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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A SUPREMACIA DE JESUS CRISTO

A SUPREMACIA DE CRISTO
Por

Eric J. Alexander


"Não importa quantos inimigos fortes planejem destruir a igreja, eles não têm poder suficiente para prevalecer contra o imutável decreto de Deus pelo qual Ele designou seu Filho como Rei eterno". João Calvino

É interessante, e acho que é significativo, o fato de que os eruditos, ao buscarem uma palavra para descrever a teologia, a pregação e o raciocínio de João Calvino, têm sido atraídos, muitas vezes, ao vocábulo cristocêntrico. Isso nos leva a concluir que, em todos os seus interesses, Calvino não permitia que nada ou ninguém tirasse o Senhor Jesus Cristo de seu lugar de supremacia em cada esfera da vida. Essa não era somente a maneira como Calvino pensava, escrevia e pregava; era a maneira como ele vivia e orava. Visando à completude, alguns eruditos preferem usar a palavra teocêntrico ou, pelo menos, acrescentá-la a cristocêntrico. Ser descrito de ambas as maneiras era o mais profundo desejo de Calvino.
Sem dúvida, ele tem sido mal interpretado e vituperado, de maneira notável, especialmente no âmbito da igreja que se declara cristã — e isso é surpreendente, quase além da compreensão. J. I. Packer sugere que “a quantidade de distorções às quais a teologia de Calvino tem sido submetida é suficiente para comprovar inúmeras vezes a sua doutrina da depravação total!”
Se os críticos de Calvino lessem suas obras, chegariam a uma conclusão diferente. Há duas fontes principais para a leitura de Calvino. Uma dessas fontes é As Institutas da Religião Cristã. Essa obra consiste de 80 capítulos, 4 livros e mais de 1.000 páginas. Packer chama-a de “uma obra-prima sistemática, que conquistou um lugar permanente entre os mais importantes livros cristãos”. Os comentários bíblicos de Calvino são outra fonte de leitura. Nenhuma dessas fontes apresenta linguagem obscura ou difícil.
Essas obras oferecem inúmeras percepções para o leitor. Mas revelam também, de modo conclusivo, que Calvino era um homem humilde, piedoso e semelhante a Cristo, um homem que se gloriava somente na pessoa e obra de Jesus Cristo, a quem ele se dedicava totalmente.
O desejo de Calvino de exaltar a Cristo a um lugar de supremacia singular é revelado em seus comentários do Novo Testamento. Até uma familiaridade superficial com esses comentários demonstra quão exata é a palavra cristocêntrico para descrever o evangelho que Calvino pregava e a ênfase que ele discerniu na teologia do Novo Testamento. Nos comentários, ele escreveu:

• Não há qualquer aspecto de nossa salvação que não possa ser achado em Cristo (Romanos).

• Todo o evangelho está contido em Cristo (Romanos).

• Todas as bênçãos de Deus nos alcançam por meio de Cristo (Romanos).

• Cristo é o começo, o meio e o fim — nada pode ser achado à parte de Cristo (Colossenses).

Sinclair B. Ferguson resumiu bem a supremacia de Cristo na teologia de Calvino, dizendo: “Tudo que nos falta, Cristo nos dá; todo o nosso pecado Lhe é imputado; e todo o julgamento que merecemos foi suportado por Cristo”.
Há diversas maneiras pelas quais se sobressai o desejo de Calvino de exaltar Jesus Cristo a um lugar de supremacia única. Neste artigo me limitarei a apenas uma dessas maneiras, ou seja, o ensino de Calvino sobre a obra de Cristo como Mediador por meio de seu ofício tríplice, como Profeta, Sacerdote e Rei.
Paul Wells escreveu que “João Calvino é indubitavelmente o maior teólogo da mediação por intermédio de Cristo”. E acrescentou: “Foi Calvino que desenvolveu o conceito do ofício tríplice de Cristo, como
sacerdote, profeta e rei, como uma maneira de apresentar as diferentes facetas da realização da salvação”. É claro que o Antigo Testamento é a sementeira dos três ofícios mediadores, que aguardavam sua plenitude em Cristo. Por nome e pela atividade de Deus em seu favor, Cristo é o “Ungido”.

