quando a Bíblia fala sobre crer que Jesus é o Filho de Deus, como uma prova da graça de Deus no coração, a Bíblia não quer dizer um mero consentimento com a verdade. Um cristão autêntico deve ter pleno conhecimento da verdade. É inconcebível uma pessoa dizer que é cristão não ter esse conhecimento da verdade divina.
Algumas pessoas têm experiências religiosas muito fortes, e as consideram como prova da obra de Deus no seu coração. Muitas vezes, essas experiências dão às pessoas um senso da importância do mundo espiritual, e da realidade das coisas de Deus. Contudo, essas experiências, também, não são provas infalíveis de salvação.
Em meio a tudo isso a pergunta paira no ar: Como reconhecer um cristão autêntico?

1. Pela sua mudança de vida – “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”, 2 Cor 5.17. Se uma pessoa diz ser cristã e não evidência novidade de vida, a sua profissão de fé pode ser descartada, pois como disse Jesus: “ Necessário vos é nascer de novo”, Jo 3.7.

2. Comprometido com a causa do Mestre – Um verdadeiro cristão, não é preguiçoso para as coisas do seu Senhor, ele está sempre disposto na seara do Mestre. “Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros. Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara”, Mt 9.37, 38. Aquele que um dia entregou a sua vida a Jesus está compromissado com a sua obra eternamente, pois “Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus”, Lc 9.62.

3. Na sua vida é evidenciado os frutos do Espírito – Se em uma pessoa que se diz cristão não é evidenciado os frutos do Espírito, a sua profissão de fé é questionada, porque, “O fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”, Gl 5.22.

Um Cristão autêntico anda no Espírito, porque ele é templo e morada do Espírito Santo. “Os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito”, Gl 5.24, 25. Façamos um auto exame em nossas vidas e verifiquemos se o meu conceito de cristianismo confere com a verdade expressa nas Sagradas Escrituras. Amém.

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Rev. Davi Gomes do Nascimento.
Bacharel em Teologia pelo seminário Presbiteriano fundamentalista do brasil e pastor da Igreja Presbiteriana Fundamentalista na cidade de Santa Terezinha - Pe.

sábado, 9 de janeiro de 2010




COMO POSSO TER CERTEZA DE QUE A BIBLIA FALA A VERDADE?

Centenas de livros já foram escritos sobre as evidências da inspiração divina da Bíblia. Estas evidências são muitas e variadas. Infelizmente, esses livros não são tão lidos atualmente o quanto seria desejável. Na verdade, a maioria das pessoas que questionam a veracidade da Bíblia nunca a leram! Estas pessoas tendem a aceitar a crença popular de que a Bíblia está cheia de erros e que não é mais importante em nosso mundo moderno. Entretanto, os escritores da Bíblia afirmam repetidas vezes que eles estavam transmitindo a própria Palavra de Deus: infalível e tendo autoridade em si própria no mais alto grau possível. Este é uma afirmação muito forte para um escritor e se os cerca de quarenta homens que escreveram as Escrituras estavam errados em fazê-la, então eles estavam ou mentindo, ou eram loucos, ou as duas coisas.
Mas, por outro lado, se o maior e mais influente livro de todas as épocas - um livro que contém a mais bela literatura e o mais perfeito código moral já imaginado – foi escrito por um bando de fanáticos, então há alguma esperança de encontrar sentido e próposito neste mundo? Se alguém investigar seriamente as evidências bíblicas, esta pessoa irá descobrir que a afirmação de ser divinamente inspirada (declarada cerca de 3000 vezes na Bíblia de diversas formas) é amplamente justificada.

Profecias cumpridas

Uma das mais incríveis evidências para a inspiração divina da Bíblia são as profecias que se cumpriram. Centenas de profecias feitas na Bíblia vieram a se cumprir até o último detalhe. E a maioria delas foi cumprida quando o seu escritor já havia morrido. Por exemplo: Em cerca de 538 AC (Daniel 9:24-27), Daniel, o profeta, predisse que Jesus viria como o Salvador e Príncipe prometido para Israel exatamente 483 anos depois que o imperador persa desse aos judeus permissão para reconstruir a cidade de Jerusalém que estava em ruínas nesta época. Essa profecia foi clara e definitivamente cumprida no tempo exato.
A Bíblia também contém uma grande quantidade de profecias tratanto de nações e cidades específicas ao longo da história, todas as quais foram literalmente cumpridas. Mais de 300 profecias foram cumpridas pelo próprio Jesus Cristo durante a sua primeira vinda. Outras profecias lidam a difusão do Cristianismo pelo mundo, falsas religiões e muitos outros assuntos. Não há outro livro, antigo ou moderno, como a Bíblia. As profecias vagas e geralmente errôneas, feitas por pessoas como Jeanne Dixon, Nostradamus, Edgar Cayce e outros como eles, não podem, nem de longe, serem colocadas na mesma categoria das profecias bíblicas. Nem outros livros religiosos como o Alcorão, os escritos de Confúcio e literatura religiosa similar. Somente a Bíblia manifesta esta evidência profética e ela a faz em uma escala tão gigantesca que torna absurda qualquer outra explicação que não a sua inspiração divina.