O ofício de Cristo como Profeta

Quando começamos a entender todo o escopo da obra de Cristo como Mediador, compartilhamos imediatamente do senso de Calvino quanto à grandeza e à glória que pertencem a Cristo. Calvino escreveu: “A obra que seria realizada pelo mediador era incomum: envolvia o restaurar- nos ao favor de Deus, a ponto de tornar-nos filhos de Deus, em vez de filhos de homens; herdeiros do reino celestial, em vez de herdeiros do inferno. Quem poderia fazer isso, se o Filho de Deus não se tornasse igualmente Filho do Homem e, assim, recebesse o que nos pertence e nos transferisse o que Lhe é próprio, tomando o que Lhe pertence, por natureza, e tornando-o nosso por graça?”
O acontecimento clássico por meio do qual Cristo foi comissionado e revelado como Profeta foi sua unção e batismo. Calvino comentou: “A voz que trovejou do céu: ‘Este é meu Filho amado, a ele ouvi’ deu-lhe um privilégio especial acima de todos os mestres. De Cristo, como cabeça, essa unção é difundida aos seus membros, como Joel antecipou: ‘Vossos filhos e vossas filhas profetizarão’”.
No começo de seu ministério, Cristo anunciou sua vocação profética quando, na sinagoga, durante a adoração, manuseou o livro do profeta Isaías. É significativo o fato de que Ele leu uma passagem messiânica: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.17-19). Ele fechou o rolo, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Em seguida, os olhos de todos os presentes se fixaram nEle, que disse: “Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4.21). E todos se maravilhavam das palavras de graça que saíam dos lábios de Jesus. Calvino explicou: O propósito desta dignidade profética, em Cristo, é ensinar-nos que na doutrina ministrada por Ele estava incluída substancialmente a sabedoria que é perfeita em todos os seus aspectos. Fora de Cristo, não há nada digno de conhecermos; aquele que pela fé apreende o verdadeiro caráter de Cristo, esse possui a ilimitada imensidão das bênçãos celestiais.

Uma aplicação importante do ofício profético de Cristo na vida de Calvino foi o seu compromisso total com o ensino e a pregação do texto das Sagradas Escrituras. Sua exposição de maior parte da Bíblia deixou a igreja, desde a Reforma, com um tesouro inestimável. Contudo, ainda mais vital era sua absoluta submissão à autoridade final das Escrituras. Em seu comentário sobre a visão relatada em Isaías 6, Calvino disse:
“Não me arrisco a fazer qualquer afirmação sobre assuntos a respeito dos quais as Escrituras silenciam”. De modo semelhante, ele concluiu com estas palavras uma discussão sobre julgamento: “Nossa sabedoria deve consistir em aceitar, com docilidade e sem qualquer exceção, tudo que é ensinado nas Sagradas Escrituras”.
A posição de Cristo como nosso Mestre ungido e designado tem implicações profundas em nossa atitude para com as Escrituras. Fazer separação entre a supremacia absoluta de Cristo e a supremacia absoluta das Escrituras — o que Calvino defendia com firmeza — seria para ele impossível e ridículo. De fato, ele descreveu as Escrituras como “o cetro real de Cristo”, significando que Ele nos governa por meio delas. Calvino concluía freqüentemente com estas palavras: “Ad verbum est veniendum” (“Vocês têm de vir à
Palavra”).