Uma acurácia histórica única

A acurácia histórica das Escrituras é também uma classe de evidências por si só, infinitamente superior aos registros escritos deixados pelo Egisto, Assíria e outras nações antigas. As confirmações arqueológicas do registro bíblico são quase inumeráveis. O Dr. Nelson Glueck, a maior autoridade em arqueologia israelita, disse: "Nenhuma descoberta arqueológica jamais contradisse qualquer referência bíblica. Dezenas de achados arqueológicos foram feitos que confirmam em exato detalhe as declarações históricas feitas pela Bíblia. E, da mesma maneira, uma avaliação própria de descrições bíblicas tem geralmente levado a fascinantes descobertas no campo da arqueologia moderna."

Acurácia científica

Uma outra espantosa evidência da inspiração divina da Bíblia é o fato de que muitos princípios da ciência moderna foram registrados como fatos da natureza na Bíblia muito antes que qualquer cientista os confirmasse experimentalmente. Uma amostra destes fatos inclui:

 A redondeza da terra (Isaías 40:22)
 A quase infinita extensão do universo (Isaías 55:9)
 A lei da conservação de massa e energia (II Pedro 3:7)
 O cíclo hidrológico (Eclesiastes 1:7)
 O vasto número de estrelas (Jeremias 33:22)
 A lei do aumento da entropia (Salmo 102:25-27)
 A suma importância do sangue para a vida (Levítico 17:11)
 A circulação atmosférica (Eclesiastes 1:6)
 A campo gravitacional (Jó 26:7) e muitos outros

Estes fatos obviamente não são declarados no jargão da ciência moderna, mas em termos da experiência básica no homem no dia-a-dia. Ainda assim, eles estão completamente de acordo com o fatos modernos da ciência.
É significativo também que nenhum erro jamais foi demonstrado na Bíblia, seja em ciência, história ou qualquer outro assunto. Muitos erros foram de fato declarados, mas eruditos bíblicos conservadores sempre foram capazes de encontrar soluções para esses problemas.

Estrutura única

A incrível estrutura da Bíblia deve ser colocada em perspectiva também. Embora ela seja uma coleção de 66 livros, escritos por cerca de quarenta homens ao longo de um período de cerca de 2000 anos, a Bíblia ainda assim é um só Livro, em perfeita unidade e consistência. Os escritores individuais, na época em que escreviam, não tinha idéia de que, eventualmente, seus escritos seria incorporados em um só livro. Entretanto, cada um desses escritos individuais preenche perfeitamente o seu lugar e serve a um único propósito. Qualquer pessoa que estude diligentemente a Bíblia irá encontrar padrões estruturais e matemáticos cuidadosamente bordados em seu tecido com uma intrincácia e simetria que não são passíveis de explicação através do acaso ou coincidência.
E o tema que a Bíblia desenvolve consistente e grandiosamente de Genêsis ao Apocalipse é o majestoso trabalho de Deus na criação do universo e a redenção de todas as coisas através de seu único filho, o Senhor Jesus Cristo.

O efeito único da Bíblia

A Bíblia também é única em seu efeito sobre homens em individual e sobre a história das nações. Ela é o livro mais vendido de todas as épocas, tocando corações e mentes, amada por pelo menos uma pessoa em qualquer raça, nação ou tribo para a qual foi levada. Ricos ou pobres, educados ou simples, reis ou plebeus, homens de qualquer origem ou modo de vida já forma atingidos por esse livro. Nenhum outro livro jamais teve tal apelo universal ou produziu efeitos tão duradouros.
Uma evidência final de que a Bíblia é verdadeira é o testemunho dos que acreditaram nela. Multidões de pessoas, no passado e no presente, descobriram por experiência própria que suas promessas são verdadeiras, seu conselho é confiável, seus comandos e restrições são sábios e que sua maravilhosa mensagem de salvação vai ao encontro de qualquer necessidade para todo o tempo e eternidade.

Autores: Henry Morris e Martin Clark, adaptado do livro dos mesmos A Bíblia tem a resposta, publicado por Master Books.

http://www.christiananswers.net/portuguese/q-eden/edn-t003.html

domingo, 20 de dezembro de 2009

OS TRÊS INIMIGOS DA ALMA

O MUNDO, A CARNE E O DIABO
Por

Rev. Davi Nascimento



Uma das grandes falhas do povo de Deus, é pensar que uma vez salvos estão livres dos perigos e dos inimigos da alma. Nos conta uma ilustração que “Visitando uma fábrica de bússolas, um estudante curioso notou grande numero de aparelhos novos e polidos. Alguns tinham as agulhas apontadas para a direção norte e, mudando-se a posição da bússola, a pequena agulha voltava-se sempre para a mesma direção. Outros tinham as agulhas todas pa¬radas, não se mexiam: bússolas inúteis. Qual a explicação? O fato é que as primeiras estavam imantadas e as outras não. Da mesma forma, quando o amor de Cristo é comunicado a nós e ficamos cheios do seu poder, nossa vida aponta sempre para o rumo de Deus”. Precisamos, saber para que lado a nossa bússola está apontando, pois a Bíblia nos alerta para três inimigos poderosos que temos, são eles: O mundo, a carne e o diabo. Se não atentarmos para a bússola que é Cristo e a sua Palavra caminharemos para o lado errado da estrada, a qual conduz ao inferno. Aqueles que buscam caminhar nos caminhos do Senhor são conduzidos por Cristo que é a nossa bússola, até a glória eterna. Passemos a analisar as características dos nossos inimigos:

I. O MUNDO

Quando falamos em mundo, ou vida mundana, alguns chegam até a discordar dessa realidade, mas precisamos saber que quando o homem pecou, toda a criação foi corrompida pelo pecado da humanidade, o apostolo Paulo nos diz em Rm 8.20-22: “Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, Na esperança de que, também, a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto, até agora”. Vivemos em um mundo de pecado em que a vaidade impera nos corações, onde as pessoas estão mais preocupadas com estética do que a sua vida com o Deus criador. Hoje o jovem não namora mais, o namoro foi substituído por apenas ficar, e nesse ficar tudo é liberado, até mesmo o sexo fora do casamento. É justamente ai que o crente precisa ter cuidado, pois o que parece ser normal ao mundo, aos olhos de Deus é pecado.
A influência do mundo é tão grande, que se as pessoas não acompanharem o ritmo ficaram desatualizadas da vida e do convívio com a sociedade. Qual a postura do crente em meio a tantas turbulências? A Palavra de Deus nos diz: “Vós sois a luz do mundo... Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”, Mt 5. 14, 16. Como crentes, precisamos fazer a diferença neste mundo pecaminoso. É inadmissível uma pessoa dizer que é crente, e viver na pratica do pecado. Precisamos entender que Deus nos salvou em Cristo para vivermos em conformidade com a sua Palavra, nos diz a Palavra: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. A palavra conformar, significa concordar e é justamente neste ponto que muitos de nós pecamos, pois quando concordamos com as práticas mundanas, pecamos contra o Senhor nosso Deus, pois a palavra nos diz: “Não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus, Tg 4.4. Diante de tudo isso temos um grande desafio, se escolhemos viver em conformidade com o mundo, somos inimigos de Deus, pois a amizade do mundo é inimizade contra Deus. O que vai ser? O que você escolhe? Vamos voltar a condição de inimigos de Deus? Uma vez que já fomos reconciliados com Deus, vamos voltar a ser inimigos novamente? Estamos com saudades da nossa velha natureza? Do velho homem? Paulo nos diz em Rm 5.10: “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus, pela morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida”. Talvez você esteja pensando neste momento: “Eu nunca fui inimigo de Deus”, mas é o que a Palavra nos diz. Aqueles que são amigos do mundo, são inimigos de Deus. Se você continua amar esse mundo, ouça o que a Bíblia diz a respeito desse fato: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”, 1 Jo 2.15. Talvez você esteja se perguntando nesse momento: Por que se amamos o mundo o amor do Pai não está em nós? Deixe que a Bíblia responde a essa pergunta: Porque, tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo, v. 16. A Bíblia ainda responde que somos de Deus e que “todo o mundo está no maligno”, 1 João 5.19. Se de fato somos de Deus, não temos que andar em conformidade com o mundo, pois este pertence ao maligno, e este se opõe contra nós, sendo ele um dos grandes inimigos da igreja. Que possamos entender de uma vez por todas que vivemos nesse mundo, mas não pertencemos a ele, essa verdade foi dita pelo próprio Senhor Jesus: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece”.

II. A CARNE

Vimos antes que o mundo é um dos inimigos dos crentes, pelo fato dele pertencer ao maligno, sendo assim um dos maiores problemas do mundo são as tentações, as quais levam aos pecados carnais. A carne é o segundo inimigo dos crentes. Jesus alerta aos seus servos para uma vida de vigilância, pois se não vigiarmos, logo iremos ceder aos prazeres carnais, disse o Senhor Jesus: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”, Mc 14.38. Precisamos entender que as tentações são armadilhas que Satanás tem colocado nos caminhos dos servos de Deus, e o grande problema é que muitos tem caído nessas armadilhas e sabem porque? Há seis fatores que tem levado muitos a cair nas armadilhas de Satanás, são eles:

• Não tem uma vida de oração;
• Não medita na Palavra de Deus;
• Não tem comunhão com Deus nem com os irmãos;
• Não tem vida de testemunho;
• Anda como se não pertencesse a igreja de Deus;
• Pouco vem a casa de Deus.

Paulo nos diz em Ef 6.10-20 que devemos estar vestidos com todas a armadura de Deus “para que possais resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes”, v. 13. Sabem o porque de tantas provações e tantas quedas? Talvez os parafusos da nossa armadura estão frouxos ou já não existem mais, fazendo com que nossa armadura se torne frágil, dando assim lugar para o nosso inimigo entrar e fazer atrocidades, levando-nos a pecar com prazeres carnais. Que ver um exemplo disso? Qual é a sua fraqueza?