O ofício de Cristo como Sacerdote

O sacerdócio é o segundo dos ofícios para os quais Cristo foi ungido. Um sacerdote era um homem designado por Deus para agir em favor de outros nos assuntos relacionados a Deus. Em outras palavras, Ele era um mediador entre Deus e os homens.
O Antigo Testamento preparou o terreno para este conceito, e a Epístola aos Hebreus desenvolve-o intensamente. Calvino explicou a tarefa sacerdotal em palavras solenes: “A sua função consistia em obter o favor de Deus para nós. Contudo, visto que uma maldição merecida obstruía a entrada, e Deus, em seu caráter de Juiz, era hostil para conosco, a expiação tinha de intervir necessariamente, a fim de que, como sacerdote escolhido para aplacar a ira de Deus, Cristo pudesse restaurar-nos ao favor divino”.
Este é o aspecto singular do sacerdócio de Cristo: Ele é não somente sacerdote, mas também vítima — não somente o sujeito da obra de intercessão, mas também o meio de realizá-la. Ele apresentou a oferta e se tornou a oferta; por isso, se relaciona com os homens a favor de Deus e com Deus, a favor dos homens.
Havia três deficiências fatais no sacerdócio do Antigo Testamento. Primeira, o sacerdote tinha seus próprios pecados que exigiam expiação. Portanto, sendo imperfeito, ele não podia expiar seus pecados e, quanto menos, os dos outros. Segunda, “é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb 10.4). Esse sangue ensinava o caminho de salvação por meio da morte de um Cordeiro imaculado, mas não podia outorgar, nem outorgava a realidade da salvação. Terceira, os sacrifícios dos sacerdotes eram contínuos: aconteciam diariamente no templo. O trabalho do sacerdote do Antigo Testamento nunca acabava.
Calvino contrastou tudo isso com a perfeição do sacerdócio de Cristo descrito em Hebreus 9.12-14. Ele escreveu: “O apóstolo... explicou toda a questão na Epístola aos Hebreus, mostrando que sem derramamento de sangue não há remissão (Hebreus 9.22)... Todo o fardo de condenação do qual fomos livre foi lançado sobre Ele”. No entanto, Calvino chama nossa atenção para outras implicações do sacerdócio de Cristo. Este sacerdócio é permanente e eterno, não temporário e não limitado ao estado de encarnação de Cristo. No presente, Ele está assentado à mão direita de Deus, implicando que completou sua obra na cruz, mas ainda está ativo como nosso Advogado e Intercessor. Calvino escreveu: A fé percebe que o assentar-se de Cristo ao lado do Pai tem grande proveito para nós. Depois de haver entrado no templo não feito por mãos humanas, Ele comparece agora constantemente como nosso Advogado e intercessor à presença do Pai; dirige nossa atenção à sua própria justiça, a fim de afastá-la de nossos pecados; reconcilia-nos consigo mesmo e, por meio de sua intercessão, repleta de graça e misericórdia, prepara-nos um meio de acesso ao seu trono, apresentandoo a pecadores miseráveis, para os quais, de outro de modo, esse trono seria objeto de terror.
Calvino se referiu a diversos exemplos da intercessão de Cristo nos evangelhos. Um desses exemplos foi a segurança pessoal que Cristo outorgou a Pedro dizendo-lhe que, em face do ataque de Satanás, poderia contar com a intercessão dEle em seu favor. Todavia, o principal exemplo é a grande intercessão de Cristo em João 17. O valor crucial dessa oração é que Jesus garantiu a seus discípulos que Ele mesmo é o grande Intercessor em favor deles, não somente neste mundo, mas também quando ascendeu à direita do Pai. Pelo fato de que os crentes têm acesso ao Pai, nós mesmos possuímos um ministério sacerdotal de oração.

O ofício de Cristo como Rei

É claro que o ofício de Cristo como rei também está intimamente conectado com sua obra sacerdotal de oferecer um sacrifício suficiente na cruz; por isso, Calvino afirmou: “O reino de Cristo é inseparável de seu sacerdócio”. Esse reino ainda não está consumado, mas foi inaugurado por meio do triunfo de Cristo sobre o pecado e Satanás, na cruz. Foi este retrato maravilhoso do Christus Victor (“Cristo, o Vitorioso”) que Calvino nos apresentou ao comentar Colossenses 2.14-15: “Portanto, não é sem razão que Paulo celebra com magnificência o triunfo que Cristo obteve na cruz, como se a cruz, o símbolo
da ignomínia, tivesse sido convertida em uma carruagem de triunfo”.
Em certo sentido, esse reino já está estabelecido. Como R. C. Sproul escreveu: “É uma realidade presente. Está agora invisível ao mundo. Mas Cristo já ascendeu... Neste exato momento, Ele reina como o Rei dos reis e Senhor dos senhores... Os reis deste mundo e todos os governantes seculares podem ignorar esta realidade, mas não podem desfazê-la”.
Contudo, nesta vida sempre existe um “ainda não” em nossas convicções sobre o reino. Não somente nos gloriamos na inauguração invisível do reino, como também esperamos com alegria indizível aquele dia em que o invisível se tornará visível e todo joelho se dobrará diante do “herdeiro de todas as coisas” (Hb 1.2). Enquanto isso, precisamos reconhecer a verdade da afirmação de Calvino: “Todo o reino de Satanás está sujeito à autoridade de Cristo”. Novamente, em seu sermão sobre Isaías 53, Calvino nos exorta: “Não nos limitemos aos sofrimentos de Cristo, mas vinculemos a ressurreição à morte e saibamos que Ele, tendo sido crucificado, está assentado como substituto de Deus, seu Pai, para exercer domínio soberano e possuir toda a autoridade tanto no céu como na terra”.
Calvino enfatizou as seguintes características do ofício de Cristo como rei:

• O reino é espiritual, não material. Ele esclareceu essa afirmação citando as palavras de Jesus registradas no evangelho de João: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36). Calvino escreveu: “Vemos que tudo que é terreno e do mundo é temporário e logo se desvanece”. Em seguida, ele ressaltou essa verdade dizendo: “Temos, portanto, de saber que a felicidade prometida em Cristo não consiste de vantagens exteriores — tais como: levar uma vida tranqüila e prazerosa, ser bastante rico, estar protegido de toda injúria e ter abundância de deleites, vantagens essas que a carne está acostumada a anelar —, e sim da vida celestial”.

• O reino de Deus está dentro de vós (Lc 17.21). Calvino pensava ser provável que nessa ocasião Jesus estava respondendo aos fariseus que talvez Lhe houvessem pedido, em atitude de menosprezo, que mostrasse suas insígnias. Por isso, Calvino escreveu: Não podemos duvidar que seremos vitoriosos contra o Diabo, o mundo e tudo que pode prejudicar-nos... Mas, a fim de impedir aqueles que já estavam sobremodo inclinados às coisas terrenas, por viverem há muito em suas pompas, Ele os ordena a incutir em sua consciência o fato de que “o reino de Deus... é... justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. Essas palavras nos ensinam brevemente o que o reino de Cristo nos outorga. Não sendo humano, nem carnal, nem, por isso, sujeito à corrupção, e sim espiritual, o reino nos ergue à vida eterna, de modo que possamos viver pacientemente, no presente, em meio a labuta, fome, frio, desprezo, desgraça e outras inquietações, contentes com isto: o nosso Rei jamais nos abandonará, mas suprirá nossas necessidades, até que nossa guerra acabe e sejamos chamados ao triunfo... Visto que Ele nos arma e nos capacita pelo seu poder, nos veste com seu esplendor e magnificência e nos enriquece com seus tesouros, encontramos nisso o mais abundante motivo de gloriar-nos.
Todo o conceito do ofício tríplice de Cristo foi aplicado por Calvino à necessidade espiritual do homem. Cegos por natureza e ignorantes da verdade, precisamos da revelação que veio por meio de Jesus Cristo, pois Ele é nosso Profeta e Mestre. Acima de tudo, Ele nos mostra onde achamos a verdade acerca de nós mesmos, do pecado, da salvação, do perdão para o pecado e da paz com Deus — e tudo isso, nas Sagradas Escrituras. Como J. F. Jansen disse, “Calvino, à semelhança de Lutero, jamais esqueceu
que toda a Bíblia é a manjedoura em que achamos a Cristo”.
No entanto, a triste situação do homem não é apenas que somos ignorantes quanto a Deus e à verdade. Somos também pecadores, culpados, objetos da ira de Deus e não temos esperança de salvar a nós mesmos. Nesta situação em que não temos qualquer acesso a Deus, Jesus Cristo surge como nosso Mediador, conduzindo-nos ao Pai mediante um novo e vivo caminho, oferecendo-se a Si mesmo como um perfeito sacrifício e expiando, por meio desse sacrifício, o nosso pecado. Calvino fez a distinção de que o sacerdócio anterior podia somente tipificar a expiação por meio do sacrifício de animais
e de que Cristo realizou a expiação pelo sacrifício de Si mesmo.
Finalmente, o pecador necessita do conhecimento da verdade e da reconciliação com Deus, mediante a morte de seu Filho. Necessita também da liberdade do poder de Satanás e de ser transportado para o reino de Deus. Precisamos que a poderosa mão do Rei dos reis esteja sobre nós para guiar-nos, governar-nos e subjugar, diariamente, em nós, tudo que O entristece.
A essência de toda a questão é que Calvino se preocupava, em todos os seus escritos, pregação, oração e viver, com aquilo que Abraham Kuper chamou de “um sistema de vida”. Esse sistema extraía seu poder de Cristo em uma vida na qual Ele tinha a supremacia completa. Foi em benefício de vidas transformadas que Calvino viveu, pregou, ensinou, orou e morreu — tudo que exaltasse e glorificasse a Cristo. “Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (Ap 1.5b-6).
Sempre achei que nada resume tão admiravelmente a vida Calvino como as duas estrofes do hino “Saudação a Jesus Cristo”, que lhe é atribuído:

Saúdo a Ti, que és meu firme Redentor,
Única confiança e Salvador do meu coração,
Que sofreste tanta dor, aflição e infortúnio,
Por causa de minha indignidade e miséria;
Rogo-Te que de nosso coração todo pesar,
Angústia e tolice inúteis cuides em remover.
Tu és o Rei de misericórdia e graça,
Que reinas onipotente em todo lugar:
Vem, ó Rei, digna-te reger nosso coração
E dominar todo o nosso ser;
Brilha em nós por tua luz e leva-nos
Às alturas de teu dia puro e celestial.


Extraído do livro John Calvin: a heart for devotion, doctrine, and doxology. Capítulo 9. Editado por Burk Parsons (Reformation Trust, Orlando, 2008).

FONTE: Revista Fé Para Hoje, N. 35 - Ano 2009, Ed Fiel

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O PEREGRINO




peregrino é uma narrativa cheia de emoção e suspense. Bunyan relata a viagem de Cristão, um peregrino espiritualmente abatido que viaja rumo à Cidade Celestial. No decorrer da aventura, ele se encontra com personagens de carne e osso, mas que possuem nomes alegóricos, tais como Evangelista, Adulação, Malícia, Apoliom e Vigilância. Passa por lugares sombrios e medonhos, como o Desfiladeiro do Desespero, o Pântano da Desconfiança, a Feira das Vaidades e o Rio da Morte. Surge em cada encruzilhada um novo desafio que ameaça sua chegada ao destino final. O enredo mescla-se à interpretação simbólica, e o resultado é uma incrível experiência literária e espiritual.
O peregrino é a maior obra de ficção na história do cristianismo. Para milhões de leitores, a história de Cristão serve como supremo modelo de perseverança em meio a dificuldades.

Sobre o autor
John Bunyan (1628-1688) foi pastor e escritor inglês.


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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

JESUS, A LUZ DO MUNDO.



João 8.12
Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida, Jo 8.12


No dia 21 de Dezembro de 1879 um americano chamado Thomas Edson inventou a lâmpada incandescente e Como não adiantava de nada ter lâmpada sem ter eletricidade, ele criou em 1882 a primeira usina elétrica, em Nova York. Sendo assim, a lâmpada não é tão velha assim, ela completa 130 anos de idade, o Brasil é mais velho que a lâmpada.
Trazendo essa realidade para a Bíblia, notamos que o Senhor Jesus toma como exemplo a sua época e cultura para mostrar que o mundo está nas trevas profundas. Diante de tudo isso quero ilustrar uma história para que vocês compreendam o que realmente Jesus queria dizer com essas palavras:

Uma história fala de um homem que conhecia muito bem a estrada por onde andava, conhecia tanto que andava até a noite, sem nenhuma preocupação, porém durante o dia alguém cavou um buraco muito profundo, mas o homem desconhecia a existência desse buraco. Certo dia caminhando a noite por aquela estrada, o homem caiu naquele buraco e após alarmados pedidos de socorro ele deito esperando o dia amanhecer para sair do buraco e quando estava quase adormecendo ouviu algumas vozes pela estrada e voltou a pedir socorro, as pessoas correram para buscar uma lanterna e uma corda para tira-lo do buraco e enquanto não chegavam ele deitou-se e adormeceu novamente. Quando as pessoas chegaram para resgatá-lo, jogaram a corda e a lanterna para ele e quando ele ilumina o buraco, ele percebe que está cheio de serpentes, aranhas venenosas, escorpiões e lagartos.