• Bebidas;
• Mulheres;
• Jogos;
• Vaidade...

É justamente nesse ponto que satanás vai penetrar em nossa vida quando a nossa armadura não está bem ajustada. Você acha que pode resistir aos prazeres carnais? Seu grau de espiritualidade é alto? Quero lhe dizer que a sua resistência e o se alto grau de espiritualidade nada é, se você não tem uma vida ao lado do Senhor; se a sua armadura está com falhas. Talvez você se ache um super-crente, mas se você não tiver intimidade com Deus, você será uma presa fácil pra Satanás.
Precisamos entender que “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”, Jo 3.6. Você é nascido da carne ou do Espírito, se do Espírito, trate de andar em Espírito. Paulo diz em Rm 8. 5-7: “Porque, os que são segundo a carne, inclinam-se para as coisas da carne; mas, os que são segundo o espírito, para as coisas do espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser”. Isso nos leva a pensar na nossa situação diante de Deus, pois Paulo nos diz que:

1. Quem é da carne, pratica as coisas da carne;
2. Quem anda segundo o Espírito, pratica as coisas do Espírito;
3. Quem é inclinado a carne está sujeito a morte eterna;
4. Quem é inclinado ao Espírito, herdará a vida eterna e a paz com Deus
5. Quem é inclinado a carne é inimigo de Deus.
6. “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus”, V. 8.

Estamos agradando a Deus com as nossas praticas? Deus está alegre com o nosso testemunho? A nossa vida evidencia amizade com Deus e inimizade com a carne? Precisamos nos lembrar que a carne é um inimigo poderoso daqueles que querem andar em conformidade com a Palavra do senhor. Que possamos afirmar como o apostolo Paulo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo, na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”, Gl 2.20. Se não vivemos para nós mesmos. Significa que Cristo vive em nós, porém se achamos que devemos andar em conformidade com a carne, Cristo não habita em nós.

III. O DIABO

A Bíblia diz que devemos ser sóbrios e vigiar “porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”, 1 Pedro 5.8. Tem gente que acha que só o fato de apenas ser crente o livra das garras do diabo. Podemos ver nas palavras de Pedro que ele é o nosso adversário e que ele anda em nosso derredor como um leão feroz e faminto, buscando nos devorar. Precisamos entender, irmão que nesse momento acontece uma guerra no mundo espiritual, nós não podemos ver, mas a Bíblia nos revela esse fato e se não tivermos uma vida de fidelidade para com o nosso Deus, iremos ser devorados. O diabo tenta envergonhar o Senhor Deus e a arma que ele tem, somos nós. Uma vez convertidos, e praticamos pecado, logo estamos envergonhando o evangelho e escandalizando a Palavra de Deus, mas Jesus exorta o seu povo dizendo: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é necessário que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!”, Mt. 18.7. O diabo, o nosso inimigo, faz com que muitos escandalizem a igreja do Senhor, porém Jesus disse: “Ai daquele homem por quem vem o escândalo”.
Sabem por que muitos não são edificados na igreja? Sabem por que muitos ouvem a Palavra pregada, porém não se convertem ao Senhor? Jesus disse que “A semente é a palavra de Deus; E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois, vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que se não salvem, crendo”, Lc 8.11, 12. Se não estivermos atentos a Palavra de Deus, o inimigo verá uma brecha em nossa armadura e penetrará em nossa vida espiritual e quando percebemos estamos tão envolvidos nas praticas do mundo e da carne, e ficaremos desmotivados nos caminhos do Senhor. Será que isso já não aconteceu com muitos aqui? Se você sente que está nesta situação, aconselho que volte imediatamente para os caminho do Senhor, pois do contrário Satanás tragará a sua vida.
Em Ef 4.27 nos aconselha a não dar lugar ao diabo, em Tg 4.7, nos é aconselhado a sujeitai-nos, a Deus e resisti ao diabo, e ele fugirá de nós. Resistir ao diabo não é desafia-lo, pois Cristo já fez isso e venceu o desafio. Resistir ao diabo é ter o Senhor Jesus em nosso coração, ser fiel a Ele, servi-lo com sinceridade e o diabo fugirá de nós. Muitos entendem que resistir o diabo é desafia-lo, porém se esquecem da atrocidade que Satanás fez na vida de Jó, é claro que com a permissão divina. Não tente vencer o diabo com as suas próprias forças, mas pelo poder do Sangue de Cristo, sem essa verdade em mente, você será uma alvo fácil.
Como podemos entender que estamos fazendo a vontade de Deus? A resposta é: Andando em conformidade com os seus mandamentos, pois “o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes: que andeis nele”, 2 Jo 1.6. Do contrário conforme 1 João 3.8, 9: Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo. Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus.

Precisamos conhecer esses três inimigos se queremos ter uma comunhão plena com o Senhor Deus. A vida do crente deve ser de vigilância, pois se ele cochilar espiritualmente ele dará lugar o mundo, a carne e ao diabo. Precisamos irmãos deixar de ser meninos na fé e amadurecermos as nossas mentes de modo que a nossa vida glorifique Ao Nosso Deus. Que Deus possa abençoar as nossas vidas. Amém.

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*Sermão pregado pelo Rev. Davi Nascimento, na Igreja Presbiteriana Fundamentalista Betel, na cidade de Santa Terezinha - PE, no dia 20 de Dezembro de 2009.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A SUPREMACIA DE JESUS CRISTO

A SUPREMACIA DE CRISTO
Por

Eric J. Alexander


"Não importa quantos inimigos fortes planejem destruir a igreja, eles não têm poder suficiente para prevalecer contra o imutável decreto de Deus pelo qual Ele designou seu Filho como Rei eterno". João Calvino

É interessante, e acho que é significativo, o fato de que os eruditos, ao buscarem uma palavra para descrever a teologia, a pregação e o raciocínio de João Calvino, têm sido atraídos, muitas vezes, ao vocábulo cristocêntrico. Isso nos leva a concluir que, em todos os seus interesses, Calvino não permitia que nada ou ninguém tirasse o Senhor Jesus Cristo de seu lugar de supremacia em cada esfera da vida. Essa não era somente a maneira como Calvino pensava, escrevia e pregava; era a maneira como ele vivia e orava. Visando à completude, alguns eruditos preferem usar a palavra teocêntrico ou, pelo menos, acrescentá-la a cristocêntrico. Ser descrito de ambas as maneiras era o mais profundo desejo de Calvino.
Sem dúvida, ele tem sido mal interpretado e vituperado, de maneira notável, especialmente no âmbito da igreja que se declara cristã — e isso é surpreendente, quase além da compreensão. J. I. Packer sugere que “a quantidade de distorções às quais a teologia de Calvino tem sido submetida é suficiente para comprovar inúmeras vezes a sua doutrina da depravação total!”
Se os críticos de Calvino lessem suas obras, chegariam a uma conclusão diferente. Há duas fontes principais para a leitura de Calvino. Uma dessas fontes é As Institutas da Religião Cristã. Essa obra consiste de 80 capítulos, 4 livros e mais de 1.000 páginas. Packer chama-a de “uma obra-prima sistemática, que conquistou um lugar permanente entre os mais importantes livros cristãos”. Os comentários bíblicos de Calvino são outra fonte de leitura. Nenhuma dessas fontes apresenta linguagem obscura ou difícil.
Essas obras oferecem inúmeras percepções para o leitor. Mas revelam também, de modo conclusivo, que Calvino era um homem humilde, piedoso e semelhante a Cristo, um homem que se gloriava somente na pessoa e obra de Jesus Cristo, a quem ele se dedicava totalmente.
O desejo de Calvino de exaltar a Cristo a um lugar de supremacia singular é revelado em seus comentários do Novo Testamento. Até uma familiaridade superficial com esses comentários demonstra quão exata é a palavra cristocêntrico para descrever o evangelho que Calvino pregava e a ênfase que ele discerniu na teologia do Novo Testamento. Nos comentários, ele escreveu:

• Não há qualquer aspecto de nossa salvação que não possa ser achado em Cristo (Romanos).

• Todo o evangelho está contido em Cristo (Romanos).

• Todas as bênçãos de Deus nos alcançam por meio de Cristo (Romanos).

• Cristo é o começo, o meio e o fim — nada pode ser achado à parte de Cristo (Colossenses).

Sinclair B. Ferguson resumiu bem a supremacia de Cristo na teologia de Calvino, dizendo: “Tudo que nos falta, Cristo nos dá; todo o nosso pecado Lhe é imputado; e todo o julgamento que merecemos foi suportado por Cristo”.
Há diversas maneiras pelas quais se sobressai o desejo de Calvino de exaltar Jesus Cristo a um lugar de supremacia única. Neste artigo me limitarei a apenas uma dessas maneiras, ou seja, o ensino de Calvino sobre a obra de Cristo como Mediador por meio de seu ofício tríplice, como Profeta, Sacerdote e Rei.
Paul Wells escreveu que “João Calvino é indubitavelmente o maior teólogo da mediação por intermédio de Cristo”. E acrescentou: “Foi Calvino que desenvolveu o conceito do ofício tríplice de Cristo, como
sacerdote, profeta e rei, como uma maneira de apresentar as diferentes facetas da realização da salvação”. É claro que o Antigo Testamento é a sementeira dos três ofícios mediadores, que aguardavam sua plenitude em Cristo. Por nome e pela atividade de Deus em seu favor, Cristo é o “Ungido”.