Qual é a moral dessa história? Enquanto ele estava nas trevas e no escuro ele dormiu junto da morte. Mas quando chegou a luz ele pode então verificar o grande perigo que corria. Ao chegar a luz ele pode então ver o que estava ao seu redor.... Porque a luz nos mostra o perigo que está a nossa volta!! Enquanto os pecadores não buscarem a luz do mundo que é Cristo, eles continuaram correndo um grande perigo, perigo esse que está conduzindo a muitos para a condenação eterna.
O que é a “luz”? Todos sabemos que a luz é a ausência de trevas, mas devemos entender que a questão aqui é a separação entre a luz e as trevas. Lemos já no início da Bíblia: “...e (Deus) fez separação entre a luz e as trevas” (Gn 1.4b). Podemos notar que é impossível as trevas se unirem com a luz. Não há como fazer essa experiência, nem que a ciência tente ela irá unir as trevas com a luz.
A vinda de Jesus significa exatamente isso: separação! Ou você crê e aceita que Jesus Cristo veio em carne, viveu uma vida sem pecado e sacrificou a si mesmo, derramando Seu sangue na cruz do Calvário pelos seus pecados, e que assim você tornou-se um filho da luz; ou você rejeita essa verdade eterna e continua sendo um filho das trevas, andando assim nas trevas. Em Isaías 60.1, 2 nos é dito: “LEVANTA-TE, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti. Porque, eis que as trevas cobriram a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor virá surgindo, e a sua glória se verá sobre ti.” No versículo 2 de Isaías 60 não diz apenas “eis que as trevas cobrem a terra”, mas prossegue: “e a escuridão, os povos”. Essa é a realidade em nosso mundo. As trevas não encobriram apenas o mundo, mas a todos os povos. A escuridão é algo terrível, porque ela impede que vejamos qualquer coisa. Por exemplo, se você entrar no porão de uma casa ou em outro lugar escuro durante a noite, sem dispor de uma luz, correrá sério perigo de se machucar. É isso que a Bíblia nos comunica: todas as pessoas na terra estão em sério perigo, não apenas em sua vida presente, mas também quanto à eternidade. Portanto, é extremamente importante que se cheguem à luz.
Quando Jesus, a luz do mundo, o Verbo (a Palavra) de Deus, fez-se carne e habitou entre nós, Ele ofereceu a luz a todos, dizendo: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12). João, porém, declarou: “E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”, Jo 1.5. Podemos perguntar: Porque as trevas não compreenderam? A resposta está em Jo 3.19-20: “Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque, todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas”. As trevas não compreendem a luz, isso quer dizer que os homens amaram mais as trevas, ou seja mas o inferno. Enquanto o homem não se arrepender dos seus pecados e se voltar para Cristo, ele continua amando as trevas, pois “todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” V. 20. Podemos até dizer que não fazemos o mal para ninguém, porém quando somos desobedientes a Deus, negando o Senhor Jesus Cristo, deixando de confessar a ele os nossos pecados e arrependidos não nos entregamos a Ele, tudo isso se constitui em mal, sendo assim passivo de punição eterna. Podemos observa alguns aspectos de Jesus como a luz deste mundo:

1. Santidade:

O nosso Senhor Jesus é Santo, e sua santidade lhe foi inerente mesmo quando caminhou com os homens neste mundo de pecado e horrores. Fez-se homem, viveu neste mundo, cumpriu Seu misericordioso propósito de ensinar o caminho da Salvação aos homens, permanecendo, sempre, Puro e Santo, sem pecados de qualquer sorte. Santidade esta que refletia-se em toda sua conduta, misericórdia e amor. Basta observarmos que Cristo, sendo Santo, estendeu sua mão para aqueles que, sendo pecadores, entregavam-se de todo coração. Vejam-se os exemplos de Zaqueu (Lc 19.1-10), da mulher adúltera (Jo 8.1-11), entre muitos outros. Jesus, em toda sua Santidade, é misericordioso para nos perdoar enquanto homens imperfeitos que somos.