O ofício de Cristo como Profeta

Quando começamos a entender todo o escopo da obra de Cristo como Mediador, compartilhamos imediatamente do senso de Calvino quanto à grandeza e à glória que pertencem a Cristo. Calvino escreveu: “A obra que seria realizada pelo mediador era incomum: envolvia o restaurar- nos ao favor de Deus, a ponto de tornar-nos filhos de Deus, em vez de filhos de homens; herdeiros do reino celestial, em vez de herdeiros do inferno. Quem poderia fazer isso, se o Filho de Deus não se tornasse igualmente Filho do Homem e, assim, recebesse o que nos pertence e nos transferisse o que Lhe é próprio, tomando o que Lhe pertence, por natureza, e tornando-o nosso por graça?”
O acontecimento clássico por meio do qual Cristo foi comissionado e revelado como Profeta foi sua unção e batismo. Calvino comentou: “A voz que trovejou do céu: ‘Este é meu Filho amado, a ele ouvi’ deu-lhe um privilégio especial acima de todos os mestres. De Cristo, como cabeça, essa unção é difundida aos seus membros, como Joel antecipou: ‘Vossos filhos e vossas filhas profetizarão’”.
No começo de seu ministério, Cristo anunciou sua vocação profética quando, na sinagoga, durante a adoração, manuseou o livro do profeta Isaías. É significativo o fato de que Ele leu uma passagem messiânica: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.17-19). Ele fechou o rolo, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Em seguida, os olhos de todos os presentes se fixaram nEle, que disse: “Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4.21). E todos se maravilhavam das palavras de graça que saíam dos lábios de Jesus. Calvino explicou: O propósito desta dignidade profética, em Cristo, é ensinar-nos que na doutrina ministrada por Ele estava incluída substancialmente a sabedoria que é perfeita em todos os seus aspectos. Fora de Cristo, não há nada digno de conhecermos; aquele que pela fé apreende o verdadeiro caráter de Cristo, esse possui a ilimitada imensidão das bênçãos celestiais.

Uma aplicação importante do ofício profético de Cristo na vida de Calvino foi o seu compromisso total com o ensino e a pregação do texto das Sagradas Escrituras. Sua exposição de maior parte da Bíblia deixou a igreja, desde a Reforma, com um tesouro inestimável. Contudo, ainda mais vital era sua absoluta submissão à autoridade final das Escrituras. Em seu comentário sobre a visão relatada em Isaías 6, Calvino disse:
“Não me arrisco a fazer qualquer afirmação sobre assuntos a respeito dos quais as Escrituras silenciam”. De modo semelhante, ele concluiu com estas palavras uma discussão sobre julgamento: “Nossa sabedoria deve consistir em aceitar, com docilidade e sem qualquer exceção, tudo que é ensinado nas Sagradas Escrituras”.
A posição de Cristo como nosso Mestre ungido e designado tem implicações profundas em nossa atitude para com as Escrituras. Fazer separação entre a supremacia absoluta de Cristo e a supremacia absoluta das Escrituras — o que Calvino defendia com firmeza — seria para ele impossível e ridículo. De fato, ele descreveu as Escrituras como “o cetro real de Cristo”, significando que Ele nos governa por meio delas. Calvino concluía freqüentemente com estas palavras: “Ad verbum est veniendum” (“Vocês têm de vir à
Palavra”).

O ofício de Cristo como Sacerdote

O sacerdócio é o segundo dos ofícios para os quais Cristo foi ungido. Um sacerdote era um homem designado por Deus para agir em favor de outros nos assuntos relacionados a Deus. Em outras palavras, Ele era um mediador entre Deus e os homens.
O Antigo Testamento preparou o terreno para este conceito, e a Epístola aos Hebreus desenvolve-o intensamente. Calvino explicou a tarefa sacerdotal em palavras solenes: “A sua função consistia em obter o favor de Deus para nós. Contudo, visto que uma maldição merecida obstruía a entrada, e Deus, em seu caráter de Juiz, era hostil para conosco, a expiação tinha de intervir necessariamente, a fim de que, como sacerdote escolhido para aplacar a ira de Deus, Cristo pudesse restaurar-nos ao favor divino”.
Este é o aspecto singular do sacerdócio de Cristo: Ele é não somente sacerdote, mas também vítima — não somente o sujeito da obra de intercessão, mas também o meio de realizá-la. Ele apresentou a oferta e se tornou a oferta; por isso, se relaciona com os homens a favor de Deus e com Deus, a favor dos homens.
Havia três deficiências fatais no sacerdócio do Antigo Testamento. Primeira, o sacerdote tinha seus próprios pecados que exigiam expiação. Portanto, sendo imperfeito, ele não podia expiar seus pecados e, quanto menos, os dos outros. Segunda, “é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb 10.4). Esse sangue ensinava o caminho de salvação por meio da morte de um Cordeiro imaculado, mas não podia outorgar, nem outorgava a realidade da salvação. Terceira, os sacrifícios dos sacerdotes eram contínuos: aconteciam diariamente no templo. O trabalho do sacerdote do Antigo Testamento nunca acabava.
Calvino contrastou tudo isso com a perfeição do sacerdócio de Cristo descrito em Hebreus 9.12-14. Ele escreveu: “O apóstolo... explicou toda a questão na Epístola aos Hebreus, mostrando que sem derramamento de sangue não há remissão (Hebreus 9.22)... Todo o fardo de condenação do qual fomos livre foi lançado sobre Ele”. No entanto, Calvino chama nossa atenção para outras implicações do sacerdócio de Cristo. Este sacerdócio é permanente e eterno, não temporário e não limitado ao estado de encarnação de Cristo. No presente, Ele está assentado à mão direita de Deus, implicando que completou sua obra na cruz, mas ainda está ativo como nosso Advogado e Intercessor. Calvino escreveu: A fé percebe que o assentar-se de Cristo ao lado do Pai tem grande proveito para nós. Depois de haver entrado no templo não feito por mãos humanas, Ele comparece agora constantemente como nosso Advogado e intercessor à presença do Pai; dirige nossa atenção à sua própria justiça, a fim de afastá-la de nossos pecados; reconcilia-nos consigo mesmo e, por meio de sua intercessão, repleta de graça e misericórdia, prepara-nos um meio de acesso ao seu trono, apresentandoo a pecadores miseráveis, para os quais, de outro de modo, esse trono seria objeto de terror.
Calvino se referiu a diversos exemplos da intercessão de Cristo nos evangelhos. Um desses exemplos foi a segurança pessoal que Cristo outorgou a Pedro dizendo-lhe que, em face do ataque de Satanás, poderia contar com a intercessão dEle em seu favor. Todavia, o principal exemplo é a grande intercessão de Cristo em João 17. O valor crucial dessa oração é que Jesus garantiu a seus discípulos que Ele mesmo é o grande Intercessor em favor deles, não somente neste mundo, mas também quando ascendeu à direita do Pai. Pelo fato de que os crentes têm acesso ao Pai, nós mesmos possuímos um ministério sacerdotal de oração.

O ofício de Cristo como Rei

É claro que o ofício de Cristo como rei também está intimamente conectado com sua obra sacerdotal de oferecer um sacrifício suficiente na cruz; por isso, Calvino afirmou: “O reino de Cristo é inseparável de seu sacerdócio”. Esse reino ainda não está consumado, mas foi inaugurado por meio do triunfo de Cristo sobre o pecado e Satanás, na cruz. Foi este retrato maravilhoso do Christus Victor (“Cristo, o Vitorioso”) que Calvino nos apresentou ao comentar Colossenses 2.14-15: “Portanto, não é sem razão que Paulo celebra com magnificência o triunfo que Cristo obteve na cruz, como se a cruz, o símbolo
da ignomínia, tivesse sido convertida em uma carruagem de triunfo”.
Em certo sentido, esse reino já está estabelecido. Como R. C. Sproul escreveu: “É uma realidade presente. Está agora invisível ao mundo. Mas Cristo já ascendeu... Neste exato momento, Ele reina como o Rei dos reis e Senhor dos senhores... Os reis deste mundo e todos os governantes seculares podem ignorar esta realidade, mas não podem desfazê-la”.
Contudo, nesta vida sempre existe um “ainda não” em nossas convicções sobre o reino. Não somente nos gloriamos na inauguração invisível do reino, como também esperamos com alegria indizível aquele dia em que o invisível se tornará visível e todo joelho se dobrará diante do “herdeiro de todas as coisas” (Hb 1.2). Enquanto isso, precisamos reconhecer a verdade da afirmação de Calvino: “Todo o reino de Satanás está sujeito à autoridade de Cristo”. Novamente, em seu sermão sobre Isaías 53, Calvino nos exorta: “Não nos limitemos aos sofrimentos de Cristo, mas vinculemos a ressurreição à morte e saibamos que Ele, tendo sido crucificado, está assentado como substituto de Deus, seu Pai, para exercer domínio soberano e possuir toda a autoridade tanto no céu como na terra”.
Calvino enfatizou as seguintes características do ofício de Cristo como rei:

• O reino é espiritual, não material. Ele esclareceu essa afirmação citando as palavras de Jesus registradas no evangelho de João: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36). Calvino escreveu: “Vemos que tudo que é terreno e do mundo é temporário e logo se desvanece”. Em seguida, ele ressaltou essa verdade dizendo: “Temos, portanto, de saber que a felicidade prometida em Cristo não consiste de vantagens exteriores — tais como: levar uma vida tranqüila e prazerosa, ser bastante rico, estar protegido de toda injúria e ter abundância de deleites, vantagens essas que a carne está acostumada a anelar —, e sim da vida celestial”.