2. Perfeição:

Jesus foi perfeito em seu agir, em suas palavras, em sua glória, em sua misericórdia, em seu esplendor, em seu amor, etc. O atributo da perfeição tem um papel fundamental, qual seja, o de diferenciar a natureza de Cristo da natureza dos Homens. Mesmo nesta terra, sendo homem de carne e osso tal qual somos todos nós, Cristo evidenciou sua perfeição, não podendo ser comparado com qualquer homem, pretérito ou futuro.

3. Justiça:

Pregamos sempre o amor de Cristo pelas almas perdidas, porém nos esquecemos de que o seu amor também é revelado na sua justiça. Cristo é Justo quando condena uma pessoa que sempre o tem negado em sua vida inteira. Em 1 Cor 15.52 nos é dito que “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”. Essa palavra é para aqueles que durante a sua vida neste mundo serviram por inteiro ao Senhor Jesus, entregando-lhe assim a sua vida aos seus cuidados, pois aquele que crer em Cristo, nos diz a Palavra: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”, Jo 11.25. Mas aqueles que continuam negando o Senhor Jesus também será negado diante do Pai que está nos céus (Mt 10.33), e ouvirá no dia do juízo final: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos”, Mt 25.41. Diante de tudo isto eu quero lhe perguntar: O que você vai querer ouvir, quando Cristo voltar como Juiz? “Vinde, benditos do meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado, desde a fundação do mundo”, Mt 25.34 ou “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno...”, Mt 25 41. Espero que você observe o versículo 34, pois Jesus é Justiça.

Isso tudo nos faz refletir o quanto é importante para nós, termos Jesus como a nossa luz e em meio a isso tudo, podemos aprender que:

1. Quem segue a Jesus Jamais andará nas trevas, pois ele é a sua luz;

2. Além de não andar em trevas, aquele que segue a Jesus, são conduzidos a vida eterna;

3. Aquele que ouve a voz do bom Pastor que é Jesus, jamais se perderam nem cairão no abismo eterno – disse Jesus: “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”, Jo 10.14. Jesus conhece as suas ovelhas porque quando Ele chama elas atendem a sua voz: “As ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz”, Jo 10.4.

Há uma oportunidade para o pecador ser perdoado e salvo, e essa oportunidade é seguir a luz do mundo e entrar pela porta da salvação que é Cristo, Jesus disse: “Eu sou a porta: se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens”, Jo 10.9. Devemos nos lembrar que a Bíblia nos diz que o ladrão veio para roubar, matar e destruir, mas Jesus veio a este mundo para que tenhamos vida em quantidade, mas para que hoje tivéssemos vida Jesus deu a sua própria vida, Jesus disse: “O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir: eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.
Eu sou o bom Pastor: o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”, Jo 10. 10, 11.
Se você deseja sair das trevas dos pecados, venha para a luz que é Cristo, se deseja mudar de vida, venha para a verdadeira vida que é Jesus e se você deseja ser salvo do inferno, entre pela porta da salvação que é Cristo.
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Rev. Davi Nascimento

sábado, 14 de novembro de 2009

A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO - Karl Barth


Deus utiliza como lhe apraz o serviço de um homem que fala em Seu Nome a seus contemporâneos, por meio de um texto bíblico. Este homem obedece assim a vocação que recebeu na Igreja e, por este ministério, à Igreja se conforma a sua missão.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

OS CINCO PONTOS DO CALVINISMO

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Aqui está uma resposta Biblica e fiel do que nós cremos no que diz respeito a nossa SALVAÇÃO em Cristo. Este livro e uma resposta aos cinco pontos do Arminianismo sobre a salvação. Baixe e seja edificado!

O CATECISMO MAIOR DE WESTMINSTER

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Este é um dos Simbolos de fé das Igrejas Presbiterianas Reformadas. Baixe e Conheça!

O BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER

O Breve Catecismo de Westminster é um dos Simbolos de Fé das Igrejas Presbiterianas Reformadas. Baixe e conheça!