• O reino de Deus está dentro de vós (Lc 17.21). Calvino pensava ser provável que nessa ocasião Jesus estava respondendo aos fariseus que talvez Lhe houvessem pedido, em atitude de menosprezo, que mostrasse suas insígnias. Por isso, Calvino escreveu: Não podemos duvidar que seremos vitoriosos contra o Diabo, o mundo e tudo que pode prejudicar-nos... Mas, a fim de impedir aqueles que já estavam sobremodo inclinados às coisas terrenas, por viverem há muito em suas pompas, Ele os ordena a incutir em sua consciência o fato de que “o reino de Deus... é... justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. Essas palavras nos ensinam brevemente o que o reino de Cristo nos outorga. Não sendo humano, nem carnal, nem, por isso, sujeito à corrupção, e sim espiritual, o reino nos ergue à vida eterna, de modo que possamos viver pacientemente, no presente, em meio a labuta, fome, frio, desprezo, desgraça e outras inquietações, contentes com isto: o nosso Rei jamais nos abandonará, mas suprirá nossas necessidades, até que nossa guerra acabe e sejamos chamados ao triunfo... Visto que Ele nos arma e nos capacita pelo seu poder, nos veste com seu esplendor e magnificência e nos enriquece com seus tesouros, encontramos nisso o mais abundante motivo de gloriar-nos.
Todo o conceito do ofício tríplice de Cristo foi aplicado por Calvino à necessidade espiritual do homem. Cegos por natureza e ignorantes da verdade, precisamos da revelação que veio por meio de Jesus Cristo, pois Ele é nosso Profeta e Mestre. Acima de tudo, Ele nos mostra onde achamos a verdade acerca de nós mesmos, do pecado, da salvação, do perdão para o pecado e da paz com Deus — e tudo isso, nas Sagradas Escrituras. Como J. F. Jansen disse, “Calvino, à semelhança de Lutero, jamais esqueceu
que toda a Bíblia é a manjedoura em que achamos a Cristo”.
No entanto, a triste situação do homem não é apenas que somos ignorantes quanto a Deus e à verdade. Somos também pecadores, culpados, objetos da ira de Deus e não temos esperança de salvar a nós mesmos. Nesta situação em que não temos qualquer acesso a Deus, Jesus Cristo surge como nosso Mediador, conduzindo-nos ao Pai mediante um novo e vivo caminho, oferecendo-se a Si mesmo como um perfeito sacrifício e expiando, por meio desse sacrifício, o nosso pecado. Calvino fez a distinção de que o sacerdócio anterior podia somente tipificar a expiação por meio do sacrifício de animais
e de que Cristo realizou a expiação pelo sacrifício de Si mesmo.
Finalmente, o pecador necessita do conhecimento da verdade e da reconciliação com Deus, mediante a morte de seu Filho. Necessita também da liberdade do poder de Satanás e de ser transportado para o reino de Deus. Precisamos que a poderosa mão do Rei dos reis esteja sobre nós para guiar-nos, governar-nos e subjugar, diariamente, em nós, tudo que O entristece.
A essência de toda a questão é que Calvino se preocupava, em todos os seus escritos, pregação, oração e viver, com aquilo que Abraham Kuper chamou de “um sistema de vida”. Esse sistema extraía seu poder de Cristo em uma vida na qual Ele tinha a supremacia completa. Foi em benefício de vidas transformadas que Calvino viveu, pregou, ensinou, orou e morreu — tudo que exaltasse e glorificasse a Cristo. “Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (Ap 1.5b-6).
Sempre achei que nada resume tão admiravelmente a vida Calvino como as duas estrofes do hino “Saudação a Jesus Cristo”, que lhe é atribuído:

Saúdo a Ti, que és meu firme Redentor,
Única confiança e Salvador do meu coração,
Que sofreste tanta dor, aflição e infortúnio,
Por causa de minha indignidade e miséria;
Rogo-Te que de nosso coração todo pesar,
Angústia e tolice inúteis cuides em remover.
Tu és o Rei de misericórdia e graça,
Que reinas onipotente em todo lugar:
Vem, ó Rei, digna-te reger nosso coração
E dominar todo o nosso ser;
Brilha em nós por tua luz e leva-nos
Às alturas de teu dia puro e celestial.


Extraído do livro John Calvin: a heart for devotion, doctrine, and doxology. Capítulo 9. Editado por Burk Parsons (Reformation Trust, Orlando, 2008).

FONTE: Revista Fé Para Hoje, N. 35 - Ano 2009, Ed Fiel

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O PEREGRINO




peregrino é uma narrativa cheia de emoção e suspense. Bunyan relata a viagem de Cristão, um peregrino espiritualmente abatido que viaja rumo à Cidade Celestial. No decorrer da aventura, ele se encontra com personagens de carne e osso, mas que possuem nomes alegóricos, tais como Evangelista, Adulação, Malícia, Apoliom e Vigilância. Passa por lugares sombrios e medonhos, como o Desfiladeiro do Desespero, o Pântano da Desconfiança, a Feira das Vaidades e o Rio da Morte. Surge em cada encruzilhada um novo desafio que ameaça sua chegada ao destino final. O enredo mescla-se à interpretação simbólica, e o resultado é uma incrível experiência literária e espiritual.
O peregrino é a maior obra de ficção na história do cristianismo. Para milhões de leitores, a história de Cristão serve como supremo modelo de perseverança em meio a dificuldades.

Sobre o autor
John Bunyan (1628-1688) foi pastor e escritor inglês.


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